Bolsas seguem em alta após Fomc; relatório de inflação do BC e mais assuntos que vão movimentar o mercado hoje

Bolsas seguem em alta após Fomc; relatório de inflação do BC e mais assuntos que vão movimentar o mercado hoje


Os mercados mundiais operam em alta na manhã desta quinta-feira (16), mesmo após a decisão de aceleração do ritmo de redução de compra de ativos (tapering) anunciada pelo Federal Reserve (Fed) na véspera, projetando elevação nas taxas de juros nos próximos anos que, a princípio, poderia ter impacto negativo para os mercados acionários. 

Em fala na véspera após a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse ainda que conter a inflação é agora o ponto principal para sustentar a atividade econômica. Mas essa não é uma tarefa fácil, uma vez que outras interrupções da vida cotidiana causadas pela Ômicron podem interferir novamente em toda a cadeia de suprimentos, causando também problemas de mão de obra, elevando assim os custos e causando um novo processo inflacionário.

Após o Fed, hoje é a vez de o BoE inglês (9h) e BCE (9h45) decidirem suas políticas monetárias, e a expectativa para ambos é de que adiarão qualquer medida de aperto. 

Na agenda doméstica, às 8h, sai o relatório de inflação do quarto trimestre deste ano, com foco nas avaliações do Banco Central sobre as projeções para o IPCA e a atividade, que possam justificar a mensagem hawkish do Comitê de Política Monetária (Copom).

Confira os destaques: 

1. Bolsas Mundiais

Estados Unidos

Os índices futuros dos EUA avançam nesta manhã de quinta-feira (16), mesmo depois que o Fed sinalizou que seria agressivo para reduzir o programa de compra de títulos, prevendo três aumentos nas taxas de juros em 2022. 

O BC americano começará a acelerar a redução do ritmo de suas compras de ativos em janeiro.

A reação positiva dos investidores mesmo em meio a sinalizações mais hawkish (duras, mostrando preocupação com a inflação) do Fed foi interpretada de diferentes modos pelos analistas e investidores.

“Sem nenhuma evidência clara de por que isso (a alta dos mercados) aconteceu, podemos presumir que pode ter sido um movimento de cobertura de posição, já que o mercado como um todo estava comprado em dólares e aumentando posição vendida em ações. Talvez alguns participantes esperassem um efeito maior sobre os lucros após um Fed potencialmente mais agressivo”, disse Charalambos Pissouros, chefe de pesquisa do Grupo JFD, ao MarketWatch.

Já Marcos Mollica, gestor do Opportunity Total, destacou que o Federal Reserve indicou fazer três altas de juros em 2022, enquanto o consenso era duas elevações por ano. Serão outras três em 2023 e duas em 2024. Contudo, o Fed indicou uma antecipação das altas sem mudar significativamente a taxa terminal, de 1,75% para 2,25%, o que atenuou um pouco o impacto da decisão no mercado, afirmou.

Além disso, os investidores repercutiram a fala de Powell. Ele afirmou que a entidade pode elevar a taxa básica de juros nos Estados Unidos antes mesmo da meta de pleno emprego ser alcançada, apontando que uma participação forte da força de trabalho americana pode demorar mais que o normal para ser retomada.

Apesar desta leitura sobre o emprego nos EUA, Powell disse que há um progresso “muito rápido” em direção ao máximo emprego.

O dirigente também destacou que o BC ainda não tomou uma decisão sobre quando aumentará a taxa dos Fed funds após o término do tapering.

Cabe ressaltar ainda que mais dados econômicos dos EUA serão divulgados nesta quinta, incluindo o início de moradias e pedidos de seguro-desemprego às 10h30. Já a produção industrial de novembro sai às 11h15. 

Veja o desempenho dos mercados futuros:

  • Dow Jones Futuro (EUA), +0,46%
  • S&P 500 Futuro (EUA), +0,57%
  • Nasdaq Futuro (EUA), +0,72%

Ásia

Os mercados asiáticos fecharam em terreno positivo, com destaque para Nikkei do Japão com alta de mais de 2%.

