Tamanho não é documento: as maiores empresas nem sempre são as melhores

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As gigantes da B3 em valor de mercado não necessariamente são o melhor investimento

Petrobras, Itaú, Vale, Ambev, Banco do Brasil, WEG e Bradesco são as maiores empresas da B3 em capitalização de mercado até o momento. Mas há alguma proporcionalidade entre o tamanho e a qualidade da companhia enquanto investimento?

Depende, adianta Sérgio Neto, analista da Capitalizo. As empresas de maior market cap são geralmente mais maduras dentro de seus respectivos setores, portanto não tendem a apresentar taxas de crescimento tão pujantes – ou seja, não são a melhor opção para investidores com apetite ao risco.

Já Leonardo Piovesan, analista da Quantzed, é mais enfático: não vê as blue chips como as melhores alternativas. “Eu vejo hoje atratividade maior nas small caps”, explica, apontando a correlação entre queda dos juros e crescimento das empresas de capitalização menor. 

Aliás, Piovesan não recomenda se guiar pelo valor de mercado como fator de decisão para um investimento. “Sinceramente, não vejo muita utilidade”, expressa. Ele é adepto da escola de análise que define valor a partir do quanto uma empresa dá de resultado hoje junto ao potencial de resultado à frente.  

Por essa métrica, mesmo uma companhia de alto market cap poderia ter boa performance das ações, conquanto o resultado ou as perspectivas de crescimento sejam positivas. Em suma, o analista da Quantzed não vê tamanho, mas sim o potencial de crescimento ao analisar um ativo. 

Piovesan cita a Petrobras como exemplo de seu método de valuation. Apesar de ter a maior capitalização da B3, a estatal mais do que dobrou de valor em 2023. 

Há outro porém. Apesar da inutilidade para determinar qualidade enquanto investimento, o market cap é útil para se ponderar sobre fatores como a liquidez das ações de uma companhia. “Se o investidor tem um capital grande, uma empresa de valor de mercado alto, provavelmente vai ter uma liquidez maior do que uma small cap.” 

A premissa não é regra, mas são exceções os ativos de alto market cap e baixa liquidez, complementa o especialista da Quantzed. 

E quanto à lista? São boas empresas ou não?

Resolvido o aspecto teórico, hora de ponderar sobre as reais protagonistas do Brasil em valor de mercado. De cara, Sérgio Neto aponta a expressiva quantidade de bancos entre as grandonas da Bolsa. 

Setor dominante do Brasil, os bancos têm vantagens competitivas em termos relativos, como a rentabilidade. Os brasileiros 

Dentro dessa lista aí que você mandou, a gente vê logo muito banco, banco é o setor dominante do brasil, setor que tem vantagens competitivas se comparado ao de outros países. A taxa de rentabilidade dos brasileiros é superior à dos bancos americanos, exemplifica Sérgio. 

O analista da Capitalizo gosta de todos da lista – Itaú, Banco do Brasil e Bradesco –, vendo-os como empresas que, embora grandes, “ainda podem crescer bastante”. Entretanto, vê os ativos como mais adequados para a obtenção de dividendos.

Quanto à Vale e Petrobras, a percepção é de companhias mais consolidadas. “A gente não vê uma taxa de crescimento, pelo menos em produção, tão elevada”, analisa Sérgio. Ambas têm expertise na extração das respectivas commodities de referência, o que configura vantagem competitiva. 

A Vale é uma pagadora de dividendos consagrada, mas Sérgio observa também um certo potencial de crescimento remanescente. Para a Vale, ele estaria na divisão de metais básicos, enquanto o da Petrobras fica na exploração da Margem Equatorial. 

Leonardo Piovesan concorda quase que totalmente com o panorama. Dos ativos bem avaliados acima, ele só retiraria o Bradesco da lista. Apesar do banco ter estruturado uma agenda de melhorias e recuperação, “é um turnaround  que pode demorar mais do que eu imaginava”, avaliou. 

“Não vai ser nesse ano que a gente vai ver resultados, vai ser mais para 2025, então seria uma [ação] que eu não teria hoje.”

Os dois especialistas concordam também quanto a uma empresa entre as maiores da B3: Ambev. A fabricante de bebidas já está bem consolidada, devidamente precificada e não tem mais para onde crescer. 

“O mercado precifica a empresa sempre em múltiplos relativamente elevados”, diz Leonardo. “Eu também não veria no meu portfólio hoje, não vejo uma boa oportunidade de investimentos.”

 

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