CVCB3: O rating aumentou, mas como fica a empresa?

A CVC [CVCB3] publicou fato relevante nesta terça-feira (11), informando que a agência S&P Global Ratings alterou sua classificação para as debêntures da companhia de “D” para “brBB+”, a mais alta desde o início da pandemia. 

Segundo Niels Tahara, head de análise fundamentalista da Benndorf Research, mudanças no rating indicam uma revisão na avaliação de crédito da empresa, isto é, representam uma “melhora ou piora na percepção de risco associado ao pagamento de suas dívidas e obrigações financeiras”.

No caso da CVC, a mudança representa uma melhora para o perfil de crédito da companhia, especialmente pelo alongamento dos vencimentos das dívidas com a reestruturação, segundo o analista.

CVCB3

Apesar da boa notícia, grande parte das casas de análise mantém recomendação “neutra” para a ação da companhia. 

“A recomendação “neutra” pode ser devida à incerteza sobre a velocidade da recuperação das operações da empresa e a evolução do mercado de viagens em geral”, esclareceu Niels.

Além disso, o analista também pontua que, mesmo com a positiva reestruturação da dívida da empresa, a CVC continua a enfrentar desafios para reduzir sua alavancagem e melhorar suas métricas financeiras de maneira resistente.

“Também vale ressaltar que mesmo antes da pandemia a companhia já vinha sofrendo com a forte concorrência de empresas digitais  nas suas operações. O processo de reestruturação para o digital tem demorado”, disse Niels. “Outro ponto é que mesmo com a elevação do rating da dívida, a escala BB+ ainda supõe risco especulativo dentro do grau de investimento da S&P”.

Quanto à visão da Benndorf Research sobre o investimento em CVCB3, a casa entende que os riscos ainda são muitos, em um setor que foi “disruptado” e no qual “o ambiente competitivo está extremamente agressivo”. 

“Não vemos como um bom investimento dentro do cenário atual”, sintetizou Niels. 

Entre razões e emoções

O principal motivo para a revisão de rating, explicou Niels, foi o reperfilamento da dívida da CVC, o qual levou a uma estrutura de dívida “mais gerenciável e sem vencimentos concentrados no curto prazo”. 

“Além disso, a perspectiva de recuperação gradual das operações e melhora das margens e geração de caixa também contribuíram”, prossegue. 

Vale lembrar que a CVC estava com avaliação “D”, a pior dentro da classificação da S&P Global Ratings. A empresa deve este mau resultado à reestruturação de suas debêntures, de acordo com o analista, entendida como um calote pela agência.

Por isso, a reestruturação da companhia envolveu a alteração de condições das debêntures e o prolongamento do prazo de vencimentos, indicou Niels. 

“De acordo com as diretrizes e definições de rating, isso não se caracterizou como uma reestruturação de fato, levando à atribuição da nota “D”, que sinaliza graves dificuldades financeiras e risco de inadimplência nos compromissos de dívida da CVC”, completou. 

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