A ceia de natal vai ficar mais cara – mas nem tanto assim


A inflação alta ainda é um desafio para o orçamento de muitas famílias brasileiras. Segundo dados divulgados hoje (10) pelo IBGE, a inflação oficial acumula uma alta de 10,74% nos últimos 12 meses. O grande vilão é a gasolina, que acumula uma alta de mais de 50% em 12 meses.

Mas mesmo com tudo custando um pouco mais mais caro, um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), mostrou que o preço de alguns dos principais itens da Ceia de Natal e da lista de presentes dos brasileiros tiveram um aumento sim, mas em menor proporção que o IPCA, acumulando uma alta de 5,39% (IPC-DI/FGV de dez/20 a nov/21). Como comparação, no mesmo período do ano passado, a Inflação do Natal ficou em 13,51%.

O que mais puxou essa inflação foi o aumento dos alimentos, com uma variação média de 7,93% (IPC-DI/FGV de dez/20 a nov/21), apesar de bem menor que no mesmo período do ano anterior (28,61%). Nos últimos 12 meses o frango inteiro, por exemplo, disparou 24,28% e está no topo da lista dos itens que mais pressionam o bolso, seguido de ovos (17,79%), azeitona (15,13%), carnes bovinas (14,72%) e farinha de trigo (13,70%).

Por outro lado, o preço do arroz registrou queda (-8,27%), assim como o do pernil suíno (-1,27%). Leite longa vida (0,81%), cebola (1,87%) e frutas (2,84%) subiram menos. “Os reflexos dos problemas nos custos de produção que sofremos desde o ano passado, com secas, geadas, alta nos preços dos combustíveis e energia elétrica ainda se fazem sentir, sobretudo nas proteínas. O câmbio alto, favorecendo a exportação das carnes, também contribuiu para manter os preços das proteínas em alta. No entanto, é bom ver que o retorno gradual das chuvas já tem normalizado a dinâmica de diversos preços de alimentos como arroz, frutas, hortaliças e legumes”, avaliou Matheus Peçanha, economista do FGV IBRE e responsável pelo levantamento. Não há informações específicas sobre a uva passa.

Amigo secreto mais barato

Quem não antecipou as compras dos presentes de Natal na Black Friday, mas ainda procura algum item para dar, vai precisar desembolsar um pouco mais que em 2020. A média da variação de preços dos presentes mais procurados ficou em 3,39% (IPC-DI/FGV de dez/20 a nov/21) ante o 1,39% do ano anterior e de 1,28% em 2019, 1,71% em 2018 e 1,02% em 2017.

A maior contribuição foi de itens do vestuário (4,80%), seguido de acessórios (2,57%), recreação e cultura (2,13%) e eletrodomésticos e eletrônicos (1,73%). O pesquisador alerta, no entanto, que os produtos que mais variaram também são os de menor valor. Dessa forma, com renda deprimida, desemprego e incerteza elevados e juros altos, ainda vale ter cautela ao gastar.

“Estamos num momento de retorno gradual, ainda que a variante ômicron já esteja no radar, e é natural ver o movimento da população de realizar um consumo que foi frustrado nessa mesma época do ano passado, mesmo com um cenário de emprego e renda não convidativos. Então é importante ter cautela, planejar bem seu consumo e usar o crédito de modo responsável”, analisou.

Peçanha acrescenta que para economizar é fundamental pesquisar muito sempre. “Hoje a tecnologia facilita muito isso, com buscadores de ofertas. Vale aproveitar descontos e, de repente, juntar com familiares, amigos ou vizinhos pra fazer compras em quantidade e ganhar desconto no atacado (aproveitando a moda dos atacarejos)”.

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