Ah, Petrobras. Mais uma vez, vai ser destruída?!

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DISCLAIMER: o texto a seguir trata apenas da opinião do autor e não necessariamente reflete a opinião institucional da Nomos Investimentos ou do TradeNews.

Recordar é viver, diz o ditado. Segue um gráfico abaixo dos preços da ação PETR4, a ação preferencial da Petrobras que tem mais liquidez.

Quando se olha um gráfico de ações na visão logarítmica, para empresas boas e saudáveis, deveríamos ter, em gráficos de diversos anos (longo prazo), uma crescente quase linear nos preços.

A angulação da ação reflete seu retorno (ROE) sobre equity e seu crescimento de maneira grosseira. E a volatilidade está contida em bandas bem definidas, com poucos momentos saindo desse intervalo (crises ou momentos de euforia).

Preços da Petrobras desde 1995, em escala logarítmica.

Acontece que o gráfico tem 3 períodos:

Primeiro – até o pós-crise de 2008-09: período crescente;

Segundo – de 2010 a 2016 (até o impeachment de Dilma): período claramente decrescente a despeito dos preços do petróleo em alta – mais sobre isso a frente;

Terceiro – do impeachment de Dilma até hoje: período crescente de novo.

Algo aconteceu no período Dilma que trouxe a derrocada aos preços papel. Mas o que foi?

Podemos ficar tentados a lembrar do Petrolão e da corrupção, ma,s como a própria matéria do O Globo elucida, o que arrebentou com os preços das ações da Petrobras foi a política a época de segurar a defasagem de preços do petróleo em alta.

Isso ocorreu porque Dilma lutava contra a inflação e não queria usar os remédios que funcionavam (juros) e preferiu segurar “no braço” (da Petrobras) parte dessa inflação.

O resultado? Essa manobra custou em torno de R$ 71,2 bilhões aos cofres da empresa, mais de 11x o valor (R$ 6,2 bi) da corrupção, segundo a própria matéria.

Segue abaixo um gráfico da correlação entre as variações diárias dos preços do petróleo (BRENT) vs. o preço da PETR4, ambos cotados em USD.

Percebe-se que o normal é a maior parte do tempo, a correlação ser positiva e mais alta. No período citado na matéria acima e hachurado em vermelho abaixo (entre 2011 e 2014), os preços do petróleo BRENT estavam em alta.

E a correlação “quebrou” (segundo quadrado vermelho), ou seja, enquanto os preços do petróleo permaneciam altos, a ação só derretia, pois intencionalmente, os preços globais não eram aproveitados pela Petrobras, às custas de seus acionistas.

Gráfico dos preços da PETR4 e do BRENT, ambos em USD, e a correlação de 1 ano entre as rentabilidades diárias.

Perceba que a correlação de 1 ano só baixa em 3 períodos:

– Crise de 2008-09, quando os ativos todos vieram abaixo e muita pressão de venda desorganizou todo o mercado financeiro;

Período Dilma de represamento de preços – 2012-15. A correlação do gráfico é de 1 ano, por isso, exatamente após o período de 2011-14, quando a intervenção Dilmesca ocorreu;

Pós-greve dos caminhoneiros (21 de maio – 1º de junho de 2018), dada a relevância dos caminhoneiros para a economia brasileira (60-70% dos modais de transporte passam pelas estradas), quando levou um ano para a correlação voltar ao normal (natural na correlação de 1 ano…).

E, agora, o governo vem novamente implementar suas estratégias brilhantes de tornar o “petróleo e seus derivados mais acessíveis”, deixando de usar o preço internacional como referência. 

“Vai dar certo, confia”!!! <ironia explícita>

É triste senhores, tragédia anunciada. Short estrutural no papel.

 

Bons investimentos (em outros papéis)! 

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