Ciclos da bolsa

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Na primeira postagem desta incrível série, falei sobre o motivo pelo qual as bolsas tendem a subir no mundo no longo prazo. Só que essa alta, quando a gente “dá um zoom”, percebe que não é em linha reta, mas em movimentos de altas e baixas.

No texto de hoje, vamos falar sobre os ciclos da bolsa e, inevitavelmente, da economia como um todo.

A bolsa de valores aqui no Brasil meio que “entrou na moda” em meados de 2020 durante a pandemia por alguns potenciais motivos. Talvez, o principal tenha sido porque estávamos acostumados com juros altíssimos, e isso nos acomodou em investir em renda fixa ou até deixar o dinheiro na poupança. Não valia a pena correr riscos de investir em renda variável.

Um pouco antes desse período, você conseguia investir com baixíssimo risco e ter um retorno de 15% ao ano. Isso significa que, praticamente sem risco, você conseguia dobrar o seu dinheiro investido em algo em torno de 5 anos, de novo, sem risco praticamente.

Contudo, com a pandemia, bancos centrais do Brasil e do mundo decidiram diminuir a taxa básica de juros de suas respectivas economias com objetivo de estimulá-las ao máximo. Isso fez com que chegássemos ao menor patamar de juros da história, em 2%.

Nesse momento, quem estava acostumado a ganhar 15% ao ano sem risco, estava ganhando 2% ao ano, o que levou muitas dessas pessoas a se “aventurarem” investindo na Bolsa.

Ah, hoje em dia, estamos em patamares parecidos àqueles de 15% ao ano praticamente sem risco.

(A gente espera, e economistas acreditam, que os juros no Brasil não devem voltar para patamares do início dos anos 2000).

Claro, o que conta de verdade são os ganhos reais que você tem. Para isso, você tem que descontar quanto o seu dinheiro rendeu de quanto ele perdeu de poder de compra. Ou seja, tem que diminuir a inflação dos seus rendimentos. Se a inflação for maior do que o seu retorno, você terminará com menos poder de compra do que tinha no início do investimento, ou seja, não terá sido um bom negócio investir naquilo.

E, na teoria, o que acontece quando há muitos estímulos econômicos e atividade em uma economia?

A inflação começa a subir.

Bancos centrais, então, voltam a subir a taxa básica de juros para desacelerar a economia e tentar conter a inflação.

Por sua vez, os investidores passam a olhar com mais carinho para os rendimentos mais fartos que a renda fixa atrelada aos juros está oferecendo (eles começam a medir seu custo de oportunidade) e eventualmente podem migrar, se os juros satisfizerem seus objetivos de retorno.

Em um dado momento, a economia começa a desacelerar, e os bancos centrais novamente veem a necessidade de acelerar o gasto, consumo, etc.

Então, juros para baixo, e assim vamos seguindo o ciclo…

Esse é o resumo do resumo dos ciclos de mercado ou de uma aula básica de economia, mas Howard Marks, em seu livro “Dominando o ciclo de mercado” explica com mais detalhes esse funcionamento e formas de tentar identificar quando esses ciclos começam e quando terminam.

Afinal, se você só investe em bolsa quando as taxas de juros estão baixas, grandes são as chances de comprar a bolsa cara (quando todo mundo está comprando). Ou seja, pequenas as chances de ganhar dinheiro.

Para fechar essa parte, não posso deixar de citar o fantástico vídeo do Ray Dalio falando sobre como a máquina da economia funciona que também tenta ajudar a identificar os ciclos econômicos:

No próximo e último capítulo, vamos falar sobre o que faz as pessoas não ganharem dinheiro na bolsa.

Até lá!

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