A queda dos juros no Brasil é questão de tempo. Após a deflação apontada pelo IPCA de junho, divulgado na terça-feira (11), os principais players do mercado firmaram a certeza de que taxa Selic vai começar a cair na reunião de agosto.
Assim como o aperto monetário prejudicou o desempenho de uma série de empresas listadas na bolsa, o iminente afrouxo traz a perspectiva de retomada do crescimento.
É nesse escopo que Max Bohm, estrategista de ações da Nomos, recomenda cinco ações para investir em compasso de espera pelo corte dos juros.
Ambipar [AMBP3] e Simpar [SIMH3]
Ambas possuem operações mais alavancadas, o que deve levá-las a se beneficiarem com juros mais baixos.
As duas empresas atualmente possuem relação dívida líquida/Ebitda acima de 3,5x. Assim, em um ambiente de juros altos, elas têm despesas financeiras altas, resultando em um impacto negativo no lucro.
Ou seja: menos juros significa menos despesas e lucro voltando a crescer.
SIMH3, especificamente, negocia com muito desconto em relação à soma das partes – isto é, a subtração da participação do Grupo Simpar em todas as empresas controladas por ele em relação à sua dívida – conforme observou Max anteriormente, em um episódio do Ação e Reação.
Sinqia [SQIA3]
A small cap tende a se beneficiar de juros baixos por trabalhar com captação de recursos no mercado a fim de crescer inorganicamente.
A empresa teve forte expansão nos últimos anos através de aquisições, e uma queda nos juros tornaria possível a continuidade do processo.
Adicionalmente, pontuou Max, SQIA3 foi um dos principais alvos nos resgates de fundos de ações. Algumas assets posicionadas no papel tiveram que vendê-lo para pagar os resgates realizados nos últimos 18 meses.
Um cenário de queda de juros, portanto, ao reacender maior interesse pela bolsa, faz crer que o dinheiro voltará para fundos de ações, os quais consequentemente devem se reposicionar em ações da Sinqia.
Há algumas semanas, Max destacou que a empresa dobrou o faturamento nos últimos dois anos, passando de R$ 350 milhões para um valor acima de R$ 700 milhões, além de aumentar sua margem Ebitda de 15% para 25%.
O papel opera mais barato que alguns pares do setor, como Totvs [TOTS3] e Locaweb [LWSA3], indicou também o especialista.
Lojas Quero-Quero [LJQQ3]
Somente por ser do varejo, a Lojas Quero-Quero já permite um prospecto favorável para o afrouxamento monetário.
Ademais, parte importante das vendas da empresa dependem de crediário, através do Cartão Quero-Quero Verdecard, uma private label – ou “marca própria” – da companhia.
“Essa linha foi piorando ao longo dos últimos doze meses, justamente porque os juros foram aumentando e a inadimplência crescendo.”
Atualmente, a varejista negocia a 5x EV/Ebitda, um papel barato na visão de Max. O especialista não vê a Lojas Quero-Quero como alavancada, operando 0,7x DL/Ebitda, recuperando-se de um período mais difícil em relação à dívida.
MRV [MRVE3]
Construção civil é outro setor que tende a se beneficiar de modo geral com o corte na Selic.
A MRV, apesar de ser do segmento de baixa renda, no qual os juros são subsidiados através do programa federal Minha Casa Minha Vida, deve ainda assim destacar-se no afrouxo monetário, por estar mais depreciada em relação a seus múltiplos, segundo Max.
MRVE3 atualmente negocia abaixo do valor patrimonial, de 0,8x, bem abaixo de seu patrimônio líquido.
A ação também é uma das mais líquidas do setor de construção, por isso atrai bastante investimento internacional, acrescentou o especialista.
Recentemente, a companhia divulgou o relatório de vendas referente aos dois primeiros meses do segundo trimestre, o qual foi bem recebido pelo mercado.