Como a HIX Capital escolhe investimentos em tempos difíceis

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Em um cenário marcado por volatilidade e incertezas, a Bolsa brasileira apresenta um panorama interessante para investidores atentos: small caps e mid caps podem ser oportunidades promissoras em meio ao pessimismo, de acordo com Rodrigo Heilberg, CIO da HIX Capital. 

Apesar da alta no preço das ações final em 2023, Heilberg aponta que qualquer prisma sobre o momento atual no ciclo de investimentos ainda remete a cenários de meio de crise.

“A combinação de juros altos com altos prêmios de retorno tende a períodos futuros de retornos muito interessantes para ativos de renda variável”, afirmou. 

Por que investir em small e mid caps?

As small e mid caps podem ser oportunidades, com potencial de valorização, que nem todos os investidores estão olhando, e que ainda não são amplamente cobertas por grandes bancos de investimento ou outros fundos, destaca Heilberg. 

Isso se deve, em parte, ao ambiente de small caps, no qual as assimetrias de informação são mais comuns, sendo possível encontrar empresas subvalorizadas ou mal compreendidas pelo mercado, com valuations “extremamente atrativos”.

“Tentando resumir de forma simples: qual a empresa que todo analista quer investir?”, questiona. “É uma empresa que está num mercado grande e crescente, que tem um modelo de negócios bom, gerido por pessoas competentes e que ele admira, e preço certo.”

Ele explica que o problema, entretanto, é quando você tem os três primeiros requisitos. Geralmente, tais características são consenso, o que leva o preço para um nível que deixa o retorno mais baixo. Por outro lado, ele prossegue, existem várias formas de abordar o assunto. 

Quando Heilberg encontra uma empresa na qual enxerga essas três características, mas que por algum motivo o mercado não concorda, o CIO consegue comprar ações a um bom preço, gerando retorno diferenciado. 

Em suma, “buscamos histórias mal precificadas e mal percebidas, para buscar um retorno diferenciado”.

Equatorial [EQTL3], Sinqia [SQIA3], Rumo [RAIL3], Eneva [ENEV3] e Iguatemi [IGTI11], por exemplo, são alguns dos investimentos bem-sucedidos da HIX, com retornos expressivos no longo prazo.

Ao mesmo tempo, o CIO ressalta que a casa não investe em small caps simplesmente por serem small caps, pois reconhecem os riscos associados ao segmento, como a menor liquidez e a volatilidade, adotando uma abordagem seletiva. 

De onde vem o pessimismo na Bolsa?

Segundo o CIO, a percepção de que um pessimismo excessivo se encontra no preço atual dos ativos se dá por alguns fatores. Entre eles, o fato de múltiplos de negociação do Ibovespa e índice SMLL estarem próximos a dois desvios padrões abaixo da média histórica, inclusive de períodos como a grande crise financeira de 2008 e a crise de 2015.

Além disso, o prêmio de risco para investimento em ações, que também pode ser visto como o yield4 de lucro do IBOV – lucro líquido das companhias que compõe o índice IBOV sobre a capitalização de mercado destas empresas – menos o retorno da NTN-B de 10 anos, está em patamares muito superiores à média dos últimos 10 anos, mesmo com patamar alto de taxa de juros.

Outra razão é o volume de oportunidades, principalmente em small caps, pois metade das empresas do índice SMLL5 estão negociando com mais de 60% de desconto para sua última máxima, algo que aconteceu apenas durante as crises de 2008 e 2015 e no início da pandemia da Covid-19.

Por fim, outro ponto é que a alta quantidade de resgates líquidos da indústria de fundos multimercado e de ações no Brasil experienciados em 2022 se mantiveram ao longo de 2023 e início de 2024, sendo esta uma tendência que pode se reverter com cenário de queda de juros.

Futuro das small caps

As oportunidades da Bolsa brasileira animam Heilberg, com projeções de crescimento de 15% ao ano de lucro, negociação em 8 vezes Preço/Lucro – desconto de 21% sobre a média histórica –, e tendência favorável da taxa terminal de juros em 2024.

No geral, o CIO frisa que o importante é focar em empresas que têm alta qualidade de resultados, previsibilidade de fluxo de caixa futuro, e, por consequência, baixo risco de perda permanente de capital. 

“Continuamos em um cenário de retornos muito interessantes e acima da média dos últimos anos, mesmo com a alta recente do preço das ações de companhias que compõem nosso portfólio”, concluiu.

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