A Telefónica [VIVT3] avança mais de 2% nesta segunda-feira (18). A empresa acaba de obter aprovação da Anatel para realizar reduções de capital, no valor máximo total de R$ 5 bilhões – instigando expectativas de maior distribuição de dividendos aos acionistas.
A redução de capital torna a empresa mais atrativa enquanto investimento, principalmente para investidores focados no recebimento de proventos, confirma o analista da Eleven Bruno Marin.
Ele afirma que, historicamente, a companhia é conhecida por distribuir bons proventos aos acionistas, mas que nos últimos trimestres vem decepcionando neste quesito, principalmente por causa de uma série de investimentos realizados.
“Com a redução do capital, o valor de até R$ 5 bilhões poderá ser distribuído aos acionistas como dividendos, o que representaria um dividend yield potencial de aproximadamente 7%”, explica Marin.
Por si só, o novo percentual já seria superior aos aproximados 5,3% vistos nos últimos 12 meses.
Na questão operacional, nada é afetado pelo tamanho do capital social da empresa. O que está em questão é a atual distribuição de proventos e consequentemente a performance das ações da Telefónica.
“Como a empresa possui poucos lucros acumulados e fica dependente de lucros futuros para remunerar os acionistas” – lucros ainda pressionados por um custo de dívida alto –, “os seus dividendos ficaram prejudicados e a diminuição de capital pode ser uma opção de manter esse dividend yield atrativo”, completa o analista.
Além do DY, VIVT3 pode voltar a andar, uma vez que os investidores possivelmente voltariam a enxergar o papel como uma boa opção de investimentos para dividendos.
Max Bohm, estrategista de ações da Nomos, explica que a redução de capital acontece para que a Telefónica possa cumprir o pagamento de 100% do lucro líquido em dividendos, previsto no estatuto da companhia.
“Essa é uma boa notícia”, reage. Ele correlaciona o fato relevante com a valorização superior a 2% de VIVT3 hoje, “pois estima-se que a Telefónica vai poder pagar em torno de 150% do que ela registra de lucro anual”.
Entre os players do mercado, a recomendação de compra é majoritária. Curiosamente, os grandes players parecem ter visões divididas a respeito da Telefônica. Enquanto Goldman Sachs e Citi recomendam a compra do papel, visando longo prazo, o JP Morgan vai na direção oposta, com recomendação equivalente à venda.
A curto prazo, VIVT3 está rompendo pelo gráfico semanal um pivô de alta, “bem alinhado”, segundo o analista técnico da Benndorf Filipe Borges, “porque há aumento de volume na perna um”.
Confirmando o fechamento acima dos R$ 44,00, o ativo abre espaço para altas entre R$ 49,60 e R$ 53,50. Vale destacar que há uma resistência em R$ 50,40.
“Eu manteria a posição, deixaria o stop abaixo de R$ 40,60 e acompanharia os próximos dias”, recomenda o analista.
