Da disparada à volatilidade: como foi a primeira semana do Nubank na Bolsa de NY e na B3

Da disparada à volatilidade: como foi a primeira semana do Nubank na Bolsa de NY e na B3


Passados os primeiros dias da estreia na Bolsa de Nova York (NYSE), as ações do Nubank (NYSE:NU) têm enfrentado alta volatilidade. Se pregão de estreia, na última quinta-feira (9) os papéis saltaram 14,8% – após chegarem a disparar mais de 30% no início das negociações –, nos seguintes as suas ações nos EUA e os seus recibos de BDRs (NUBR33) na B3 passaram por altos e baixos, mostrando forte volatilidade dos ativos. Contudo, ainda encerraram a primeira semana de negociação no positivo.

Após serem precificados a US$ 9, em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), seus papéis fecharam a sessão da última quinta-feira a US$ 10 na Bolsa de Nova York, levando ainda os seus investidores a um ganho de cerca de 11% na sua primeira semana de operação.

Já os seus BDRs, terminaram a primeira semana de negociação a R$ 9,49, ou uma alta de 13,52% em relação ao preço do IPO. Contudo, alguns dias foram de bastante queda para os papéis NUBR33, como os dias 13 e 14, quando caíram 7,39% e 13,15% respectivamente.

Confira abaixo o desempenho dos ativos por data:

BDRs NUBR33:

Dia09/1210/1213/1214/1215/1216/12
Variação+20,10%+14,54%-7,39%-13,15%+3,14%-0,52%
Preço de fechamentoR$ 10,04R$ 11,50R$ 10,65R$ 9,25R$ 9,54R$ 9,49

Ações NU em Nova York:

Dia09/1210/1213/1214/1215/1216/12
Variação+14,77%+14,71%-8,78%-8,23%+0,91%-0,10%
Preço de fechamentoUS$ 10,33US$ 11,85US$ 10,81US$ 9,92US$ 10,01US$ 10,00

Mesmo que quem tenha entrado no IPO, ainda esteja no no lucro, por que tanta oscilação nos preços das ações?

Para Felipe Garkalns, head de Private Banking da MyCap, o IPO do banco foi muito bem-sucedido. No entanto, acredita que a data não tenha sido muito favorável à estreia.

“Prestes à reunião do Federal Reserve, os investidores tiveram receio do anúncio de medidas mais duras, como um tapering mais pesado ou aumento antecipado da taxa de juros. Isso levou a um movimento especulativo de forte alta das ações no lançamento, mas, logo em seguida, o volume de venda foi grande, justamente pela expectativa do posicionamento do Fed”, disse.

Para Danielle Lopes, sócia da Nord Research, as ações do Nubank não estão sofrendo, necessariamente, por causa de fundamentos. Segundo ela, o que ocorre é que a demanda por IPOs já estava muito desaquecida.

“Nesse contexto, as empresas de tecnologia tendem a sofrer, pois precisam constantemente de capitalização. Isso também faz o mercado pensar se o Nubank conseguirá continuar se reinventando e começar a gerar lucro”, conclui Danielle.

Segundo Sidney Lima, analista da Top Gain, já era esperada a euforia do mercado na abertura de capital do Nubank. “As ações subiram muito principalmente por causa da forte base de pessoas físicas do banco, formada especialmente pelo público mais jovem. Essa alta também foi impulsionada pelos movimentos estratégicos de marketing da própria instituição”, acrescentou.

Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, acrescenta que as altas volatilidade e liquidez tendem a cair ao longo dos pregões. E contextualiza: “O Nubank emplacou seu IPO na maior faixa de preço. Já no primeiro pregão, as ações chegaram a atingir o pico de US$ 12,24, alta de 36%, mas depois o volume já diminuiu bastante”, afirmou.

Queda geral do mercado

Gonçalvez ressalta ainda que, na segunda-feira (3º dia de negociação das ações do banco), o mercado acionário, de forma consolidada, caiu. “Naturalmente, essa queda atingiu também as ações do Nubank”.

Segundo ele, mesmo que as ações tenha seguido em seguida, ao longo da semana, “isso não é motivo para pânico”, já que é normal, no começo das negociações em bolsa, que ocorra bastante liquidez e muita volatilidade.

“A partir de agora, a tendência é de que a liquidez vá diminuindo e, automaticamente, a volatilidade também. Logo, não há motivos para pânico, pois esse é um movimento normal do mercado. Quem entrou no IPO ainda está no lucro”, conclui o CEO da Box Asset.

Ação acima do preço

Segundo a Top Gain, além da euforia normal do mercado nesses momentos, as ações do banco caíram por estarem com o preço acima do valuation, segundo avaliação de profissionais do mercado.

“Se comparado a seus pares do setor de tecnologia, ou a empresas do setor financeiro, a ação/BDR do Nubank teve uma estreia com o preço muito acima do que realmente vale”, avaliou.

No mais, acrescentou, era esperado que ocorresse “uma queda de braços entre a pessoa física, levando este preço para cima, contra o institucional, forçando a queda do papel”.

“E, normalmente, quem tende a ganhar disputas assim é o investidor institucional”, ponderou o analista Sidney Lima.

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