“Aqui não é ‘céu de brigadeiro’”: por que o Ibovespa não anda?

Ibovespa outubro consolidação

O Ibovespa caminha para seu melhor ano desde 2019. Todavia, os 6,7% de alta em 2023 até esta quarta-feira (11) são muito mais mérito do primeiro semestre. Desde os 5% de baixa em agosto, o índice apresenta modestas valorizações mensais, que sequer chegam a 1%.

Em linguagem de análise gráfica, o Ibovespa entrou em um leve canal de baixa em meados de julho. O mercado ficou “bastante contraintuitivo”, definiu Victor Benndorf, sócio-fundador e analista chefe da casa de research que leva seu sobrenome.

O movimento de consolidação mesmo diante do primeiro corte do Copom, em agosto, pegou todo mundo de surpresa, descreve. A resposta para o aparente contrassenso é a forte influência do fluxo de capital estrangeiro no mercado nacional.

A grande explicação não é perda da atratividade local, adianta o especialista. Afinal, o Brasil ainda está com política monetária contrária à das principais economias do globo, mas ainda assim não veio fluxo externo para a bolsa do Brasil.

“Apesar da nossa dinâmica ser muito melhor”, diz Victor, referindo-se ao crescimento econômico e política monetária do Brasil, “os juros ainda continuam muito altos estruturalmente”. Assim, por um lado, o investidor local ainda não voltou para a bolsa, atraídos pela renda fixa, e o resgate nos fundos locais continua.

Os resgates têm diminuído, mas o saldo continua negativo, frisa Victor.

Desempenho do Ibovespa de maio a outubro de 2023. [Fonte: Benndorf Research/TradingView]
Por outro lado, “quem dominava o mercado local, quem estava movendo o fluxo aqui, era o [investidor] internacional”. E, dos últimos meses para cá, a dinâmica asiática também desacelerou. Em resumo, a China mostrou não estar conseguindo se recuperar.

Diga com quem tem relações comerciais e o mercado dirá quem és. “O gringo, às vezes, não distingue tanto Brasil de China e outros BRICS”, e não raramente compra ou vende em bloco. Na visão de Victor Benndorf, a eventual melhora da economia chinesa é o gatilho que o Ibovespa precisa para voltar a subir.

Adicionalmente, houve piora no apetite ao risco do estrangeiro em si, fruto das revisões de expectativa para os juros nos EUA.

Na perspectiva do investidor brasileiro, ainda há certas pedras no caminho. Victor Benndorf menciona um arcabouço fiscal que talvez não seja cumprido, a zeragem do déficit fiscal, algumas incertezas jurídicas e incertezas microeconômicas.

Em suma, “aqui não é céu de brigadeiro, apesar da política monetária e crescimento”.

Contagem regressiva para 2024

A reta final deste ano promete leve melhora no consumo, descreve o analista chefe da Benndorf, mencionando a expectativa semelhante de executivos de varejistas com quem conversou.

“Não vai ser uma guinada forte, não vai ser um movimento linear, mas a ideia é que a atividade melhore um pouquinho.” O tripé do consumo definitivamente está mais favorável: a inflação desacelerou, houve queda de juros na margem e queda no desemprego.

Quanto à bolsa, o cenário requer seletividade e dinamismo. “Como o cenário ainda não é tão robusto, algumas empresas vão se sobressair”, então seletividade é pré-requisito para reagir à leve melhora esperada para o mercado.

A Benndorf mantém recomendação neutra para exposição ao Ibovespa – leia-se moderação nas posições em bolsa. “A queda de juros aqui é interessante, mas, como eu comentei, dependemos de catalisadores externos”, justifica Victor.

Sim, o investidor posicionado no Brasil tem sim respaldo para tanto. Mas, ao mesmo tempo em que se aproveita o valuation barato, crescimento econômico e flexibilização da política econômica, deve-se atentar aos movimentos no exterior para aumentar ou diminuir a volatilidade da carteira.

“Resumindo, é estar posicionado em bolsa moderadamente, ter seletividade e ter dinamismo de rotações setoriais, que o mercado tem exigido bastante.” Visão qualitativa é a cereja do bolo. “Melhor estar em empresas que são talvez mais caras por valuation, mas que têm track record, que vão trazer o poder defensivo desse vai e vem de mercado”, finaliza o especialista.

 

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