  • Nikkei (Japão), +2,13% (fechado)
  • Shanghai SE (China), +0,75% (fechado)
  • Hang Seng Index (Hong Kong), +0,23% (fechado)
  • Kospi (Coreia do Sul), +0,57% (fechado)

Europa

Os mercados europeus operam em alta também com investidores digerindo a decisão do banco central dos EUA. 

Atenção ainda para as reuniões do BCE e do BoE hoje. A expectativa é de que o Banco da Inglaterra opte por não aumentar as taxas de juros e, em vez disso, espere até fevereiro. Já o Banco Central Europeu deve reiterar que o programa de compras de emergência por pandemia (PEPP) termine em março, conforme planejado, e poderá anunciar um programa separado, o Programa de Compra de Ativos, podendo, pelo menos temporariamente, assumir as compras de títulos.

  • FTSE 100 (Reino Unido), +1,17%
  • Dax (Alemanha), +1,85%
  • CAC 40 (França), +1,39%
  • FTSE MIB (Itália), +1,23%

Commodities

Os preços do petróleo sobem à medida que a demanda por combustível aumenta nos Estados Unidos, bem como a decisão do Fed para combater a inflação antes que ela descarrilhe a economia dos EUA também impulsionou os preços.

  • Petróleo WTI, +1,10%, a US$ 71,65 o barril
  • Petróleo Brent, +0,89%, a US$ 74,54 o barril
  • Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve alta de +2,75%, a 673,00 iuanes, o equivalente a US$ 105,71

Bitcoin

  • Bitcoin, +0,57% a US$ 48.835,30 (em relação à cotação de 24 horas atrás)

2. Agenda do dia

Brasil

8h: BC divulga Relatório de Inflação do 4º trimestre

EUA

10h30: Dados de início de construção de novembro
10h30: Pedidos de auxílio-desemprego semanal, com projeção Refinitiv de 200 mil pedidos
11h15: Produção industrial de novembro, com projeção de alta de 0,7% na base mensal
11h45: PMIs de indústria e de serviços preliminares de dezembro

Europa

9h: Política monetária do Banco da Inglaterra
9h45: Decisão de política monetária do BCE

Para ficar no radar

O governo federal encaminhou um pedido de reserva de recursos de R$ 2,5 bilhões no orçamento de 2022 para reajustes salariais. A cifra, segundo fontes ouvidas pelo Valor, não deve ter especificação de carreiras na peça orçamentária, mas majoritária ou até totalmente deve ser direcionado a forças de segurança – Polícia Federal, Polícia Rodoviária e Departamento Penitenciário.

O presidente Jair Bolsonaro vem pressionando a equipe chefiada por Paulo Guedes por reajustes salariais ao funcionalismo após dois anos de congelamento.

Ainda em destaque, apesar da resistência à privatização dos Correios no Senado, o governo definiu um prazo-limite para aprovar o projeto de lei no Congresso e, assim, realizar a privatização da empresa antes de acabar o mandato do atual governo. O aval do Legislativo precisa sair até abril de 2022 para que haja tempo para cumprir os demais trâmites da desestatização.

Conforme a secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Martha Seillier, sem a alteração na lei, o processo não anda no Tribunal de Contas da União (TCU) que vai justamente checar a legalidade do projeto, se houve a aprovação pelo Congresso. É onde o Senado começa a ser um entrave ao processo.

3. Câmara aprova PEC dos Precatórios em segundo turno

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, ontem (15), em segundo turno, por 332 votos favoráveis, 141 contrários e uma abstenção, o texto-base da PEC dos Precatórios.

A proposta havia voltado para análise dos deputados após sofrer alterações durante a tramitação no Senado Federal. Como não houve novas modificações, o texto vai à promulgação pelo Congresso Nacional.

A PEC dos Precatórios abre espaço fiscal superior a R$ 100 bilhões no Orçamento de 2022, a partir da limitação do pagamento de precatórios – que são dívidas da União reconhecidas pelo Poder Judiciário e sem possibilidade de recurso – e de uma mudança na metodologia de cálculo do teto de gastos (parte já em vigor).

Projeto corrige faixa de isenção do IR para R$ 3,3 mil por mês

O relator da reforma do Imposto de Renda (IR), senador Angelo Coronel (PSD), apresentou um projeto em separado que corrige a tabela do IRPF a partir de janeiro.

