Camil (CAML3): juros levam a uma queda do lucro no 1º tri, mas Ebitda supera projeções

Camil (CAML3): juros levam a uma queda do lucro no 1º tri, mas Ebitda supera projeções

A Camil Alimentos (CAML3) reportou ontem (15) lucro líquido de R$ 96,8 milhões referente ao primeiro trimestre de 2022 do ano fiscal (março-maio de 2022), queda de 10,5% no comparativo anual, pressionada pelo aumento nas taxas de juros que afetou o endividamento da empresa após aquisições.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 244,6 milhões no trimestre, alta de 33% ante os três primeiros meses de 2021.

O resultado financeiro líquido trouxe despesas de R$ 84,9 milhões, 239,4% acima frente março e maio do ano passado. De acordo com a Camil, esse aumento decorreu, principalmente, dos “efeitos decorrentes do crescimento das despesas com juros sobre empréstimos, devido ao aumento da taxa de juros, e pela variação cambial e monetária no período”.

A receita líquida foi a R$ 2,397 bilhões, 6,2% mais que no primeiro trimestre do exercício passado. A alta da receita foi puxada pela divisão Alimentício Brasil (R$ 1,867 bilhão, alta de 6,4%), com influência positiva do aumento das vendas de grãos e açúcar e a inclusão de massas e café ao portfólio.

A margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) foi de 10,2%, o que representa alta de 2,1 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2021.

Quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, o último de 2021, os volumes registrados pela Camil tiveram alta de 7,8%, de acordo com os dados.

Lá fora, a Camil atua no Uruguai, Peru, Chile e Equador, e contou com um incremento em sua divisão internacional, com alta de 43,7% em volume no primeiro trimestre ante igual período de 2021, puxado pelo Uruguai.

O Capex da empresa foi de R$ 28,6 milhões entre março e maio, 37% menos que um ano antes, “principalmente devido à investimentos de manutenção e postergação de projetos de expansão programados no período, decorrente do cenário em patamares elevados da taxa de juro”.

Para a XP, a Camil teve um primeiro trimestre sólido, com receita líquida recorde e 2,4% acima da projeção da XP devido aos maiores preços para o feijão, açúcar e pescado, além de novas fontes de receita como massas e café, e um desempenho surpreendente no Uruguai.

O Ebitda também foi recorde e 6,8% acima da estimativa da XP, com margens na operação brasileira acima da projeção dos analistas, mas abaixo no Internacional.

“Além de um esperado ramp up (forte crescimento inicial) nas duas novas categorias (massas e café), e apesar da persistente escassez de pescado (sardinha), vemos como altamente positivo manter um portfólio de produtos defensivos em um ambiente inflacionário, sobretudo com marcas fortes para defender preços mais altos e sustentar margens mais saudáveis”, avaliam os analistas.

Por outro lado, a alavancagem da empresa, aliada a taxas de juros mais altas, pode diminuir suas oportunidades de M&A [fusões e aquisições] e já está afetando a última linha [lucro], ponderam.

A XP reitera recomendação de compra em CAML3 com preço-alvo de R$ 14 por ação, ou potencial de valorização de 26% frente o fechamento da véspera.

O Itaú BBA também destaca os resultados como positivos, com o Ebitda ajustado 10% acima da sua estimativa. “O desempenho positivo da margem no comparativo anual e trimestral pode ser atribuído principalmente à melhoria da dinâmica de rentabilidade de grãos, bem como aos resultados iniciais dos novos negócios. Reiteramos nossa visão construtiva sobre o nome”, apontam os analistas do banco.

A recomendação do BBA para a ação é outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 13 (upside de 17%).

(InfoMoney)

 

Compartilhe em suas redes!

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
PUBLICIDADE

Related Posts

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE