As consequências da reoneração dos combustíveis para JALL3, RAIZ4 e SMTO3

Após o anúncio de que o Governo Federal irá retomar a cobrança de impostos sobre combustíveis, especificamente gasolina e etanol, investidores repercutiram os termos da reoneração, anunciados ontem pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após o fechamento do mercado. Nesta quarta-feira (01), os papéis de Jalles Machado [JALL3] e Raízen [RAIZ4] fecharam com queda de 3,84% e 1,64%, respectivamente, enquanto São Martinho [SMTO3] avançou 1,32%.

Apesar da queda nos ativos, as empresas mais favorecidas pela mudança são Jalles Machado e São Martinho, devido à forte exposição da receita ao etanol, segundo Júlio Borba, analista do setor sucroalcooleiro da Benndorf Research. Entre as duas, Jalles ainda se destaca, devido às baixas condições de exportação quando comparado à SMTO3 e aos bons volumes de estoque.

Com a retomada da cobrança de impostos a expectativa é que as receitas das corporações do setor cresçam, assim como as margens, dado que o preço baixo nos últimos meses vinha comprimindo a lucratividade das companhias, afirma Borba.

“As novas alíquotas de impostos federais sobre os combustíveis ajudam as empresas do setor sucroalcooleiro, porque a taxação ficou maior para a gasolina do que para o etanol, favorecendo um aumento de preços relativo para o etanol muito maior e trazendo ganhos de competitividade”, explica o analista.

Segundo Haddad, a gasolina terá reoneração de R$ 0,47 por litro, enquanto o etanol terá R$ 0,02. “Não foi exatamente o que era esperado. [O esperado] era voltar 100% dos tributos, mas foi bom. Melhorou a competitividade, a paridade, entre o etanol e a gasolina, o que deve beneficiar a demanda pelo etanol pelo menos nos próximos quatro meses”, afirma Vitor Polli, analista de combustíveis da Levante Corp.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dá entrevista coletiva para detalhar as primeiras medidas econômicas do governo [Foto: Valter Campanato/Agência Brasil]
Apesar de uma mudança relevante na dinâmica do setor, o anúncio do ministro da Fazenda não impactou na recomendação da Levante para os papéis. “A gente continua com compra nas três, a perspectiva é favorável para a safra 2023/2024. Esse era apenas um dos pontos da tese do setor”, comenta o analista. 

Polli menciona ainda o aumento da moagem em 2023 como um fator “muito importante” para o segmento. “Os canaviais foram muito afetados pela seca e pela geada. Afetou bastante a produção das empresas em 2021, e principalmente em 2022. Isso diminuiu bastante a diluição de custos fixos.”

A redução dos preços dos fertilizantes também colabora para a perspectiva positiva da Levante em relação ao setor, pois deve contribuir para uma melhora nas margens. 

Mesmo após a reoneração, a Benndorf segue em compasso de espera para definir o destino de suas recomendações para SMTO3 E RAIZ4. 

“Nós já tínhamos recomendação de compra para a Jalles, devido ao valuation extremamente descontado, enquanto São Martinho e Raízen estamos aguardando definições na política de preços da Petrobras e incorporando novas premissas aos modelos, com possibilidade de darmos upgrade para compra também”, informou Borba.

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