Compra bilionária da Klabin [KLBN11] endivida, mas soluciona; veja perspectivas para a empresa

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A Klabin [KLBN11] repercute nesta quinta-feira (21) o anúncio de um dos maiores M&As do ano. A companhia gastou US$ 1,6 bilhão na compra de ativos florestais – terras e árvores – da Arauco Florestal, no Paraná, equivalente a quase R$ 6 bilhões. A aquisição da área, denominada Projeto Caeté, inclui também algumas máquinas e equipamentos.

Com a operação, a Klabin resolve a questão dos investimentos em matéria-prima, reduzindo os custos com madeira e o desembolso de despesas com capital (Capex) para os próximos anos, explica Max Bohm, estrategista de investimentos da Nomos.

De acordo com a XP Investimentos, o negócio acelera o fornecimento de madeira própria da Klabin a um patamar cuja expectativa de pleno alcance era apenas para a próxima década. Além disso, permite também a monetização de terra após as colheitas da commodity.

Área pertencente à Arauco Florestal. [Fonte: Divulgação]

Impactos da transação

A compra vai deixar o caixa da Klabin mais alavancado no curto prazo, mas ainda dentro do limite estabelecido pela companhia, diz Leonardo Piovesan, analista fundamentalista da Quantzed. A empresa tem caixa para fazer frente ao pagamento.

Para ambos os especialistas, o gordo montante é a semente de frutos bastante compensatórios. “A empresa está sacrificando um pouco da geração de caixa nos próximos meses para ficar mais tranquila e ter mais caixa nos anos seguintes”, resumiu Max.

Dada a proximidade geográfica entre o Projeto Caeté e a planta da Klabin Puma II, a transação inclui uma redução nos custos com logística. À redução da distância, acrescenta-se a já mencionada redução de custos com potenciais novas necessidades de matéria-prima.

Há também o escape da flutuação de preços, lembra Leonardo. A madeira “tem subido continuamente de preço a partir de 2020”. O conjunto dos benefícios deve gerar valor para os acionistas, conclui.

Tanto Max quando Leandro classificam a aquisição como positiva.

Apesar do endividamento no curto prazo, analisa o profissional da Nomos, olhando para frente, a Klabin amplia o potencial de geração de caixa operacional e tende a ter fluxo de caixa positivo em breve. “É alavancagem no curto prazo para uma situação mais confortável no longo prazo.”

Foi uma compra terras e madeira em pé por múltiplos atrativos, abaixo dos de transações recentes do que o mercado hoje precifica, ponderou o analista da Quantzed. Ele também classifica o negócio como positivo por gerar sinergias operacionais que devem gerar valor.

Painel de recomendações de KLBN11 em 21 de dezembro de 2023. Ao TradeNews, a Eleven disse que suspendeu a cobertura para Klabin. [Imagem: Bloomberg]

Mas vale investir?

A Quantzed não tem papéis da Klabin em carteira. A XP Investimentos, por sua vez, reiterou recomendação neutra para os ativos diante da notícia, dados os níveis pouco atrativos do valuation da empresa. Para os analistas da casa, o Ev/Ebitda de 7,4x para 2024 limita ainda mais o potencial de valorização das ações.

Já Max Bohm mantém as units da Klabin no portfólio focado em dividendos desenvolvido para a Nomos. Na última segunda-feira (18), o analista comentou que o ativo vem sendo penalizado nas últimas semanas, especialmente em reação ao rebaixamento por três players.

Em 1º de dezembro o Itaú BBA rebaixou a companhia de “market perform”, equivalente a recomendação neutra, para “underperform”, equivalente a venda. Pouco depois, no dia 4, o BTG Pactual rebaixou de compra para neutra. A revisão mais recente é do Goldman Sachs, que passou a recomendação de neutra para venda.

Com a desvalorização posterior às revisões, KLBN11 se encontra em uma região intermediária no gráfico, diz o analista técnico João Tonello. O ativo trabalha longe do suporte principal, de R$ 18,98, e da resistência principal, R$ 23,62.

No mês, o papel cai quase 4%, mas sobe em torno de 2% hoje e cerca de 15% no ano. Max Bohm aprecia Klabin para a estratégia de dividendos, ressaltando o dividend yield recorrentemente em torno de 6% e 7% da companhia.

Para trades, Tonello não vê oportunidades no momento. “Para mim, não é o ativo que mais chama atenção dentro do setor”, acrescenta. Ele gosta mais da Irani [RANI3], mas frisa também não ver pontos de entrada agora, pois o papel também não mostra resiliência no gráfico para acelerar altas.

O setor de papel e celulose como um todo não chama atenção do analista, que vê maior potencial nos setores sensíveis a juros. “A gente tem Simpar [SIMH3], e o setor de construção tem andado bem. Direcional [DIRR3] é o destaque.”

Desempenho de KLBN11 em 2023. [Fonte: Bloomberg]

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