Apareceu no WSJ: O problema dos bots do Twitter de Elon Musk é fake news

Elon Musk, na foto em uma coletiva de imprensa em 2020, comparou os bots do Twitter a cupins em uma casa. [Foto: John Raoux/Associated Press]

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Com sua pronunciada preocupação com as contas falsas no Twitter, Elon Musk parece estar se agarrando a canudos legais em uma tentativa de voltar atrás no compromisso para comprar a companhia de mídia social por US$ 54,20 por ação, ou no mínimo pagar menos por elas. Mas a jogada lançou luz sobre um verdadeiro tormento das empresas online e seus usuários.

Contar as contas autônomas que imitam pessoas reais é tão escorregadio quando valorar empresas. Um estudo de 2020 por Adrian Rauchfleisch e Jonas Kaiser, analisando milhares de contas do Twitter, incluindo centenas de políticos verificados e bots “óbvios”, descobriu que o Botometer, o algoritmo de aprendizado padrão do setor, treinado para calcular a probabilidade de uma conta ser um bot, produz resultados imprecisos, levando a falsos negativos e falsos positivos.

Talvez mais perturbadoramente, descobertas de uma investigação publicada na revista Science em 2018 que observou cerca de 126 mil reportagens – verdadeiras e falsas – disseminadas no Twitter entre 2006 e 2017 sugerem que humanos são mais propensos a espalharem fake news que os robôs.

Darius Kazemi, um programador de computação que gastou uma década criando e estudando bots, descreve o problema na identificação dos bots como duplo: primeiro, bots são mensurados através de métricas internas tipicamente não disponíveis ao público; segundo, os algoritmos de machine-learning elaborados para identificar bots são informados por meio de julgamentos humanos, que geralmente estão errados.

Isso deve ser no mínimo melhor do que Musk propôs: ele disse na semana passada que sua equipe tentaria averiguar um percentual mais acurado dos bots do Twitter fazendo “uma amostra aleatória de 100 seguidores do @twitter”. Ele convidou seus seguidores a também se engajarem no exercício. Musk recentemente estimou que usuários falsos seriam pelo menos 20% do total de contas do Twitter. Nos arquivos de segurança, o Twitter estima há muito tempo que contas falsas ou se spam representam menos de 5% do número de total de usuários ativos, mas também disse que o número atual “poderia se maior do que temos estimado”.

Quando o CEO do Twitter, Parag Agrawal, tentou demonstrar os desafios com ambas as identificações internas e externas dos bots no Twitter, Musk cortou a discussão com um emoji de cocô. Nem mesmo está claro se uma plataforma com menos bots não sofreria de certa maneira. Musk comparou os bots do Twitter a cupins em uma casa, mas eles também podem fazer o bem: um bot de um jornal que automaticamente posta manchetes todo dia, por exemplo, é claramente um serviço público.

Humanos identificam bots equivocadamente por uma miríade de motivos, de acordo com a pesquisa de Kazemi. Observadores ativos, que passam bastante tempo no Twitter consumindo notícias mas não tuítam com frequência costumam ser identificados como bots, assim como contas de não-falantes de inglês que tenham traduzido erradamente algumas palavras. Fãs ávidos que postam com frequência em uma rápida sucessão podem especialmente parecer bots. E sempre haverá contas polemizadoras de pessoas reais para poderem se envolver anonimamente em comportamentos censuráveis, como assédio. Como autoproclamado absolutista da liberdade de expressão, Elon Musk afirma desejar mais liberdades no Twitter; nesse contexto, ele parece estar brigando por pouco.

Musk tem questionado se anunciantes conseguem saber o que estão recebendo por seu dinheiro sem entender quantas contas realmente pertencem a humanos. É uma preocupação legítima, mas com certeza não uma específica para o Twitter. Kazemi descreveu o Twitter como uma das plataformas mais abertas com dados, tornando possível serem amplamente estudados academicamente em relação a outras plataformas.

“O Twitter está em mau estado”, diz Kazemi. “Isso o coloca no top 10 de todas as plataformas”.

Historicamente, o Twitter não tem medo de parecer ruim para melhorar. Anteriormente, em 2019, as ações do Twitter afundaram depois de a companhia dizer que necessitaria de investimentos mais intensos para limpar a base de usuários. A empresa também disse que estava fazendo a transição da disseminação de usuários mensais para usuários ativos diários monetizáveis, ou aqueles que acreditava que poderiam realmente visualizar anúncios.

Em vez de tentar competir com os likes do Facebook e Instagram em números absolutos, o Twitter apresentou uma baixa estimativa de usuários reais na tentativa de mostrar com mais precisão aos anunciantes seu valor. Mês passado, a empresa revisou publicamente vários trimestres de dados de usuários, reconhecendo que não conseguiu vincular várias contas separadas em alguns casos.

A Meta Platform disse em arquivo anual que contas duplicadas no aplicativo do Facebook representariam cerca de 11% de seus usuários ativos mensais globais no quarto trimestre e contas falsas representavam potencialmente aproximadamente 5% da base mensal global de usuários. Ele chamou contas duplicadas e falsas de “muito difíceis de medir” em sua escala, observando que “é possível que os números reais… possam variar significativamente de nossas estimativas, potencialmente além de nossas margens de erro estimadas”.

O ponto principal: nenhum número de usuário das principais plataformas é útil para qualquer outra coisa além de benchmarks arbitrários usados ​​para comparar a si mesmos.

Na semana passada, no Twitter, Kazemi mostrou a própria conta de Musk no Twitter sendo sinalizada como um bot em potencial pelo Botometer, atribuindo-lhe uma probabilidade de 3,5 de ser um bot, de um potencial de 5.

Kazemi disse que o trabalho em plataformas online tentando obter números precisos de usuários era tão fútil que ele abandonou a carreira. Pelo menos no caso dele, era uma desculpa legítima para se mover.

 

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Versão em português por Isabela Jordão. Baseado no texto originalmente escrito por Laura Forman para o The Wall Street Journal.

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