“Impacto da gasolina é direto na cadeia, devemos ter revisões para cima no IPCA”, disse o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nesta terça-feira (15), após a Petrobras [PETR3; PETR4] anunciar aumento nos preços dos combustíveis mais cedo.
De acordo com Campos Neto, que falava em evento organizado por parlamentares, o impacto da medida na inflação deve ser de cerca de 0,4 ponto percentual entre agosto e setembro.
A Petrobras informou que vai aumentar o preço médio da gasolina em 16,3% nas refinarias, para R$ 2,93 por litro a partir de quarta-feira (16), enquanto os preços do diesel vaõ subir 25,8%, para R$ 3,80 por litro.
O diretor do BC enfatizou que, embora o resultado de preços mais altos do diesel seja indireto, a gasolina mais cara reflete diretamente no IPCA, índice de inflação de referência. Por outro lado, Campos Neto acrescentou que a inflação de serviços – que a autarquia vem monitorando de perto – começou a cair, “e é importante que isso aconteça”.
O Banco Central iniciou o ciclo de afrouxamento monetário no início deste mês, reduzindo sua taxa básica de juros para 13,25% após mantê-la estável por quase um ano para combater a inflação.
No comunicado posterior à reunião de política monetária, o BC estimou a inflação em 4,9% este ano e 3,4% em 2024, em ambos os casos acima das metas oficiais de 3,25% e 3%, respectivamente.
Com relação à situação econômica atual na Argentina – que enfrenta problemas históricos de inflação, reservas cambiais em declínio e um peso enfraquecido – Campos Neto chamou-a de “complexa”, acrescentando que as pessoas perderam a confiança na moeda do país.
Ele disse que o Brasil tem muito a aprender com os erros de seu vizinho, enfatizando que a inflação desenfreada da Argentina está relacionada à decisão do governo de desrespeitar a autonomia do banco central e ignorar suas metas de inflação.
(Com Reuters)