“Agosto, mês do desgosto.” O dito popular ganhou sentido concreto para quem estava comprado no Ibovespa no início do mês, que ainda não registrou um pregão sequer de alta do índice – o qual registrou sua décima desvalorização diária seguida nesta segunda-feira.
O Ibovespa fechou próximo, mas ainda abaixo, dos 117 mil pontos, em patamar não visto desde o final de junho. O movimento pode trazer confusão a quem esperava um impulso significativo no mercado nacional após o Copom definitivamente começar o afrouxamento monetário.

O que está acontecendo no Ibovespa?
A retirada de capital da bolsa brasileira por parte do investidor estrangeiro é a primeira explicação para a sequência de quedas do Ibovespa. “Dinheiro entrou, dinheiro está saindo”, resumiu Max Bohm, estrategista de ações da Nomos Investimentos.
Os mesmos que aportaram mais de R$ 7 bilhões líquidos na B3 em julho já tiraram mais de R$ 6,5 bilhões em agosto. “Estamos em um período de carência de indicadores e notícias positivas, o que está fazendo os gringos realizarem posição, e não estamos tendo fluxo comprador por parte institucional e pessoa física do Brasil.”
A saída de capital ficou visível principalmente em papéis já bem precificados – muitos deles próximos da máxima histórica de fechamento –, como os da Petrobras [PETR3; PETR4], Banco do Brasil [BBAS3], BTG Pactual [BPAC11], Itaú [ITUB3; ITUB4], WEG [WEGE3] e outros. “Ou seja, todos os ativos que têm grande representatividade no Ibovespa.”
Max também destaca a decepção com resultados trimestrais de varejistas como outro fator de pressão sobre o benchmark da B3. “A gente teve resultado aquém das expectativas de Lojas Renner [LREN3], resultado ruim de Grupo Soma [SOMA3], Arezzo [ARZZ3] não veio nenhum resultado surpreendente.”
Por conta das reações aos balanços, papéis ligados ao consumo cíclico doméstico, que poderiam impulsionar o índice diante do corte da taxa Selic, ecoaram a desvalorização dos ativos relacionados ao mercado externo.
Quando o índice passa a subir?
Com cerca de 14% de participação no Ibovespa, a Vale [VALE3] está para o Ibovespa como o Superman para a Liga da Justiça (para os fãs da DC Comics). Ainda em analogia, o atual cenário econômico da China é uma grande pedra de kriptonita.
“Notícias boas da China poderiam afetar positivamente Vale, mas não é o que estamos vendo”, diz Max Bohm em referência à balança comercial de julho aquém do esperado e à deflação de 0,3% no mesmo mês, ambas divulgadas na semana passada.
Em agravante, a incorporadora imobiliária chinesa Country Garden decidiu suspender hoje a negociação de títulos onshore, após estimar prejuízo bilionário no primeiro semestre de 2023. “Logo, o minério recuou pra baixo, US$ 100, veio de US$ 120 pra US$ 100, e a Vale veio nessa mesma toada negativa.”
Notícias positivas da China – como um anúncio concreto e específico de estímulos econômicos – poderiam impulsionar a bolsa brasileira, uma vez que o setor de metais tem mais de 20% de participação no Ibovespa. Internamente, prossegue Max, faltam resultados trimestrais melhores.
Na visão do especialista, os bancos centrais também poderiam ter sua contribuição para o Ibovespa retornar os 120 mil pontos, com talvez o BC sinalizando um corte de 0,75 ponto percentual e alguma sinalização mais clara do Federal Reserve sobre uma pausa definitiva no ciclo de aperto monetário dos EUA.
Como investir em um cenário desses?
Em conclusão à sua leitura do atual momento de mercado, Max recomenda cautela, acompanhando os próximos indicadores para, então, tomar posturas mais arriscadas.
Os grandes players estão na mesma. “Está todo mundo meio on hold, esperando ver para onde vai essa bolsa e, eventualmente, caçar algumas oportunidades.” Para o estrategista da Nomos, as oportunidades mais evidentes no mercado de ações estão no segmento de small caps, as quais ocupam 40% do portfólio Max Ações, desenvolvido para a Nomos.
Promovido pela Nomos Investimentos
Com um portfólio equilibrado, a Carteira Max Ações tem superado o Ibovespa, acumulando mais de 20% de rendimento desde o início do ano.