Caso o texto for aprovado, a faixa de isenção passará de R$ 1,9 mil para R$ 3,3 mil mensais. Não há mais tempo para aprovar o projeto ainda em 2021, mas a decisão do relator coloca o governo numa saia justa, porque a correção da faixa de isenção para cinco salários mínimos (R$ 5,5 mil) foi uma promessa de campanha de Bolsonaro em 2018. O tema deve voltar com força na eleição do próximo ano.

Alckmin conversa com presidente nacional do PSB sobre sua filiação

Após deixar o PSDB, Geraldo Alckmin deve se filiar ao PSB nas próximas semanas e pavimentar o caminho para ser vice na chapa de Lula, segundo reportagem do Valor. O ex-tucano conversou por telefone sobre sua filiação com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, no fim da tarde.

Falas de Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou nesta quarta-feira ter assinado medida para o fechamento da missão no Brasil do Fundo Monetário Internacional (FMI), entidade que ele tem criticado por divergências em relação a projeções econômicas.

Em apresentação no evento “Moderniza Brasil”, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Guedes fez reclamações sobre a atuação do FMI. O ministro disse que tomou a decisão de dispensar a missão do FMI no Brasil ao argumentar que o grupo vem errando previsões sobre a recuperação econômica do país.

 

4. Covid

O Reino Unido está sofrendo em meio à uma onda de casos de Covid, com um número crescente relacionado à variante ômicron, enquanto corre para dar doses de reforço para o máximo de pessoas possível.

Os primeiros estudos mostram que as doses de reforço restauram grande parte da proteção da vacina perdida por meio de uma diminuição natural da imunidade e aumentam a capacidade do corpo de lutar contra a ômicron em caso de infecção.

Dessa forma, o Reino Unido, os Estados Unidos e os países da Europa fazem de tudo o para acelerar seus programas de dose de reforço, dada a necessidade urgente de proteger os cidadãos e evitar que os serviços de saúde fiquem sobrecarregados.

Brasil

No Brasil, a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 150, queda de 31% em comparação com o patamar de 14 dias antes, segundo informações do consórcio de veículos de imprensa, às 20h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 4.709, o que representa queda de 47% em relação ao patamar de 14 dias antes.

Chegou a 136.195.910 de pessoas totalmente imunizadas contra a Covid no Brasil, o equivalente a 63,84% da população.

O número de pessoas que tomaram ao menos a primeira dose de vacinas atingiu 160.374.514 pessoas, o que representa 75,18% da população.

A dose de reforço foi aplicada em 21.694.778 pessoas.

5. Radar Corporativo

Hapvida (HAPV3) e Notre Dame Intermédica ([ativo=GNID3])

A Hapvida (HAPV3) anunciou na quarta-feira que a superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a fusão da companhia com a NotreDame Intermédica (GNDI3).

“A próxima etapa contempla a publicação do despacho e um período de 15 dias para eventuais manifestações do Tribunal do Cade”, afirmou a Hapvida no fato relevante.

A análise da superintendência concluiu que a combinação das duas empresas não prejudicaria a competitividade do mercado de planos privados de saúde no Brasil.

B3 (B3SA3) 

A B3 (B3SA3) informou que recebeu um auto de infração da Receita Federal no montante de R$ 500 milhões. A multa – que inclui juros –  é referente ao Imposto de Renda e ao ganho de capital que foi apurado por acionistas estrangeiros da Cetip, que foi adquirida em 2017. A B3 tentará impugnar o auto de infração.

Tim (TIMS3) 

A Tim (TIMS3) aprovou o pagamento de R$ 560 milhões a títulos de juros sobre capital próprio (JCP). O valor será pago no dia 25 de janeiro de 2022, cm base na posição acionária do dia 21 de dezembro.

Fleury (FLRY3) 

A Fleury (FLRY3) aprovou o pagamento de JCP, no valor bruto de R$ 30,04 milhões, o que corresponde a R$ 0,09479401498 por ação. O benefício será pago aos acionistas no próximo dia 30 de dezembro.

(Com Estadão, Bloomberg e Agência Brasil)

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