Além de investir, é importante reinvestir

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Muito se fala na importância de investir. Ainda mais importante, talvez, seja reforçar o papel do reinvestimento. Para quem procura obter a famosa e desejada “renda passiva”, o reinvestimento dos dividendos tem o poder de amplificar o efeito dos “juros sobre juros”. Ou melhor, dos “dividendos sobre dividendos”.

Vamos a um exemplo prático. A Petrobras, após alguns anos de agonia provocada pelos escândalos de corrupção e a necessária reestruturação, voltou a ser forte geradora de caixa, o que possibilitou o retorno das distribuições de dividendos aos acionistas. Não vou entrar aqui no mérito da função social ou não da empresa ou qualquer discussão sobre a política de preços da Petrobras, que permite o repasse do aumento da commodity e é um dos fatores para a forte geração de caixa. Aliás, a empresa informou recentemente a distribuição de dividendos no valor de R$ 6,73 por ação (20,8% de dividend yield sobre PETR4).

A partir de 2018, a Petrobras distribuiu o equivalente líquido a R$ 13,67 por ação PN, sem contar o último anúncio citado acima. Ou seja, totalizará mais de R$ 20 por ação em dividendos ou JCPs. Abaixo, mostro todas as distribuições relativas aos cinco últimos anos, com as respectivas datas de direitos e pagamento, além dos valores.

A partir destas informações, fiz uma simulação de três cenários, partindo da compra de 1.000 PETR4 em 21 de maio de 2018:

1- Recebimento dos dividendos e utilização para consumo;

2- Recebimento dos dividendos e investimento em aplicação de renda fixa que rende 100% do CDI;

3- Recebimento dos dividendos e compra de novas ações da Petrobras.

Para efeitos de demonstração, adotei o preço de compra como a cotação de fechamento do dia do pagamento do dividendo.

No “Cenário 1”, o investidor não fez o reinvestimento, manteve as 1.000 ações e gastou os dividendos recebidos, que foram R$ 13.672. Em 28 de julho de 2022, o valor dessas 1.000 PETR4 equivaleria a R$ 32.290.

O “Cenário 2” supôs o investimento de cada dividendo recebido em uma aplicação que rende 100% do CDI, mantendo a posição de 1.000 PETR4 durante todo o período. Em 28 de julho de 2022, o valor de mercado das ações era de R$ 32.290, assim como no “Cenário 1”, mas este investidor tinha R$ 14.892 em uma aplicação de renda fixa, totalizando um patrimônio de R$ 47.182.

No “Cenário 3”, o investidor comprou novas ações a cada recebimento de dividendos. Por exemplo, em 29 de maio de 2018, recebeu R$ 42,50, que possibilitava a compra de 2 ações preferenciais da petrolífera. Novamente, em 23 de julho 2018, este mesmo investidor recebeu R$ 42,58, referente às 1.002 ações PETR4 que possuía. Observe que este total é resultado das 1.000 ações iniciais, mais a compra das 2 ações do reinvestimento ocorrido em 29/ de maio de 2018. Esse processo se repetiu por mais 12 vezes desde então. A cada recebimento de dividendos, na data do pagamento, foram feitas novas compras de ações.

Na última “data-com”, em 23 de maio de 2022, este investidor detinha 1.387 ações, tendo o direito de receber R$ 3,65 por ação em duas parcelas, nos dias 20 de junho e julho, quando comprou mais 72 e 17 ações, respectivamente. Assim, atingiu as atuais 1.565 ações, que tinham um valor de mercado de R$ 50.534 em 28 de julho de 2022.

Os dividendos recebidos totalizaram R$ 14.048 no “Cenário 3”, montante superior aos outros dois cenários, uma vez que o investidor passou a possuir mais ações. Este efeito fica mais evidente nesta última distribuição anunciada pela Petrobras. Quem seguiu com as mil ações e as mantiver na próxima “data-com” (11 de agosto 2022) terá o direito de receber R$ 6.731 em dividendos. Para quem foi reaplicando os dividendos em mais ações, as 1.565 PETR4 darão direito ao recebimento de R$ 10.534.

O gráfico abaixo resume toda a evolução patrimonial deste investimento inicial de 1.000 ações, que em 21 de dezembro de 2018 equivalia a R$ 25.050. Hoje este investidor teria 1.565 PETR4, que valem mais de R$ 50.534.

O importante, agora que ficou mais clara a importância de investir e reinvestir, é começar. O cenário base da XP, inclusive, é que a Petrobras distribua em dividendos, entre 2022 e 2026, aproximadamente 100% do seu valor de mercado.

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