Olha o dólar aí, gente!

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DISCLAIMER: o texto a seguir trata apenas da opinião do autor e não necessariamente reflete a opinião institucional da Nomos Investimentos ou do TradeNews.

No momento em que escrevo essas linhas, o dólar bate R$ 4,77. O dólar americano (USD) é a moeda global de referência desde o final da 2ª Guerra Mundial, mais precisamente desde o acordo de Bretton Woods.

Hoje, a maioria das commodities (produtos com mercado global) e do comércio internacional é definido em USD. A guerra da Rússia vs. Ucrânia trouxe um aumento da discussão sobre desdolarização global, e a China conseguiu começar a usar sua moeda um pouco mais no comércio internacional, principalmente no comércio regional asiático. Mas ainda é inconteste a posição do USD no mundo.

Cotação do dólar em 19 de junho. [Fonte: Google]
Posto a constatação de que o USD é a moeda global e continuará a sê-lo pelo futuro observável, a pergunta relevante para nós brasileiros é: chegou a hora de dolarizar parte do patrimônio? (Lembremos que vivemos em um país emergente e volátil e o risco Brasil não é pequeno.)

Resposta curta e simples: sim.

Ainda sobre o quesito melhor timing para operacionalizar a internacionalização, acredito que estamos entrando em uma janela na qual o valor do BRL está voltando minimamente a um equilíbrio aceitável frente ao USD.

A maioria dos modelos econométricos do real vs. dólar mostra que, desde a explosão do Covid-19, em março de 2020, passamos a viver com um câmbio desvalorizado em relação aos valores intrínsecos da moeda. Essa desvalorização tem diminuído e começa a fazer sentido enviar dinheiro ao exterior (ou trocar BRL por USD). Por isso, chegou a hora de internacionalizar patrimônio sim!

Mais importante que o valor do câmbio no curto prazo, é a diversificação do patrimônio para longe do real. Estar 100% investido em reais brasileiros (BRLs) não é ideal, nem para quem vive, ganha e gasta 100% em reais. Por um motivo simples: moedas emergentes, como o BRL, tendem a se desvalorizar contra moedas de países maduros, na maior parte dos casos. O BRL é certamente um desses casos.

Cambio BRL/USD de longo prazo. [Fonte: Yahoo Finanças]
Quanto do patrimônio você irá internacionalizar? Naturalmente, ter parte do patrimônio atrelado a ativos em moeda forte é recomendável para todo e qualquer brasileiro. Mas o tamanho da parte internacional do portfólio deve ser calibrado de acordo com o perfil de risco e objetivos do investidor.

Para quem vive exclusivamente no Brasil, sugerimos algo entre 3% (para os mais conservadores) até 30% (para os mais agressivos). Se a pessoa tem vida fora do Brasil e ganha, gasta ou faz os dois em moedas fortes, esse número será tão maior quanto maior for a proporção do pedaço de vida que se vive em outras moedas.

“Uso apenas o USD nessa internacionalização?” Se você está começando esse movimento agora, a sugestão é dolarizar sim a parte internacional do portfólio.

Primeiro, o dólar é a moeda global de referência do mundo. Segundo, o dólar tem agora mais juros a seu favor que outros concorrentes (i.e. euro). Terceiro, o yuan chinês, ainda que tenha chegado para começar a fazer sombra ao dólar, tem sérias deficiências como moeda.

A China, como economia é ultra relevante (2ª maior globalmente), mas como moeda, quase nada. A livre conversibilidade da moeda e a não intervenção governamental são dois pontos inexistentes e que tornam seu uso global inviável na prática. Por fim, querer ter alguma moeda forte desatrelada dos grandes blocos econômicos, como franco suíço ou yen japonês, antes de ter parte em USD, não faz muito sentido na prática.

“Como faço essa internacionalização?” Primeiro, acho importante definir esse % do portfolio de ativos que se irá querer em moeda forte. Segundo, entrando-se em uma janela favorável, como é o caso agora, pode-se definir 2, 3 tranches com intervalos a cada 15 dias, para se tentar um preço médio mais favorável.

É muito complicado prever movimentos de câmbio no curtíssimo prazo, mostram as tentativas de previsão dos analistas que tentam cravar os movimentos cambiais.

Feito essas duas definições, abre-se um conta no exterior e envia-se os recursos. Depois, aplica-se os recursos em ativos que façam sentido para o cliente, de acordo com seus objetivos e perfil de risco como investidor.

Prefira renda fixa americana a renda variável global. No atual momento, prefiro renda fixa americana pelas taxas atrativas em USD. Em função do risco inflacionário ainda não estar 100% domado lá fora, não priorizaria renda variável nesse momento.

Caso queira uma visão mais detalhada de como fazer isso, busque seu assessor de investimentos. Se não tiver um, te convido a entrar em contato conosco e traremos uma solução de investimentos global adequada às suas necessidades.

Bons investimentos!

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