Cerca de 70% dos fundos imobiliários negociam abaixo do valor patrimonial. Oportunidade? Analista explica

Cerca de 70% dos fundos imobiliários negociam abaixo do valor patrimonial. Oportunidade? Analista explica


Dezembro tem sido um mês de forte valorização para os fundos imobiliários. O IFIX – índice que reúne os FIIs mais negociados na Bolsa – acumula alta de mais de 8% no período. Mesmo com o desempenho, a maior parte dos fundos que compõem o indicador ainda negocia abaixo do valor patrimonial.

De acordo com dados da Economatica, plataforma de informações financeiras, 72 dos 103 fundos do Ifix tem um P/VPA (preço sobre o valor patrimonial) abaixo de 1, o que indicaria que são negociados com desconto. As cotações são consideradas próximas do valor junto quanto mais próxima a relação de P/VPA estiver perto de 1,0. O cálculo tem como base as cotações do dia 29 de dezembro de 2021.

Considerando os setores, os fundos do segmento de lajes corporativas são os mais descontados atualmente, com um P/VPA médio de 0,81. Já os chamados fundos de “papel”, que investem em títulos de renda fixa e que mais se valorizaram em 2021, negociam mais próximos do valor patrimonial, ou seja, perto ou acima de 1.

SegmentoP/VPA
Títulos e Val. Mob.1,00
Outros0,95
Logística0,94
Híbrido0,90
Shoppings0,85
Lajes Corporativas0,81

Fonte: Economatica (29/12/2021)

Na avaliação de João Vitor Freitas, analista de fundos imobiliários da Toro Investimentos, os números acima refletem o descolamento entre as cotações dos FIIs nos últimos meses e as negociações do setor imobiliário.

“Nós estamos vendo transações de prédios muito bons sendo vendidos por até R$ 40 mil o metro quadrado enquanto os imóveis dos fundos imobiliários eram negociados a R$ 20 mil ou R$ 25 mil o metro quadrado”, lembra Freitas. “Então a gente via realmente este preço descolado da realidade. E o P/VPA dava pistas sobre isso”, afirma.

Por outro lado, o analista alerta que um P/VPA baixo não indica necessariamente que o fundo imobiliário esteja barato. Segundo ele, o indicador funciona bem com os fundos de “papel” e os FoFs, fundos de fundos. No entanto, o valor patrimonial dos fundos de “tijolo” pode estar defasado, o que prejudicaria a análise.

“O valor contábil das lajes corporativas, dos shoppings ou dos galpões logísticos pode estar desatualizado e a reavaliação anual dos espaços pode reduzir ou elevar P/VPA”, explica.

Freitas reforça a recomendação de outros analistas que a análise dos fundos imobiliários também envolve aspectos como localização dos imóveis, inquilinos e a gestão da carteira.

Na última sessão do ano, o Ifix opera no campo positivo. Às 11h04, o índice subia 0,54%, aos 2.804 pontos. Ontem, o indicador fechou o dia com alta de 0,77%, a décima sessão seguida de ganhos.

Maiores altas desta quinta-feira (30):

TickerNomeSetorVariação (%)
KFOF11Kinea FoFTítulos e Val. Mob.3,5
JSRE11JS Real EstateHíbrido2,02
XPSF11XP SelectionOutros1,72
VINO11Vinci OfficesLajes Corporativas1,63
RBRF11RBR AlphaTítulos e Val. Mob.1,62

Maiores baixas desta quinta-feira (30):

TickerNomeSetorVariação (%)
XPCM11XP Corporate MacaéLajes Corporativas-0,96
HGLG11FII CSHG LOGLogística-0,5
RBED11Rio Bravo Renda EducacionalOutros-0,48
RZAK11Riza AkinTítulos e Val. Mob.-0,47
HABT11Habtat IITítulos e Val. Mob.-0,34

Fonte: B3

 

Malls Brasil conclui aquisição do Madureira Shopping; General Shopping e Hedge Atrium reavaliam imóveis

Malls Brasil (MALL11) finaliza aquisição do Madureira Shopping, no Rio de Janeiro

Em fato relevante divulgado nesta quarta-feira (29), o fundo Malls Brasil Plural anunciou a conclusão da compra do Madureira Shopping, no Rio de Janeiro (RJ). O negócio foi fechado por R$ 286 milhões.

Com mais de 30 anos de existência, o complexo comercial possui 37 mil metros de área bruta locável (ABL) e recebe, em média, 1,4 milhões de clientes por mês.

Atualmente, o Madureira Shopping abriga 170 lojas, sendo oito megalojas e 25 opções de alimentação, além de contar com estacionamento para aproximadamente 600 carros. O local possui ainda cinema de alto padrão, dispondo de 5 salas com equipamentos de última geração, operado pela Kinoplex.

A partir de janeiro de 2022, o Malls Brasil passa a ter direito à integralidade dos aluguéis recebidos pelo complexo comercial. Com a aquisição, o fundo projeta uma distribuição anual de dividendos de R$ 1,10 por cota.

O Malls Brasil já tinha participação no Maceió Shopping (AL), Shopping Tacaruna (PE), Suzano Shopping (SP), Shopping Taboão (SP), Boulevard Shopping Feira (BA), Shopping Park Lagos (RJ) e Shopping Park Sul (RJ).

General Shopping (FIGS11) e Hedge Atrium (ATSA11) reavaliam imóveis

Na reta final de 2021, dois fundos imobiliários anunciaram a realização da reavaliação anual de imóveis. Entre eles, está o General Shopping, que teve o valor contábil do portfólio elevado em 5,61%.

Com patrimônio líquido de R$ 269 milhões, o fundo atualmente tem participação nos shoppings Bonsucesso, e Maia, ambos em Guarulhos (SP).

Já a reavaliação do Atrium Shopping Santo André, de propriedade do fundo Hedge Atrium, apontou redução de 10,7% no valor contábil do complexo comercial localizado na região do ABC, no Estado de São Paulo.

A diferença apontada pela reavaliação representa queda de 9,95% no valor patrimonial da cota do fundo negociada na Bolsa, considerando a data do dia 29 de dezembro de 2021.

 

Giro imobiliário: Transformação digital avança entre as agências bancárias

Os bancos privados brasileiros correm para adequar suas redes físicas à nova realidade do mercado, que exige um maior investimento nos canais digitais. Fechar agências que perdem o sentido é parte importante dessa transição. Entretanto, para não perder importantes pontos de contato com os clientes, os conglomerados têm apelado a soluções que mantêm os endereços, mas com outra configuração.

Nos últimos cinco anos, Santander, Bradesco e Itaú, os três maiores bancos privados do País, fecharam 3 mil agências físicas. Em muitos casos, há uma fusão de agências, mas em paralelo, os três bancos têm experimentado modelos que mantêm as unidades, mas sem caixa ou porta giratória, o que reduz os custos de operação e, em alguns casos, o espaço ocupado pelas agências.

O Bradesco, por exemplo, tem cerca de mil unidades de negócio, que são agências focadas em fazer negócios, e não em transações corriqueiras. A nova configuração dispensa os caixas, o numerário associado a eles e ao mesmo tempo, reduz custos e eleva a produtividade. Todas as unidades de negócio surgiram de antigas agências que foram convertidas. No ato da conversão, os custos caem 14%. A produtividade, por outro lado, sobe 37%, segundo o banco.

Leia mais:

  • Na era digital, a nova cara das agências bancárias
  • Agências bancárias, universidades, desenvolvimento: conheça os “lobos solitários” dos fundos imobiliários

 

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