A formiga e a cigarra no mundo do patrimônio e investimentos (parte II)

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DISCLAIMER: o texto a seguir trata apenas da opinião do autor e não necessariamente reflete a opinião institucional da Nomos Investimentos ou do TradeNews.

No primeiro texto, falei sobre o poder da formiga (que é metódica e trabalhadora), que, no mercado financeiro, comparei a alguém que tem a capacidade e disciplina de poupança. Conclui o texto dizendo que para quem não tem nada, esse é o caminho para começar a construir patrimônio.

No presente texto, discorrerei sobre o poder da cigarra, que é mais “leve” na ética do trabalho e prefere, de acordo com a fábula, “curtir a vida”. Mas aqui, no mundo financeiro, estou chamando de poder da cigarra a capacidade de investir melhor e com isso, fazer seu dinheiro trabalhar por você em vez de você mesmo trabalhar. Enfim, é uma metáfora usando a conhecida parábola para falar de uma habilidade que pode fazer muito sentido para você.

Para isso, simularei o que uma taxa maior de rentabilidade nos seus investimentos pode fazer por você.

Primeiro, uma melhor capacidade de investir passa por conhecer os ativos existentes e as possibilidades que temos ao investir em cada um deles. Quero quebrar esse texto em duas partes: investir só em renda fixa (RF) e investir conjuntamente em RF e renda variável (RV). Faço essa distinção porque somos um país de altas taxas de juros, um país de rentistas. Essa característica não vem dos rentistas, de seu lobby e influência, até porque os rentistas, numericamente, são poucos.

Por que somos um país de rentistas?

Como uma democracia, cada voto tem o mesmo peso – com isso, afirmo sem medo de errar que somos um país de altas taxas de juros porque somos incapazes de exigir de nossos líderes políticos a condução de políticas econômicas que visem ao real desenvolvimento econômico e não a populismos. Precisamos fazer o que funciona, e que já foi aplicado em outros lugares, que é ter um país que tenha:

– Previsibilidade econômica – controle fiscal é o básico. Em raros momentos tivemos governantes que cuidaram de forma séria de nosso orçamento público. Somos mal gastadores crônicos do dinheiro público;

– Regra da lei – segurança jurídica. Nosso congresso e nossos juízes não aprenderam ainda a lição de que um país sem regra da lei estável não é um país sério, que mereça receber investimentos de longo prazo;

– Educação básica de qualidade – formação de mão-de-obra para os setores econômicos que mais importam, onde a oferta de habilidades de trabalho esteja alinhada com as tendencias do que o mercado de trabalho efetivamente demanda.

Enquanto não tivermos essas questões básicas resolvidas, seremos um país que não é sério e nem “investível”. Com isso, não atraímos capital externo e perderemos oportunidade atrás de oportunidade.

E o que isso me importa?

Se é verdade que assim somos, você precisa aprender a aproveitar o melhor da renda fixa, porque as taxas são altas e continuarão a sê-lo enquanto não mudarmos como sociedade. Posto isso, segue abaixo uma visão dos principais índices de renda fixa:

Rentabilidade dos principais índices de RF no Brasil desde 2012.

Usei a alteração das regras da caderneta de poupança, de maio de 2012, como início desse gráfico para poder comparar as principais classes de ativos, em base líquida de imposto de renda.

Começando pelo básico do básico, um exemplo banal, o ato de trocar investimentos na caderneta de poupança pelo tesouro Selic (que rende 100% do CDI), deixaria o investidor numa situação muito melhor. Após 12 anos, o primeiro teria R$ 2,02 milhoes e o segundo R$ 2,56 milhões, mais de R$ 541 mil de diferença. Esse é o poder da cigarra. Conhecimento em investimentos.

“Mas, Rodrigo, quem hoje ainda investe em caderneta de poupança?”

