Casais que brigam sobre dinheiro: nunca é apenas sobre dinheiro

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Novas pesquisas abordam a origem dos conflitos financeiros e o que se pode fazer a respeito disso

Quando casais discutem sobre dinheiro, a verdadeira fonte do conflito geralmente não está no extrato bancário. Desentendimentos financeiros tendem a ser substitutos para questões mais profundas nos relacionamentos, afirmam pesquisadores e terapeutas de casais, já que a forma como usamos o dinheiro é um reflexo de nossos valores, caráter e crenças. 

Brigas persistentes sobre gastos e economias costumam condenar parcerias românticas: mesmo se você resolver o problema financeiro, as questões subjacentes permanecem.

Para entender sobre o que as brigas realmente são, novas pesquisas de cientistas sociais da Universidade Carleton em Ottawa começaram com um conjunto de dados exclusivo: mais de 1.000 postagens coletadas de um fórum de relacionamento na rede social Reddit. 

Dinheiro foi um tópico importante nas postagens, que em grande parte se dividiram em reclamações sobre tomada de decisões unilaterais, contribuições desiguais, falta de valores compartilhados e percepções de injustiça ou irresponsabilidade.

Ao analisar e categorizar as mensagens sinceras e entrevistar centenas de casais, os pesquisadores afirmam ter identificado alguns padrões recorrentes por trás dos conflitos financeiros.

A pesquisa descobriu que quando os parceiros discordam sobre despesas mundanas, como contas de supermercado e recibos de compras, tendem a ter relacionamentos melhores. No entanto, brigas sobre contribuições justas para as finanças domésticas e percepções de irresponsabilidade financeira são particularmente prejudiciais.

Embora não haja uma solução única para resolver as discussões, o antídoto em muitos casos é falar mais sobre dinheiro, e não menos, disse Johanna Peetz, professora de psicologia na Carleton University e coautora do estudo.

“Você deve discutir mais sobre finanças nos relacionamentos, porque assim as coisas pequenas não se transformarão em problemas maiores”, afirmou ela.

Um parceiro pode insistir em fazer uma viagem que o outro não pode pagar. Outro casal pode querer separar suas finanças anteriormente combinadas. Os casais também podem perceber que não compartilham mais os mesmos valores que tinham no início do relacionamento.

Reconhecer repetições

Diferenciar sua própria visão sobre a briga sobre dinheiro da visão do seu parceiro não é tarefa fácil, explicou Thomas Faupl, psicoterapeuta de casamento e família em San Francisco. Enquanto uma pessoa vê um problema facilmente solucionável – gastar demais em alimentos –, a outra pode ver uma ruptura irreversível no relacionamento.

Faupl, especializado em ajudar casais a superarem dificuldades financeiras, falou que muitos parceiros conseguem encontrar um tópico comum que os mantém conectados em meio a discussões mais acaloradas. Identificar temas recorrentes nos conflitos mais frequentes também ajuda.

“Há algo muito mais profundo quando se trata de dinheiro e, para muitas pessoas, tem a ver com segurança e poder”, argumentou ele. “Existem variações desse tema, e pode estar relacionado à responsabilidade, controle, poder ou justiça.”

John Stone e Barbara Krenzer dizem que reconhecem o valor dos compromissos em seu casamento. [Foto: Parker J Stone II/The Wall Street Journal]
Barbara Krenzer e John Stone começaram seu relacionamento há mais de três décadas. Desde o início de suas conversas, o casal de Syracuse, Nova York, abriu o jogo sobre o que ambos consideravam mais importante na vida: passar tempo de qualidade com a família e investir em memórias duradouras.

“Nós não nos envolvemos com um estilo de vida extravagante”, disse Krenzer. “O tempo é super importante e ambos valorizamos isso.”

Para Krenzer e Stone, comprometer-se com esse valor compartilhado significava fazer sacrifícios. Krenzer, médica, reduziu suas horas de trabalho enquanto criava seus três filhos. Stone se formou como advogado, mas assim que Krenzer voltou a trabalhar em tempo integral, ele procurou um emprego que lhe permitisse passar as manhãs com as crianças.

“Compromisso: essa é uma palavra que não se diz o suficiente no casamento”, afirmou Krenzer. “Você precisa ir além do amor e se perguntar: ‘Eu estou disposto a abrir mão por eles e encontrar um meio-termo?'”

Conversas sobre dinheiro

Falar sobre números por trás de um comportamento pode ajudar a tirar o casal de uma briga e trazê-los de volta à realidade, explicou Faupl. Um parceiro pode lamentar a pão durice do outro, mas uma discussão sobre números pode revelar que o suposto pão-duro está economizando para o futuro compartilhado do casal.

“Eu vou a fundo com as pessoas para que possamos ter números claros e objetivos na mesa”, ele compartilhou. “Essas conversas são precisas ou são de alguma forma baseadas em emoções?”

Casais podem seguir princípios de boa gestão financeira e construir riqueza juntos, mas conflitos inevitavelmente surgirão se um parceiro sentir que o outro não está honrando esse compromisso compartilhado,falou Faupl.

“Se o seu parceiro ajuda a alcançar suas metas econômicas, isso se torna instrumental para suas próprias metas, e é um impulso poderoso para se sentir próximo ao parceiro e valorizar o relacionamento”, ele disse.

Um senso de missão

Quando se trata de enfrentar momentos difíceis, “compartilhar valores é importante, ainda mais do que compartilhar traços de personalidade”, explicar Peetz. Em sua própria pesquisa, Peetz descobriu que parceiros românticos que discordavam sobre valores compartilhados poderiam acabar se separando como resultado.

“Isso é frequentemente o motivador do conflito: para eles significam coisas diferentes”, ela destacou sobre temas como justiça e responsabilidade.

E às vezes, vale a pena realmente se aprofundar nas conversas potencialmente difíceis sobre grandes decisões financeiras. Quando as coisas estão indo bem, se unir para alcançar esses objetivos comuns – como economizar para sua própria aposentadoria ou preparar o futuro financeiro de seus filhos – criará intimidade, não conflitos relacionados ao dinheiro.

“Isso é um impulso poderoso para se sentir próximo ao parceiro e valorizar o relacionamento”, ela concluiu.

(Com The Wall Street Journal; Título original: What We Fight About When We Fight About Money)

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