Bull Market: até quando?

bull market ibovespa s&p

Esta segunda-feira (12) marcou o segundo pregão consecutivo de alta do S&P 500 desde que o índice amplo de Wall Street voltou à marca do bull market (mercado de alta), na última quinta-feira (08).

O índice, que reúne as 500 principais empresas sediadas nos EUA, ficou em bear market (mercado de baixa) por um ano, desde 13 de junho de 2022 – foi o mais longo período desde o bear market de 1948.

A definição mais comum de um bull market compreende um salto de 20% desde o último fundo gráfico do índice. Apesar de ter recuperado a marca psicológica, entretanto, o S&P 500 ainda está 10,5% abaixo de sua máxima histórica, de 4.796,56 pontos, em 3 de janeiro de 2022.

Significado real do bull market do S&P 500

O movimento de recuperação se deve em boa parte ao desempenho de algumas empresas. Nvidia, Apple, Microsoft, Alphabet, Tesla e Netflix são as mais expressivas.

Victor Benndorf, sócio-fundador e analista chefe da casa de research que leva seu sobrenome, é categórico ao explicar sobre uma grande dicotomia entre a economia real e empresas de tecnologia.

“Assim como o Ibovespa é um péssimo termômetro de mercado”, no sentido de que o principal índice brasileiro pode subir se Petrobras [PETR3; PETR4] e Vale [VALE3] subirem, mesmo se todas as demais ações recuarem, acontece igual em Wall Street.

“Quando você remove tecnologia do índice, o mercado americano está ruim.” Sem as big techs, não há bull market, complementou Victor.

“O S&P 500 passa uma falsa sensação de que o mercado americano está indo bem”, sintetiza. “Não é a economia real.”

Por que as big techs estão se valorizando?

Estrategista de ações da Nomos Investimentos, Max Bohm aponta três motivos distintos para a valorização das gigantes de tecnologia em Nova York.

A melhora dos indicadores de atividade econômica dos EUA é a primeira razão. Os dados fortaleceram a ideia de que a desaceleração da maior economia do mundo não será tão forte, aponta.

Também pesa no sentimento dos investidores a expectativa pelo fim do ciclo de aperto dos juros pelo Federal Reserve (Fed), que anuncia sua decisão nesta quarta-feira (14). Espera-se que a autoridade monetária anuncie uma pausa nos aumentos dos juros.

Em terceiro, Max destaca os resultados do primeiro trimestre de 2023 das companhias americanas, que superaram as expectativas. “Muitos analistas de mercado esperavam uma retração mais forte do que aconteceu.”

Algumas empresas revisaram números para cima, acrescentou o especialista, e a queda nos lucros não foi tão forte quanto previsto. “Isso tudo também contribuiu positivamente”.

Victor Benndorf aponta um quarto motivo para o salto das companhias. O crédito americano secou bastante, e “isso já deve fazer o trabalho do Fed de segurar a inflação”. Ganha força, então, a aposta de uma postura mais branda do BC americano.

Assim, o setor de tecnologia avança por ser um dos mais afetados pelo juros altos. “É um setor de longa duration, que depende de crédito – as startups dependem muito de crédito”, amplia. Ou seja, qualquer sinal de alívio dos juros, assim como no Brasil, favorece os ativos pressionados.

O bull market vai durar?

Victor Benndorf acha muito difícil precisar a sustentabilidade do viés altista do S&P 500. “Na verdade, está tudo muito no ar ainda.”

O mercado americano está muito dependente dos dados – tende a seguir o rumo dos próximos dados da economia americana, principalmente em função da política monetária. Assim, o viés do S&P 500 está sujeito ao que “a gente for recebendo de informação”.

Segundo o analista, não dá para ter uma visão de médio a longo prazo do mercado americano. “Não vale nem a pena colocar nada na mesa”, isto é, tomar decisões de investimento com base no bull market recente.

Como fica o Ibovespa

O Ibovespa também embarcou no bull market, tendo atingido a marca hoje, após sete altas consecutivas. Quanto à correlação entre Wall Street e a B3, Victor diz que “tudo ajuda”.

Como o apetite ao risco lá fora melhorou e o mercado americano está mais caro que o brasileiro, abre-se a possibilidade de o investidor estrangeiro buscar veículos mais baratos para se expor às variações de mercado.

“Brasil ainda segue muito barato, principalmente aos olhos do investidor estrangeiro”, concordou Max Bohm, mencionando os múltiplos baratos dos ativos nacionais.

“Mas para o fluxo vir mais para cá, a gente precisa de China andando e de um pouco mais de segurança de que os mercados desenvolvidos não vão pisar no freio com força, porque aí commodity não anda”, completou Victor Benndorf.

Compartilhe em suas redes!

WhatsApp
Facebook
LinkedIn
PUBLICIDADE

Matérias Relacionadas

PUBLICIDADE

Preencha o formulário e receba a melhor newsletter semanal do mercado financeiro, com insights de especialistas, notícias e recomendações exclusivas.

PUBLICIDADE
Are you sure want to unlock this post?
Unlock left : 0
Are you sure want to cancel subscription?
TradeNews
Visão geral de privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.