Carência da Evergrande termina sem pagamento a credores

Carência da Evergrande termina sem pagamento a credores


(Bloomberg) — Após o término do período de um mês de carência, alguns detentores de títulos da China Evergrande Group ainda não receberam os pagamentos referentes a cupons em atraso, sinalizando um possível calote da incorporadora que se prepara para uma das maiores reestruturações de dívida já vistas no país asiático.

Dois detentores de títulos denominados em dólar vendidos pela subsidiária Scenery Journey afirmam que não haviam sido pagos até 00h30, horário de Nova York, na terça-feira. Os cupons — US$ 41,9 milhões para um papel com prazo até 2022 e US$ 40,6 milhões para um título com prazo até o ano seguinte — venceram em 6 de novembro, mas tinham carência de 30 dias. Esses credores pediram anonimato para discutir investimentos privados.

A Evergrande não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da reportagem.

A incorporadora informou em um breve comunicado submetido a autoridades na sexta-feira que planeja “se engajar ativamente” com credores offshore em um plano de reestruturação, sem detalhar se vai continuar pagando juros. A companhia pretende incluir os títulos offshore e obrigações de dívida privada no que pode ser uma das maiores reestruturações de todos os tempos na China, segundo relatado por pessoas familiarizadas com o assunto na segunda-feira.

A Evergrande tem cerca de US$ 19,2 bilhões em títulos offshore e US$ 8,4 bilhões em instrumentos de dívida local, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Seu passivo total superava US$ 300 bilhões em junho.

A turbulência levou o governo do presidente Xi Jinping a tomar uma série de providências para conter as consequências da situação na maior economia da Ásia.

Nos próximos dias vencem prazos para outras companhias altamente endividadas do setor imobiliário. A Kaisa Group Holdings, terceira maior emissora de títulos em dólares entre as imobiliárias chinesas e primeira a deixar de fazer pagamentos em 2015, tem US$ 400 milhões em títulos vencendo nesta terça-feira. Um grupo de detentores dos papéis enviou à empresa uma proposta formal de tolerância na segunda-feira à noite que pode ajudá-la a evitar a inadimplência, segundo outras pessoas a par do assunto.

A incorporadora está no centro de uma crise mais ampla no segmento de financiamento imobiliário da China, desencadeada por medidas de repressão do governo para conter o endividamento excessivo e a especulação imobiliária. Entidades chinesas deram calote em uma quantia recorde de US$ 10,2 bilhões em títulos offshore em 2021, com companhias imobiliárias respondendo por 36% desse montante, segundo dados compilados pela Bloomberg. Com isso, o rendimento de um índice de junk bonds chineses, que inclui imobiliárias, passou de 22%.

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