O Copom realizou de forma unânime um novo corte de 0,5 p.p. na taxa Selic na última reunião do ano, levando a taxa básica da economia para os 11,75%, movimento que já era amplamente esperado pelo mercado e estava precificado.
No comunicado, o Comitê afirmou que o cenário externo se mostra menos adverso graças à desaceleração recente nas curvas de juros futuros americanas e sinais de queda nos núcleos de inflação. Ainda assim, o órgão reafirma a volatilidade na conjuntura internacional e a necessidade de cautela por parte dos emergentes.
Em relação ao cenário interno, o Copom manteve a perspectiva divulgada no último comunicado, afirmando que o conjunto de indicadores segue apontando para uma desaceleração da economia e trajetória de desinflação.
Além disso, a autoridade enfatizou que existem fatores de risco para a inflação em ambas as direções, sendo a persistência maior das pressões inflacionárias; e resiliência da inflação de serviço os riscos de alta. Enquanto os riscos de baixa se caracterizam por uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e os impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.
Outro ponto reforçado mais uma vez pelo Comitê foi a necessidade de cumprimento das metas fiscais, visando a ancoragem das expectativas de inflação e facilitando a condução da política monetária.
Por último, os membros do Copom preveem, de forma unânime, novos cortes de mesma magnitude nas próximas reuniões caso o cenário esperado se confirme, novamente mostrando que há bastante coesão e entendimento nas projeções dos participantes do Comitê.
A alteração relevante no comunicado do Copom foi a percepção menor nos riscos externos, possibilitados pela queda das curvas de juros futuros americanas, movimento que ganhou mais força ontem após o comunicado do FOMC e coletiva de imprensa de Powell.
Fora isso não existem alterações relevantes na percepção do Comitê e vemos os membros bastante alinhados tanto na interpretação da conjuntura atual como das projeções futuras. Dito isso, mantemos as perspectivas de mais cortes de 0,5 p.p. na taxa de juros brasileira para as próximas reuniões.