Infelizmente gostaria que essa pergunta mostrasse que minha observação é irrelevante, mas fato é que temos ainda, tomando por base março de 2024, um saldo em caderneta de poupança (a bagatela) de R$ 975,8 bilhões – ou praticamente R$ 1 trilhão. É muito dinheiro, gente.

Podem argumentar que muitos têm a velha poupança em valores pequenos para coisas do dia-a-dia, o que é perfeitamente entendível e correto de se fazer. E isso é verdade, mas ainda encontro com alta frequência investidores que têm valores expressivos na caderneta de poupança – um investimento sofrível, que demonstra a clara falta do poder da cigarra!

Certo é que conhecer sobre investimento e investir bem pode levar uma vida inteira para acontecer, mas aprender o básico não é difícil e literalmente está ao alcance de qualquer pessoa. Cognição ou educação mínima necessários? Ter sido capaz de se formar no ensino médio já é suficiente. Essa afirmação não é minha opinião, mas é a exigência de capacidade da ANCORD para alguém que queira se tornar um assessor de investimentos (ensino médio + passar na prova da ANCORD).

Depois de ajustar seu pós-fixado (pelo menos saindo da poupança e migrando para o Tesouro Direto), você, ao estudar o mercado, perceberá que tem mais duas oportunidades: aprender sobre:

– Risco de crédito – comprar um CDB, uma debênture, um CRA, CRI, LCA, LCI – e aproveitar mais retorno de seus investimentos;

– Outros indexadores – nem só de pós-fixado vive o investidor brasileiro; mas de prefixados, e atrelados a inflação.

Quanto aos outros indexadores, os prêmios embutidos (valor de rentabilidade a mais que uma referência básica de investimento, no caso a Selic, ou 100% do CDI) nos instrumentos de renda fixa são generosos. Veja, por exemplo, no gráfico, o desempenho do IMA-B, cesta de títulos públicos indexados à inflação (IPCA), que são as NTN-Bs. A vantagem em relação a caderneta de poupança sobe para R$ 829 mil no período do gráfico acima. Poder da cigarra!

A linha mais vencedora na figura 1 é a do IPCA+5%, ou seja, uma taxa de 5% de juros além da inflação. Apesar de flutuar um pouquinho, o prêmio faz esse investimento ser atrativo. Traduzindo: faz todo sentido do mundo, sendo investidor no Brasil, carregar uma fatia generosa de ativos atrelados a inflação.

Quer um “bizu”, uma dica, uma “recomendação” do que fazer nesse momento? Veja que estamos com oportunidade de investir a taxas altíssimas, maiores que IPCA + 6%. Se IPCA + 5% no gráfico acima já é matador, imagine ter +1% todo santo ano? Se dúvida disso, então leia meu artigo sobre as maravilhas que o IPCA+6% faz por você.

O passo 3 é aprender a misturar um pouco de cada tipo de ativo de renda fixa, de acordo com seu perfil de risco e objetivos. Mesmo sendo conservador, você consegue fazer um portfolio que rode a 110%, 120% do CDI. Poder da cigarra!

O poder da cigarra ao longo de uma vida é sensacional e faz muita diferença. Quando mais patrimônio se tem, tanto mais relevante é aprender a investir.

Se o poder da formiga é importante logo de início, o da cigarra torna-se importante ao longo do tempo e pode ao final de uma vida, gerar mais que o poder da formiga. O poder da cigarra sozinho, sem patrimônio, é de pouca valia – a não ser que você queira usar esse poder para ajudar outros a investirem melhor. Aí você adentrará a minha seara: ser um assessor financeiro. Se quiser, seja bem-vindo! Carreira linda!

Mas voltando ao público mais amplo, estamos apenas na renda fixa! Nem chegamos a falar de renda variável. E nem de outras estruturas (previdência e vantagens tributárias, seguro e proteção patrimonial, etc…) que visam otimizar seu ganho patrimonial.

 

Escreverei a parte 3 – o poder da cigarra na versão RV – em breve… aguardem!

 

Bons investimentos!

 

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