Ao investir, não se autossabote!

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Hoje, quero falar de um comportamento bem noticiado e estudado: o do investidor médio que se autossabota. O ato de investir é parte racional e parte emocional, sendo a parte emocional, na minha experiência, dominante. E, quanto menos se conhece os mercados, maior a parte emocional acaba tendo dominância no processo de investimentos. Isso traz consequências negativas (resultados muito menores que se poderia obter). Quero partilhar aqui esse viés porque só a educação consegue melhorar o investidor, e consequentemente, seus retornos.

Os sentimentos que dominam os investidores são o medo e a ganância. Mercados de alta são cheios de investidores que surfam na sua ganância, enquanto mercados de baixa são dominados pelo medo das perdas. Até aqui nenhuma novidade. O primeiro problema é que os sentimentos nos fazem menos racionais aos fatos da vida e a nossa capacidade de avaliar nosso redor de forma objetiva. Além disso, já ouvi de diversos especialistas que o medo tende a dominar qualquer outro sentimento, caso não bem tratado e enquadrado em nossas vidas. E nos mercados financeiros, o medo de perdas faz com que os investidores ajam de maneiras pouco racionais e muitas vezes, pouco producentes.

Em nossa mesa de renda variável, estamos acostumados com investidores fugindo dos mercados em momentos de queda e querendo entrar quando os mercados estão em alta. Já até fiz um vídeo sobre esse comportamento. Consigo ver Cazuza cantando “Eu vejo o futuro repetir o passado, Eu vejo um museu de grandes novidades, O tempo não para” – assim, esses investidores pensam que as tendências do passado recente irão se repetir, se perpetuar indefinidamente na direção que tiveram até aquele momento. As pessoas esquecem, ignoram, ou simplesmente não sabem (ou contam com o fato de) que a maioria dos mercados e muitos ativos têm características de retorno às médias históricas. No mercado de ações, isso é uma verdade, e múltiplos muito altos tendem a seguir múltiplos cadentes rumo à média histórica, assim como múltiplos muito baixos apresentam o movimento inverso, de retorno à média. Nesse sentido, comprar em mercados de baixa e vender (ao menos em parte da exposição) em mercados de alta deveria ser o ideal.

Mas esse comportamento não se encontra apenas no mercado de renda variável: tomo o exemplo dos fundos de investimentos. Nos EUA, um dos considerados maiores gestores de fundos de investimentos, Peter Lynch, que geriu entre 1977 e 1990 o Fidelity Magellan Fund, conseguiu a proeza de entregar 29% ao ano nesse período. Por ser um fundo com muitas ações, naturalmente tinha volatilidade em suas cotas. E, de acordo com a gestora Fidelity Investimentos, a média dos investidores conseguiu perder dinheiro nesse fundo, através de comprar mais após fortes altas e vender após períodos de baixa. Dá para acreditar? O investidor médio conseguiu perder dinheiro em um dos mais lendários fundos que já existiu.

Deixo três recomendações para se evitar essa autossabotagem.

Primeiro, se for delegar seu dinheiro para terceiros (gestores de recursos profissionais) gerirem, confie neles e deixe que eles façam seu trabalho. Uma das piores coisas que se pode fazer com o próprio dinheiro é entrar em um fundo de investimento e, ao começo do aumento de volatilidade, querer sair desse mercado. E, estando fora, ao olhar para o mercado em alta, querer voltar. Foi isso que o investidor médio fez com o fundo Fidelity Magelan e conseguiu ter um timing horrível, perdendo dinheiro. Para evitar esse comportamento, considere, ao investir em boas gestoras, deixar seu dinheiro em fundos multimercados por ao menos 3 anos e, em fundos de ação, ao menos 5 anos. Esse tempo é o mínimo ideal para que os gestores possam fazer suas estratégias rodarem e, assim, entregarem os retornos que prometeram. Caso contrário, o investidor ficará preso na miopia dos altos e baixos dos mercados.

Segundo, lembre-se que o melhor é comprar quando os mercados estão horrorosos e a única coisa que sente é querer fugir desses mercados (e vender ou diminuir a exposição em mercados de alta – onde tudo é lindo). É muito fácil provar que comprar a preços baixos e sair a preços altos é a melhor estratégia possível. Mas, no dia-a-dia, é necessário lembrar-se que preços baixos sempre vêm com um gosto amargo na boca, principalmente se você participou da queda nos mercados. Comprar mais quando já se perdeu bastante pode ser, para muitos, um exercício de fé. Mas é exatamente isso que a racionalidade pede. Por isso a dificuldade de implementar tal estratégia – seus sentimentos estão contra você. Mas sabendo disso de antemão, você terá a oportunidade de ter a fé-racional necessária para o sucesso nos mercados.

Terceiro, um investidor só consegue aproveitar baixas nos mercados se gerir sua posição de caixa. Talvez esse seja o melhor conselho, porque manter e carregar uma posição de caixa na carteira te ajuda a estar preparado para as baixas que vierem. Se você é um investidor agressivo, por exemplo, tente manter entre 10 a 30% em caixa (vamos chamar esse intervalo de banda estratégica do caixa). Quanto mais feliz e bombando estiver o mercado, mais você venderá dos seus ativos de risco e manterá em caixa valores crescentes que se aproximarão do limite superior da banda estratégica que adotar para a gestão de sua carteira. Quanto mais deprimido e feio o mercado, mais alocado, e consequentemente menor o caixa, que você deverá ter, chegando próximo ao limite inferior da sua banda estratégica. E idealmente, compre e aumente sua alocação em ativos de risco APÓS a queda do mercado, aproveitando o caixa alto que fez na bonança.

Não sabe como gerir sua posição de caixa? Ou prefere ajuda para isso? Não tem problema. Acesse seu assessor financeiro e peça ajuda! Estamos aqui por você.

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