Apareceu no WSJ: Ataques inexplicados no território russo aumentam perspectivas de conflito mais amplo

Um incêndio irrompeu no mês passado em um depósito de petróleo na região de Bryansk, na Rússia, que faz fronteira com a Ucrânia. [Foto: Natalya Kashtanova/Zuma Press]

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Uma série de ataques dentro do território russo e explosões inexplicadas nos alvos da Rússia próximos à fronteira com a Ucrânia expandiram o alcance do conflito nas últimas semanas, destacando as vulnerabilidades russas em regiões cruciais para a ofensiva renovada de Moscou no leste ucraniano.

Oficiais russos disseram no mês passado que dois helicópteros Mi-24 ucranianos entraram no espaço aéreo russo voando a baixas altitudes para escapar das defesas aéreas e lançaram um ataque com mísseis a um depósito de combustíveis na região russa de Belgorod, uma província situada no extremo oeste do país, a menos de 32 quilômetros da cidade ucraniana de Kharkiv, devastada pela guerra.

Desde então, uma explosão provocou um incêndio em um depósito de munição próximo à cidade de Belgorod, e foram relatadas explosões dentro da cidade. Na semana passada, surgiram incêndios em outros depósitos de combustível, incluindo um em uma base militar russa. Outras explosões danificaram linhas férreas além de Belgorod, nas províncias de Kursk e Bryansk. A Ucrânia negou participação nos incidentes.

O conselheiro presidencial ucraniano, Mykhailo Podolyak, que se recusou a comentar se a Ucrânia teria qualquer envolvimento nas explosões, disse que eles poderiam ter acontecido por retribuição divina após o assassinato de civis ucranianos.

“Pode haver razões totalmente diferentes para a destruição de infraestrutura militar nas províncias da fronteira, incluindo até… intervenção divina”, disse ele.

A Rússia culpou a Ucrânia nesta quinta-feira por bombardeios na Rússia durante trocas de artilharia entre os dois lados na fronteira, mas autoridades russas minimizaram os incidentes maiores nas últimas semanas. O governador regional, Vyachev Gladkov, negou que a cidade de Belgorod tenha sido atacada por ucranianos, dizendo aos moradores que uma série de altas explosões nos últimos dias tenha resultado de operações militares, sem oferecer detalhes.

Mas analistas do Ocidente acreditam que a Ucrânia tentou infraestrutura de trânsito e logística no território russo para atrapalhar o esforço de Moscou em se concentrar no leste da Ucrânia.

A Rússia tentou explicar vários dos recentes incêndios e explosões em suas instalações, enquanto a Ucrânia negou envolvimento. (Foto: Natalya Krutova/Reuters]

“A Ucrânia está procurando operações transfronteiriças e certos alvos que possam atrapalhar o esforço de guerra russo”, disse Rob Lee, membro sênior do Foreign Policy Research Institute, um think tank de política externa com sede na Filadélfia.

Belgorod se tornou um polo estratégico de logística vital para os planos da Rússia de assumir o controle da região de Donbas, no leste ucraniano, e dispor os soldados russos na direção dos centros urbanos de Slovyansk e Kramatorsk, onde o quartel-general para operações da Ucrânia está localizado. Comandantes militares da Ucrânia reportaram no mês passado que a as unidades do distrito militar central da Rússia, do 14º Exército de Defesa Aérea e unidades de mísseis balísticos Iskander-M estão sendo enviadas para Belgorod para eventual deslocamento para o leste da Ucrânia.

“A Rússia quer fazer este conflito sobre Donbas. A Ucrânia que fazer exatamente o oposto, expandir o conflito tanto quanto possível para evitar que a Rússia concentre forças, e operações transfronteiriças são uma forma de fazer isso”, disse Lee.

O Instituto para Estudos da Guerra disse em relatório que as forças ucranianas provavelmente vão continuar a fazer ataques transfronteiriços para prejudicar a logística russa, possivelmente atacando com drones ou mísseis. Mas as novas armas que a Ucrânia vai receber do Ocidente são muito mais poderosas que qualquer uma que ela ou a Rússia tenham atualmente, aumentando a possibilidade de mais ataques no interior do território russo.

Anteriormente no conflito, a Ucrânia provou sua habilidade de atingir alvos dentro da Rússia. Um dia após a Rússia lançar mísseis no início da manhã contra a infraestrutura militar ucraniana em 24 de fevereiro, Kiev supostamente atingiu um dos aeródromos envolvidos na invasão com um ataque de míssil balístico que matou um piloto.

Nem autoridades russas nem ucranianas comentaram sobre o ataque, mas uma academia militar na qual o piloto se formou disse que ele morreu de ferimentos sofridos quando a Ucrânia atingiu a Base Aérea de Millerovo, na província russa de Rostov, em 25 de fevereiro, com um míssil balístico Tochka-U.

Em 15 de abril, o porta-voz do Ministério da Defesa russo, major-general Igor Konashenkov disse que os sistemas de defesa aérea russos abateram um helicóptero ucraniano que havia atirado em alvos na província russa de Bryansk.

Imagens de satélite mostram danos, no canto superior esquerdo e no canto inferior direito, de explosões e incêndios em dois depósitos de petróleo em Bryansk. [Foto: Planet Labs PBC/Associated Press]
O fracasso da Rússia em evitar mais incidentes em depósitos de combustível e ferrovias pode ser resultado do aumento do compartilhamento de inteligência entre o Ocidente e a Ucrânia, disse Lee, incluindo informações sobre onde podem estar as vulnerabilidades da defesa aérea russa ou o uso de guerra eletrônica para comprometer os sistemas russos de defesa aérea.Os ataques à infraestrutura crítica da Rússia aumentaram desde que autoridades ocidentais disseram que o esforço de guerra de Kiev poderia ir além da defesa do país para atingir a própria Rússia.

Um ministro júnior da Defesa do Reino Unido disse no mês passado que seria completamente legítimo se a Ucrânia atacasse linhas logísticas e de abastecimento da Rússia com armas fornecidas pelo Ocidente, marcando uma grande mudança para o Reino Unido, que durante meses forneceu armas com a condição de serem usadas para defender a Ucrânia do ataque russo.

O Secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, também disse no mês passado que o objetivo dos EUA não era apenas ajudar a Ucrânia a se defender, mas ver as capacidades militares da Rússia degradadas “ao ponto de não poder fazer o tipo de coisa que fez ao invadir a Ucrânia”.

Outros analistas não descartaram outros fatores nas explosões, incluindo os padrões de segurança frouxos da Rússia. Explosões também podem acontecer à medida que a Rússia se aprofunda em suas reservas estratégicas de munições, implantando mísseis e artilharia que há muito estavam adormecidos em armazéns militares.

“As explosões também podem ser resultado de acidentes, possivelmente envolvendo munições russas armazenadas ou transportadas pela rede logística militar”, disse Nick Reynolds, analista de pesquisa no Royal United Services Institute, um think tank de segurança baseado em Londres.

 

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Versão em português por Isabela Jordão. Baseado no texto originalmente escrito por Thomas Grove para o The Wall Street Journal

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