Bonds e debêntures: iguais na teoria, bem diferentes na prática

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As debêntures são os bonds traduzidos. Enquanto por aqui títulos de dívida emitidos por empresas são chamados de debêntures, nos Estados Unidos esse mesmo tipo de título é chamado de bond.

Apesar de conceitualmente iguais, o cenário econômico de cada país gera diferenças nas características das negociações de cada um. Enquanto os americanos têm uma tradição mais longa no mercado, os brasileiros ainda “engatinham” ao realizar estes investimentos. 

Segundo Beto Saadia, planejador financeiro e especialista em alocação da BRA BS/, essa relação impacta na volatilidade dos produtos. Ele explica que os bonds são negociados “de forma mais livre, ou seja, os bancos participam menos desse mercado de renda fixa. Isso é mais livremente negociado nas bolsas, principalmente entre fundos independentes e pessoas físicas”, afirma.

Por se tratar essencialmente do mesmo produto, não existe (teoricamente) um que seja melhor ou pior. Contudo, de acordo com a situação, um pode ser mais adequado que o outro. Há dois fatores que determinam qual dará maior retorno, mas Beto alerta que “isso não vem de graça”. Junto com melhores rendimentos, também vem um “risco adicional”. 

Rating e vencimento

O primeiro fator que determina o retorno para o investidor é o rating da companhia. Comprar um bond ou uma debênture é como emprestar dinheiro para uma empresa, que vai usar esse recurso para financiar suas próprias atividades. Em poucas palavras, adquirir bonds/debêntures é financiar uma corporação.

 

Logo, o título mais rentável é o emitido pela companhia com pior rating, ou seja, com grau de solvência pior. “Empresas que são menores ou têm uma situação de caixa um pouco menos robusta do que empresas muito grandes, com ativos reais, que podem ceder isso em garantia. Empresas mais arriscadas vão ter que oferecer rentabilidade maiores”, pondera o especialista.

O segundo fator é o prazo do papel. Quanto mais distante a data de vencimento, maior será o rendimento oferecido, visto que o risco aumenta, pois muita coisa pode mudar, como os fundamentos da empresa, o cenário macroeconômico e a situação do setor.

Alocação

Debêntures e o bonds são “muito genéricos” e “atendem a todos os perfis de risco”, explica Beto Saadia. Segundo ele, é possível, por exemplo, ter um bond/debênture de uma ação como a Petrobras [PETR3; PETR4], “que é quase como comprar um título público” dado que trata-se de uma estatal. Dessa forma, comprando este tipo de título com prazos muito curtos, a alocação é adequada a um perfil muito conservador.

 

Mas também é possível comprar um bond/debênture de uma construtora com uma situação duvidosa de fluxo de caixa, que não tem ações em bolsa e não tem muitas garantias para oferecer, exemplifica o especialista. Neste caso, os enquadrados são os investidores de perfil arrojado.

“A melhor forma de acessar essas debêntures no Brasil ou nos EUA é através de fundos, porque ainda tem um gestor escolhendo as melhores empresas para colocar dentro da carteira”, recomenda.

Alocar em fundos é um bom método para adquirir uma exposição relevante que não vá trazer muitos problemas, explica ele, “com exceções de eventualmente alguns sustos que acontecem, principalmente agora por conta das Lojas Americanas”.

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