BCE eleva taxa de juros em 0,5 ponto percentual, a primeira alta em 11 anos

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O Banco Central Europeu (BCE) anunciou o primeiro aumento de juros em 11 anos nesta quinta-feira (21). A elevação foi em 0,5 ponto percentual, trazendo a sua taxa de depósitos de -0,5% para 0%.  A instituição mantinha as taxas em território negativo desde 2014, ao lidar com a crise da dívida soberana da região e a pandemia de coronavírus.

“O Conselho do BCE julgou apropriado dar um primeiro passo maior em seu caminho de normalização da taxa básica do que o sinalizado em sua reunião anterior”, disse o BCE em comunicado.

Havia uma dúvida recente no mercado sobre a intensidade do movimento de hoje, se seria de alta de 0,25 ponto ou 0,5 ponto percentual.

Por um lado, havia temor por parte das autoridades de perder o controle da inflação ao consumidor. Com a inflação já se aproximando dos dois dígitos, existe o risco de ela se enraizar acima da meta de 2% do BCE. Por outro lado, há o risco de derrubada da economia, que já sofre com as consequências da guerra da Rússia na Ucrânia.

Até então, as autoridades pareciam longe de mostrar união sobre a rapidez com que o BCE deveria agir, com alguns argumentando que o banco já está muito atrás da curva, especialmente em comparação com pares globais como o Federal Reserve, enquanto outros apontam para uma recessão iminente que o BCE corre o risco de exacerbar.

O banco até recentemente sinalizava apenas um aumento de 0,25 ponto percentual, a ser seguido por um movimento maior em setembro, mas recentemente ganhou tese a possibilidade de uma alta de 0,50 ponto com as perspectivas de inflação se deteriorando rapidamente.

A recente queda do euro para uma mínima de duas décadas em relação ao dólar também aumentou as pressões inflacionárias.

Um aumento de juros em um ritmo mais forte, por sua vez, exigiria que o BCE protegesse países mais endividados, como Itália ou Espanha, do aumento dos custos de empréstimos, Assim também seria necessário um acordo sobre um novo esquema de compra de títulos.

Quando os juros sobem, os custos dos empréstimos na periferia do bloco aumentam desproporcionalmente e o BCE prometeu combater esse tipo de fragmentação com um novo instrumento.

Na Itália, a volatilidade gerada pela renúncia do premiê Mario Draghi também pressionou o BCE. Com relação a este último ponto, o mercado busca entender qual será a carta na manga para lidar com a questão da fragmentação, tendo em vista que cada país reagirá ao processo de maneira distinta.

Embora nem todos os detalhes da ferramenta devam ser anunciados, a chefe do BCE, Christine Lagarde, provavelmente assumirá um compromisso firme e deve oferecer pelo menos alguns detalhes, incluindo os requisitos para acionar a ajuda do BCE.

Em junho, quando ela fez apenas um compromisso vago, os investidores imediatamente questionaram o BCE, elevando os rendimentos italianos a máximas de uma década, forçando o BCE a uma reunião de política emergencial e a uma promessa mais forte.

 

(InfoMoney, com Reuters)

 

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