Não é incomum ver investidores de renda variável e diversas empresas comemorando toda vez que a Selic sofre um corte por parte do Banco Central (Bacen). No dia 2 deste mês, a autarquia decidiu por reduzir a taxa em 0,50 p.p., em vista da desaceleração da inflação nos últimos meses.
A Selic é a taxa básica de juros da economia e a principal ferramenta de política monetária utilizada pelo Bacen a fim de controlar a inflação.
“Essa taxa exerce influência sobre todas as outras taxas de juros vigentes no país, abrangendo empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras”, afirmou a autarquia em seu site.
Mas como se dá o efeito dos juros básicos sobre a economia na prática? Os juros afetam diretamente o nível de investimentos e consumo das empresas e pessoas, ao mexerem com o custo de crédito.
Além disso, a Selic evidentemente mexe com o câmbio, ao deixar a moeda brasileira mais ou menos atrativa para o investidor estrangeiro.
Efeito da Selic para consumo e investimentos
Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos, explica que a principal forma como a taxa afeta os consumidores e investidores é por meio do crédito.
Quando a Selic está em alta, o crédito fica escasso e o poder de compra do consumidor diminui, já que se torna mais difícil parcelar ou pegar empréstimos.
“Para investimentos é a mesma coisa. O crédito, o financiamento, o capital de giro, as linhas de crédito para comprar mercadorias, tudo fica mais escasso. Então você acaba investindo menos”, afirmou.
De acordo com Beto, setores que trabalham constantemente com parcelamentos – como o de imóveis, veículos e o varejo linha branca – são bem afetados por ciclos de alta na taxa.
Outro ponto é o endividamento. O especialista expôs que tanto pessoas físicas quanto empresas que possuem dívidas altas têm empecilhos para pagar este débito, por conta do custo de crédito mais elevado, em um cenário de Selic mais alta.
Expectativa de inflação
A Selic possui uma relação diretamente proporcional com a expectativa de inflação, isto é, quando uma sobe, é esperado que a outra suba também.
Entretanto, Beto indica que, numericamente falando, não dá para ter certeza do quanto dessa expectativa se transformará efetivamente em inflação.
“Mas a expectativa é uma das coisas observadas pelo próprio Banco Central para poder mexer na taxa de juros”, afirmou.
Um dos pontos principais em que esta projeção afeta consumidores e empresas é a partir do reajuste de contratos, especialmente os mais longos, como aluguel ou mensalidade escolar.
E o dólar?
Já nesse caso, a relação é inversamente proporcional: quando a Selic diminui, o dólar tende a subir.
Beto explica que o Brasil acaba se tornando menos rentável aos olhos do investidor estrangeiro, desvalorizando o real diante da moeda americana.
O analista diz que o dinheiro acaba saindo do Brasil à procura de outros destinos com taxas de juros mais altas.
“Por isso que [o ciclo de cortes na Selic] só pode ser feito em situações em que o Brasil realmente acaba se tornando um país um pouquinho mais seguro.”