A reunião bomba do Banco Central

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado

DISCLAIMER: o texto a seguir trata apenas da opinião do autor e não necessariamente reflete a opinião institucional da Nomos Investimentos ou do TradeNews.

O mundo inteiro está olhando para o Brasil agora. Nos bastidores do mercado, gestores e operadores roem as unhas e acompanham toda movimentação em torno do Banco Central com apreensão e nervosismo.

Hoje (21) o Copom inicia uma de suas reuniões mais importantes dos últimos tempos. Muito mais do que a decisão sobre a taxa de juros, o que está em jogo é a independência da instituição, a reputação de seu presidente e a credibilidade do Brasil perante o mundo.

Campos Neto fez uma carreira brilhante no mercado financeiro, é reconhecido mundialmente como um dos melhores banqueiros centrais do planeta, e é neto do ícone do liberalismo no Brasil Roberto Campos, que dentre outras contribuições para o país, foi um dos idealizadores do próprio Banco Central, que agora está sob comando de seu neto.

Campos Neto tem uma reputação a zelar, um legado a honrar e, seja qual for o resultado dessa reunião, será histórico.

A principal missão do Banco Central é controlar a inflação, ele faz isso basicamente controlando a circulação de dinheiro na economia e uma das ferramentas mais eficazes para isso é o controle das taxas de juros.

Quando o BC aumenta a meta da SELIC, os juros sobem e as pessoas e empresas tendem a preferir investir o dinheiro para aproveitar os juros mais altos em vez de gastá-lo. Isso desacelera a economia e freia a alta de preços.

É um remédio bem amargo, ninguém em sã consciência gosta de juros altos, mas ainda é melhor do que deixar o país entrar em uma espiral inflacionária como a de nossos vizinhos argentinos e venezuelanos, que estão empobrecendo em velocidade assustadora.

A inflação alta é muito pior do que os juros altos e é pior ainda para os mais pobres. O motivo é simples:

Os mais ricos vivem com menos do que ganham e investem a renda excedente, protegendo seu capital da inflação e mantendo seu poder de compra e padrão de vida ao longo do tempo, transferindo riqueza entre as gerações.

Por outro lado, os mais pobres gastam tudo o que ganham para sobreviver e no mês seguinte o salário sempre compra menos coisas do que no mês anterior, perpetuando sua pobreza pelas próximas gerações.

Portanto, para que houvesse a tão falada justiça social, redução das desigualdades e melhor distribuição de renda, seria imprescindível que este sistema perverso que perpetua a pobreza através das gerações, que é a inflação, fosse parado imediatamente!

Mas, isso não vai acontecer, pois, além do pobre não ter consciência plena desse processo, o governo se beneficia diretamente dele, uma vez que impedir a ascensão social dos mais pobres é justamente o que garante uma base de eleitores nas condições sociais e econômicas ideais para que a propaganda petista faça todo sentido e, sem isso, o partido desaparece.

Até agora, após mais de 90 dias depois da posse, o atual governo NÃO tem um plano econômico ou de nação e parece estar focado apenas em gerar essa ILUSÃO DE CRESCIMENTO perpetuadora de pobreza para se manter no poder.

Exatamente como fez antes!

Quem acompanhou os primeiros governos petistas pode até pensar que o Brasil estava melhor ou mais rico, pois a economia parecia estar mais aquecida, porém, esse aquecimento foi totalmente ilusório, com o governo injetando crédito na economia com juros artificialmente mais baratos, gerando um prejuízo sem igual aos cofres públicos, e cobrindo o rombo com mais dívida, empurrando o problema para frente.

Felizmente, no governo Dilma, tivemos a explosão dessa bomba plantada na era Lula e pudemos corrigir os rumos, ainda que por um instante.

As declarações de Lula hoje são uma balde de água fria em quem ainda tinha alguma esperança de que este seria um governo responsável e que realmente se importaria com os mais pobres.

Vamos às declarações:

▪️ Não está fácil fazer economia crescer, mas faremos o que deve ser feito

▪️ Brasil precisa distribuir ‘muito crédito’

▪️ Acho absurdo taxa de juros em 13,75%

▪️ Vou continuar brigando e lutando por corte de juros

▪️ Presidente do BC não tem compromisso com crescimento do emprego

No dia da reunião do COPOM, Lula ataca Campos Neto e fala abertamente que pretende promover o “crescimento econômico” injetando “muito crédito” na economia e baixando os juros na marra!

Nada de novo sob o sol!

Muito crédito = bancos lucrando muito = pobres consumindo todo o capital sem investir = ricos ficando mais ricos = pobres ficando mais pobres = mais eleitores.

Está claríssimo pelas declarações do presidente que entramos oficialmente na era Dilma 3!

A menos que Campos Neto realmente esteja disposto a se sacrificar em defesa do Brasil e dos mais pobres, mesmo que isso lhe custe muito, e é por isso que a reunião de hoje é tão importante!

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