Assaí (ASAI3) acumula alta de quase 8% no mês; é o momento de comprar?

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Após caírem 4,57% em setembro, as ações do Assaí (ASAI3) já acumulam alta de quase 8% em outubro. Em um cenário de inflação elevada, o setor de atacarejo ganha preferência ante outros produtos, por fornecer um bem essencial a um preço mais atrativo, afirma o head de análise fundamentalista da Benndorf, Niels Tahara.

No geral, as companhias do setor apresentaram boa performance nos últimos resultados trimestrais, “demonstrando uma característica mais defensiva dada a natureza do segmento, ao mesmo tempo em que estão em processo de expansão”, complementa Niels.

Por comercializarem um produto básico, mesmo em um momento macroeconômico desafiador, os papéis dessas empresas tendem a continuar em alta. “Você pode deixar de comprar uma televisão, uma máquina de lavar ou um computador, sair menos para comer fora, mas o seu bem essencial, que é o alimento, você vai continuar comprando”, reforça Guilherme Domingues, analista de consumo e varejo da Eleven Financial. “As companhias [do setor] em linhas gerais são beneficiadas em qualquer momento”, completa.

Outro quesito colaborativo para a valorização dos ativos de atacarejo foi o Auxílio Brasil, que impulsionou as vendas, apesar de também ter sido usado para o pagamento de dívidas, como uma forma de recomposição de renda.

Mas esses não são os únicos motivos da alta de Assaí. Afinal, todas as outras empresas do setor vivem o mesmo momento macroeconômico, contudo cada uma é precificada de uma maneira. Para efeito de comparação, neste mês, Grupo Mateus (GMAT3) recua 5,76%, e Carrefour (CRFB3) cai 1,01%. As ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) acumulam ganhos de 1,55%, bem abaixo dos 7,92% de Assaí.

Em relação a ASAI3, a alta se dá, segundo Guilherme, pelas estratégias adotadas para a gestão da empresa, que envolvem fusões, aquisições, parcerias e desenvolvimento tecnológico.

Perfil

O Assaí é uma empresa de capital aberto, formada a partir da cisão com o Pão de Açúcar, e possui cerca de 190 lojas em 22 estados brasileiros, nas quais atende 30 milhões de clientes por mês.

Ano passado, a companhia comprou 71 lojas do Extra, controlada do GPA. As unidades, localizadas em grandes metrópoles, diferem do padrão e acrescentam um diferencial à empresa, aponta Guilherme.

“Quando você olha para o formato de atacarejo, geralmente, como são lojas maiores, elas são focadas em partes mais distantes dos grandes centros”,  explica o analista. Para ele, a operação foi extremamente positiva, dado que a maior parte dos atacadistas estão fora da cidade.

Para Niels, o crescente aumento das vantagens competitivas é um trunfo significativo, à medida que a companhia fica maior, conseguindo assim estar um passo à frente em relação aos custos, “principalmente considerando que ainda é um setor onde muitos dos players são regionais e com gestão familiar”.

Além disso, para a Eleven Financial, a companhia possui o melhor gerenciamento do setor. De acordo com a casa de análises, Belmiro Gomes, CEO do Assaí, tem uma “expertise” única e vem focando nos processos de tecnologia, principalmente relacionados a delivery online.

“O segmento de atacarejo sempre foi muito criticado pelo fato de não oferecer produtos premium e das lojas serem obsoletas. O Assaí vem focando muito em apresentar também produtos premium e oferecer serviço como padarias, que possam trazer mais fluxo para a loja e, consequentemente, mais vendas”, diz o analista de consumo e varejo. “Ela [a empresa] não parou no tempo e vem buscando fazer esses investimentos”.

Como investir no atacarejo

A receita do Assaí teve um bom crescimento de 2019 a 2021, chegando a mais de R$ 40 bilhões no ano passado e entregando boa lucratividade em todos os exercícios. Contudo, Filipe Borges, analista técnico da Benndorf Research, prefere o Grupo Pão de Acúcar (PCAR3) a curto prazo.

O GPA está gerenciando lucro por ação de R$ 7,20, e preço sobre lucro de R$ 2,80. ”Comprar esse desconto é legal quando o valor patrimonial não cai, e isso realmente não acontece aqui, o que é interessante para compras”, afirma. 

Segundo Filipe, Assaí está valorizado no mercado por ter entregue o dobro de lucro do GPA no período, mesmo sendo uma empresa bem menor. Ele ainda menciona um ponto de atenção: a depreciação do patrimônio líquido de 2019 a 2021. Mas afirma que a relação entre ativos e passivos proporcionalmente apresentou melhora em 2021, após a piora de 2020 devido à pandemia. 

“Não vejo com muita qualidade [operar day trade em Assaí], é uma ação que não possui tanta liquidez no intraday e isso pode atrapalhar um pouquinho os movimentos”, afirma Filipe. 

Segundo ele, para curto e longo prazo, conforme o gráfico, há movimentação de compra, com uma formação de pivô de alta no gráfico diário e no gráfico semanal, o que aumenta bastante a probabilidade do ativo buscar a próxima resistência em R$ 19,70. Acima desses pontos, os alvos por projeção de Fibonacci são entre R$ 23 e R$25.

Gráfico de ASAI3 [Fonte: Filipe Borges/TradingView]
A longo prazo, o analista técnico dá prioridade para PCAR3, posicionando ASAI3 como segunda opção de ativos no setor.

Apesar das vantagens competitivas de Assaí, a Benndorf também não acredita ser a melhor opção. A casa prefere ações do Grupo Mateus no segmento de atacarejo, por possuir um foco regional voltado para cidades pequenas, onde o grupo é muito competitivo pela escala e eficiência operacional, além do poder de distribuição.

Já a Eleven considera a empresa como top pick, sendo assim a melhor empresa do setor. Segundo Guilherme, o Grupo Mateus, par direto de Assaí, apesar de ser uma excelente empresa, passa por um momento de mudanças na gestão e abriu market share para continuar vendendo. “A companhia não quis repassar a alta de preços para o consumidor e então perdeu margem”, concluiu.

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