Ambev (ABEV3) prefere manter guidance, apesar de alta da receita e recuo dos preços das commodities

Ambev (ABEV3) prefere manter guidance, apesar de alta da receita e recuo dos preços das commodities

A Ambev (ABEV3) viu parte do seu resultado pressionado no primeiro semestre de 2022 pela alta dos insumos que utiliza em sua produção. Mesmo assim, a companhia vem conseguindo, majoritariamente, entregar o guidance de crescimento prometido no começo do ano, ficando além do esperado – mas prefere manter as expectativas do jeito que estão.

Em guidance divulgado no começo do ano, a cervejaria definiu como meta ver seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) avançando mais do que 10,9% no ano. No primeiro trimestre, esse número cresceu 3,7% na base anual, no segundo, 17,6%.

Agora, a queda das commodities pode abrir mais espaço para uma margem de lucratividade. Com isso, e mesmo tendo sustentado bons resultados em um cenário mais difícil, no entanto, a Ambev prefere não aumentar suas projeções.

“Com toda a franqueza, é difícil especular como o aumento de receita e como a queda dos gastos com commodities irão impactar o retorno de capital investido no futuro”, disse Lucas Machado Lira, diretor financeiro (CFO) da Ambev, em teleconferência realizada na última quinta-feira (28) após divulgar resultados do segundo trimestre de 2022. “Podemos usar como base para essa afirmação o que vimos no primeiro trimestre, onde tínhamos um cenário totalmente diferente do atual. Prometer melhores retornos no segundo semestre seria especulação”.

A pressão dos custos no primeiro semestre vieram, segundo o executivo, principalmente pela da alta dos preços das commodities, com a guerra na Ucrânia – importante produtor de grãos. “Tivemos gastos elevados principalmente com alumínio e cevada, que foram, no entanto, compensados pela melhora do mix de produtos da companhia e pelo consumo fora de casa”, comentou.

Segundo Lira, a Ambev pretende continuar aumentando sua receita, com foco no volume e também nos ganhos por hectolitro, e seguir disciplinada em fazer hedges para minimizar as oscilações de preços dos insumos.

“Temos focado em melhorar a rentabilidade de capital, investindo no lado de custos e de despesas, assim como melhorando a alocação de recurso nossos negócios. Além disso, estamos buscando digitalizar e monetizar nossos ativos. As plataformas BEES (B2B) e Zé Delivery (B2C) estão nos estágios iniciais, mas já impulsionando nossos resultados”, explicou o CFO.

As despesas financeiras, por conta dos hedges, aumentaram em quase R$ 200 milhões no segundo trimestre na base anual – e é previsto que elas continuem em patamares próximos. Gastos com carrego e com juros também pesaram nesta frente.

No segundo trimestre, ainda do lado dos custos, a Ambev projeta um aumento das despesas com marketing e venda, por conta, principalmente, da Copa do Mundo.

“Estamos estudando o que podemos fazer nesta Copa que irá nos dar uma condição melhor em 2023. Perguntamos para agências, consultores, funcionários. Montamos um plano para solucionar problemas e, em parte, nosso foco será utilizar a janela, principalmente, para conquistar usuários, principalmente no Zé Delivery, estruturar marcas e plataformas”, falou Jean Jereissati, diretor executivo (CEO) da Ambev.

O evento, no entanto, faz a Ambev se posicionar de maneira mais otimista. “No segundo semestre, temos confiança de que os resultados serão melhores do que no primeiro. Entregamos lucro líquido aumentando, bem como o Ebitda, neste balanço. Isso faz a gente acreditar que conseguiremos melhorar”, comentou Lira. “Estamos muito animados com a Copa, que será na entrada do verão, o que nunca aconteceu. Temos mais uma ocasião grande de consumo e já estamos nos preparando”.

A companhia vê ainda alguma folga, nas despesas administrativas, por conta da queda na base anual dos gastos com bônus aos funcionários, uma vez que em 2021 houve o pagamento também daquilo que foi postergado em 2020, por conta da pandemia.

“O que podemos prometer é a disciplina, o que permanece intacto, e também vamos buscar aumento de receita, como estamos sempre fazendo e o que acaba também ajudando nossas margens. Esse crescimento permanece sendo nossa prioridade”, defendeu o CFO. “Sonhar com o Ebitda crescendo acima de 10,9% nos parece ainda um bom desafio. Essa foi a nossa lógica, mesmo com trimestres desafiadores na base comparativa”.

Na frente de estratégias de preço, a Ambev prefere também não definir planos. “É difícil afirmar algo nesta frente por conta da concorrência, não cometemos sobre política de preço. Porém, a gente tem procurado trabalhar com uma política de preço mais flexível, olhando para o consumidor e queremos queremos proteger o máximo possível o consumidor”, explicou o CFO.

 

(InfoMoney)

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