Alta dos juros, bolsa estagnada e Trump no comando: e agora?

bolsa de valores valotil
por Rodrigo Correa

 

Desde a posse de Donald Trump em 2025, os mercados financeiros globais têm vivido um período de intensa volatilidade. Políticas protecionistas, tensões comerciais e mudanças na abordagem fiscal dos EUA têm impactado diversos setores, trazendo desafios e oportunidades para investidores brasileiros.

Visão Global

Os mercados internacionais sofreram fortes oscilações com o novo governo dos EUA. Wall Street registrou seu pior início de ano desde a crise financeira de 2008, com perdas acumuladas de trilhões de dólares, especialmente entre as gigantes de tecnologia. O dólar americano enfraqueceu devido às incertezas comerciais e às mudanças de política econômica.

Por outro lado, a China tem redirecionado sua demanda por commodities para outros mercados, beneficiando o agronegócio brasileiro. A soja e o algodão brasileiros, por exemplo, ganharam espaço nas exportações, reduzindo a dependência chinesa dos produtos americanos.

Para investidores brasileiros que buscam oportunidades no exterior, as altas taxas de juros em dólares seguem atraentes. Elas devem permanecer elevadas enquanto a incerteza em relação às tarifas comerciais persistir. No mercado acionário, é importante observar a atual composição do S&P 500: as chamadas “Big Techs” (Apple, Microsoft, Amazon, Nvidia, Meta, Tesla e Alphabet) representam aproximadamente um terço do índice. Isso significa que o desempenho dessas empresas tem um peso desproporcional, o que pode aumentar a volatilidade e o risco para quem investe no S&P 500 tradicional.

Uma alternativa é o S&P 500 Equal Weight Index, que atribui o mesmo peso a todas as 500 empresas do índice. Isso reduz a dependência do desempenho das Big Techs e pode oferecer uma exposição mais equilibrada ao mercado americano, evitando os riscos dos valuations mais esticados dessas gigantes.

O ouro também merece destaque no atual cenário. Com o aumento dos riscos geopolíticos globais, o metal precioso tem se valorizado significativamente, registrando uma alta de aproximadamente 14% no acumulado do ano (YTD), em dólares americanos. Além de ser um ativo historicamente utilizado como proteção contra crises, o ouro desempenha um papel estratégico em carteiras bem diversificadas. Alocações entre 3% e 8% do portfólio ajudam a reduzir a volatilidade e oferecem uma proteção natural contra a inflação e a desvalorização de moedas fiduciárias.

Visão Local

No Brasil, o cenário é claro: com as altas taxas de juros, a renda fixa é o investimento do ano. O Banco Central segue pressionado pela inflação e, como é independente, tem mantido uma postura firme. Com isso, os juros devem permanecer altos por todo 2025, e, caso o quadro fiscal continue a se deteriorar, podemos ver esse cenário se estendendo para 2026.

Investidores devem priorizar títulos pós-fixados, que acompanham as variações da Selic e capturam o atual patamar elevado dos juros. Enquanto isso, a renda variável deve sofrer: juros altos são veneno para a bolsa e para fundos imobiliários, pois aumentam o custo de capital e tornam a renda fixa mais atrativa, reduzindo a demanda por esses ativos. A bolsa brasileira está barata há tempos, mas falta um gatilho para sua valorização. Um potencial gatilho discutido entre analistas é uma possível troca de governo em 2026, que seja mais amigável aos ativos e mercados financeiros. Já os FIIs possuem uma relação quase matemática com o nível de juros, e para que apresentem recuperação, seria necessário enxergar uma possibilidade concreta de queda nas taxas. No entanto, esse cenário ainda não está no horizonte de ninguém no momento.

Estratégia de Diversificação

Um dos erros mais comuns entre investidores brasileiros é a baixa exposição a ativos globais. Historicamente, o investidor brasileiro concentra a maior parte de seu patrimônio no mercado doméstico, ignorando oportunidades internacionais.

O momento atual reforça a importância de uma carteira diversificada entre ativos locais e globais. No Brasil, a renda fixa se destaca como a melhor opção. No exterior, a busca por ativos menos dependentes das Big Techs pode trazer maior estabilidade.

Ajustar sua alocação de investimentos para capturar as melhores oportunidades, tanto no Brasil quanto lá fora, é essencial para atravessar esse período de incerteza com segurança e eficácia.

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Bons investimentos!

O texto trata apenas da opinião do autor e não necessariamente reflete a opinião institucional da Nomos Investimentos ou do TradeNews.

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