Ata do BCE mostra fortes preocupações com inflação, que “começou a se auto reforçar”

Fonte: Reuters

Dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) parecem cada vez mais preocupados com a possibilidade da alta inflação criar raízes, tornando necessário um aperto agressivo na política monetária do continente, mesmo às custas de um crescimento enfraquecido, indicou a Ata das reuniões de 7 e 8 de setembro, publicada nesta quinta-feira (06).

O BCE elevou as taxas em 0,75 pontos percentuais no mês passado – acima do esperado – e ainda sinalizou novos aumentos devido à rápida inflação. Antes evidente apenas na energia, o inchaço nos preços agora é perceptível em quase tudo, desde serviços a bens duráveis.

Enquanto alguns membros do conselho defenderam um aumento menor, de 0,50 p.p., a maioria apoiou um ajuste mais expressivo e, eventualmente, todos os 25 componentes concordaram com a decisão.

“A inflação começou a se auto reforçar, a ponto de mesmo um enfraquecimento acentuado projetado no crescimento não ser suficiente para trazer a inflação de volta à meta”, afirmou a Ata. “A inflação estava muito alta, e provavelmente permaneceria acima da meta do Conselho do BCE por um longo período.”

Os banqueiros centrais concluíram que uma recessão estava se tornando “cada vez mais provável”, mas que os riscos ainda estavam inclinados para resultados de inflação acima do previsto.

“O enfraquecimento esperado da atividade econômica não seria suficiente para reduzir a inflação de forma significativa e não traria por si só a inflação projetada de volta à meta”, disseram os dirigentes.

Fonte: Reuters

Todos permaneceram relativamente relaxados em relação às expectativas de longo prazo, porém, ressaltaram que elas continuam ancoradas perto da meta de inflação de 2% do banco. Os membros também observaram que o rápido crescimento salarial, uma pré-condição de uma inflação durável, permaneceu majoritariamente ausente.

A inflação na Zona do Euro acelerou para 10% no mês passado, nível nunca visto em alguns países membros do bloco há mais de 70 anos. O conselho já começou a se alinhar por outro aumento de 0,75 p.p na taxa de depósito de 0,75% na reunião do BCE em outubro, um movimento que agora está amplamente precificado.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que a instituição continuará aumentando as taxas pelo menos até atingir o chamado nível neutro, em que o banco não está estimulando nem impedindo o crescimento.

Embora não haja uma estimativa universalmente aceita para a taxa nominal neutra, economistas e banqueiros tendem a colocá-la entre 1,5% e 2%, sugerindo que o BCE pode chegar lá até o final do ano.

Enquanto a inflação continua subindo, o crescimento econômico continua a desacelerar e o bloco monetário já pode estar em recessão, visto que o aumento nos custos de energia está retendo o consumo e desencorajando o investimento.

Isso, por sua vez, deve pesar ainda mais sobre a inflação, mas os dirigentes insistem que mesmo uma recessão não seria suficiente para controlar os preços. Logo, os aumentos das taxas devem continuar, independentemente do que venha a acontecer.

O BCE se reunirá novamente em 27 de outubro.

 

 

(Com Reuters)

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