CIEL3: Controle de despesas e melhora das receitas não eliminaram desafios

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Com quase 152% de alta em 2022, as ações da Cielo [CIEL3] de longe apresentam o melhor desempenho do Ibovespa este ano. Para efeito de comparação, a segunda colocada na lista, PetroRio [PRIO3], não chega aos 80% de valorização anual.

O Goldman Sachs revisou para cima a recomendação de CIEL3 nesta segunda-feira (07), de “venda” para “neutra”. O preço-alvo também subiu, de R$ 4,80 para R$ 5,70. É recente a mudança de posicionamento com relação ao ativo.

Foi no final de maio que o JP Morgan elevou a Cielo de “neutra” para “overweight” – equivalente à compra – e definiu preço-alvo em R$ 5. Do final de janeiro até então, todas as recomendações de CIEL3 computadas pela Bloomberg eram “venda” ou “neutra”.

Radar de recomendações de CIEL3 em 31 de janeiro de 2022. [Fonte: Bloomberg]
Carlos Daltozo, head de equities da Eleven Financial, atribui o bom desempenho de CIEL3 no ano a uma evolução da receita da empresa e do controle de despesas. “Desde o final de 2020 nós víamos uma mudança no comportamento da Cielo, um controle de despesas mais rigoroso e também uma volta ao cenário de competição, principalmente no segmento de varejo”, comenta.

A companhia vinha de contínua perda de market-share para novas concorrentes. Aliás, a principal dificuldade do setor de adquirência é justamente a forte competição, de acordo com Niels Tahara, head de análise fundamentalista da Benndorf Research.

As empresas de pagamentos, discorre o analista, têm investido em inovação, mas os produtos e serviços vêm se tornando cada vez mais parecidos entre si, “o que resulta em alta necessidade de investimentos para se manter competitivo e poucas vantagens competitivas entre as atuantes”.

A combinação entre aumento da disputa e dos investimentos gera redução dos retornos das integrantes do setor, ponderou Niels.

Por ser líder do mercado de maquininhas, a Cielo foi a mais impactada pelo acirramento da competição, acrescenta Carlos Daltozo. “A companhia viu a sua receita reduzir drasticamente ao longo dos últimos anos e, por outro lado, as despesas operacionais continuaram crescendo num ritmo acelerado.”

Com o surgimento de plataformas como Stone [STOC31] e PagSeguro [PAGS34], “Cielo se viu achatada no topo da pirâmide, operando basicamente com grandes contas, onde a receita é menor e o spread também”, recordou o especialista da Eleven. Consequentemente, os resultados operacionais da empresa pioraram.

O que não mata, fortalece

A autoria da frase do subtítulo pode ser atribuída a Nietzsche ou Kelly Clarkson. Entretanto, a aplicação da máxima certamente partiu da Cielo, de acordo com os especialistas ouvidos pelo TradeNews.

Segundo Niels Tahara, “a empresa ainda é a maior do setor e vem conseguindo melhorar bastante os resultados no ano, mostrando que o processo de recuperação está bem encaminhado”.

Além de ser líder de mercado e ter captação robusta, analisa Carlos Daltozo, a Cielo também conta com sua grandeza enquanto corporação como vantagem.

“O tamanho e o balanço da Cielo fazem diferença nesse universo”, explica. “Quando a companhia capta recursos mais caros, acaba conseguindo uma captação mais eficiente e mais barata do que os seus concorrentes, principalmente as fintechs, que não têm tanto balanço pra sustentar o crescimento das suas operações com o custo de crédito elevado.”

A Cielo registrou lucro líquido de R$ 653,5 milhões no segundo trimestre de 2022, alta de 252,2% na comparação anual. O Ebitda no período alcançou R$ 1,18 bilhão, crescimento de 103,7% no mesmo intervalo. Por outro lado, a receita líquida atingiu R$ 2,54 bilhões, queda de 9,7% em relação a igual período de 2021, enquanto a base de clientes totalizou 1,1 milhão, recuo de 199 mil em um ano.

“A despesa atualmente cresce num ritmo menor do que a inflação, e a receita começou a dar sinais de melhora com essa volta da Cielo para o mercado de varejo”, complementou o analista da Eleven.

Nem tudo são flores

Já não há mais nenhuma recomendação de “venda” para CIEL3 computada pela Bloomberg, mas os desafios continuam, “uma vez que a empresa teve que reduzir parte dos retornos para se manter competitiva e continua tendo que cortar custos e despesas”, pontua Niels. Apesar de um momentum de curto prazo “bastante positivo”, os desafios da concorrência no longo prazo persistem.

Radar de recomendações de CIEL3 em 7 de novembro de 2022. [Fonte: Bloomberg]
A visão da Eleven corrobora. Para Carlos Daltozo, a Cielo continua distante do status pré-pandemia “e também não deve conseguir retomar os patamares de rentabilidade que ela já teve quando o mercado era um duopólio entre Cielo e Redecard, as duas que atuavam nesse segmento antes da abertura de mercado”.

O analista considera que, apesar das vantagens competitivas para a empresa, o cenário para o setor de pagamentos continua complexo. No entanto, a Eleven sustenta recomendação de “compra” para CIEL3, com preço-alvo de R$ 7.

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