No período entre janeiro e março deste ano, a Taurus [TASA4] apresentou lucro líquido de R$ 35,4 milhões. O número foi 81,8% menor em comparação aos R$ 195 milhões apresentados no primeiro trimestre do ano passado.
Além disso, a fabricante de armas também registrou queda de 31,9% na comparação anual entre o volume de vendas. No primeiro trimestre deste ano, as vendas foram de 352 mil unidades de armas.
“É um resultado fora da curva, mas não é uma tendência”, afirmou o CEO da Taurus, Salesio Nuhs, em live com o head de research da Eleven Financial, Carlos Daltozo, a fim de explicar o recente balanço trimestral.
Sergio Sgrillo, CFO da companhia, também estava presente.
O contexto
“A gente não pode analisar o primeiro trimestre deste ano isoladamente”, afirmou Salesio. Segundo ele, de forma geral, o país segue em compasso de espera, com férias coletivas em diversas empresas, incluindo na Taurus.
O CEO explica que um dos motivos desse movimento da empresa foi a estratégia para a diminuição dos estoques da cadeia nos Estados Unidos.
Este recuo seria consequência da desaceleração do boom de vendas que ocorreu em 2021 e 2022, de acordo com Salesio.
Sergio ainda aponta que, no primeiro trimestre de 2022 – principal parâmetro de comparação com o resultado do 1T23 – a companhia obteve a última parte da recuperação do PIS e Cofins sobre o ICMS.
“A gente teve R$ 18 milhões lançados, que acabaram sendo uma receita”, afirmou o CFO. “Quando (se) tira esse efeito, acaba percebendo que (se) manteve o mesmo nível de despesa que teve nesse primeiro trimestre, mesmo com inflação.”
O CEO comentou sobre o decreto feito pelo governo Lula bem no início de seu terceiro mandato, em janeiro, que suspendeu a autorização para a aquisição de armas de uso restrito e munições.
O decreto não foi ruim para o segmento, segundo Salesio, porque os calibres para o mercado civil foram mantidos (em relação às armas de uso permitido), em especial o de nove milímetros.
Agora, a empresa aguarda a publicação do novo decreto confeccionado pelo Ministério da Justiça e a ser postado no fim deste mês.
“O que esperamos com esse decreto é que ele traga segurança jurídica para o segmento e o futuro”, afirmou Salesio.
Sobre dividendos
Sergio explicou que foram aprovadas recentemente, em Assembleias, reservas para recompra de ações, pois a empresa acredita que o valor de seus ativos está subavaliado no mercado.
Também foi aprovado o pagamento de dividendos mais constantes, apesar de ainda não ter sido definida a frequência.
Agora, o Conselho de Administração da Taurus precisa deliberar sobre esses dois pontos e aprová-los.
Negócios nos EUA
O mercado americano voltou a ser protagonista nos resultados da Taurus, diferentemente da configuração dos últimos anos.
Sergio explicou que o ticket médio da empresa nos EUA avançou US$ 100 entre 2018 e 2023, passando de US$ 150 para US$ 250.
Segundo o CEO, esse movimento não veio por conta do aumento de preços, e sim por causa de portfólio e valor agregado maiores. Ele também indicou esperar os mesmo volumes de 2020 para o mercado civil americano.
A Taurus ainda não conseguiu adentrar no mercado de Law Enforcement americano da mesma forma que no civil.
Para poder entrar neste segmento, a empresa pensa numa aquisição de uma empresa americana menor do setor, mas que já esteja consolidada neste mercado.
O CEO declarou que a companhia pretende fazer a movimentação de forma gradual e com muito cuidado, por conta do cenário atual de cautela nos EUA com a alta na taxa de juros.
O investimento em tecnologia constante da empresa também faz parte dessa tentativa de entrar no mercado de Law Enforcement, além de ser um diferencial da empresa, de acordo com o CEO.
Negócios na Índia
“Então a gente realmente, agora, oficialmente fincou o pé lá”, afirmou Sergio. Recentemente, a Taurus abriu uma joint venture na Índia.
O CFO mencionou que no dia 2 de maio, a empresa recebeu os BIDs de licitação para entrega de 425 mil fuzis no país, com cerca de 15 competidores, e os resultados devem chegar no início do ano que vem.
Sergio declarou que, quando a Taurus conseguir todas as licenças necessárias, pretende começar a vender no mercado civil indiano, mesmo que ele seja menor.
“A Índia está muito preocupada com a segurança interna e externa, e isso vai gerar negócios”, afirmou Salesio.