Economia em Destaque: Ômicron aumenta a volatilidade dos mercados

Economia em Destaque: Ômicron aumenta a volatilidade dos mercados


Resumo

No cenário internacional, a variante Ômicron segue sendo destaque a medida que vai se tornando a cepa dominante do coronavírus. Se por um lado a nova variante tem piorado o quadro para a atividade econômica, a inflação pressionada torna maior a probabilidade de elevações de juros mais cedo que o previsto nos EUA.

No Brasil, a aprovação do orçamento de 2022 trouxe um alívio na frente fiscal e deu fim ao ano legislativo. Na seara de dados econômicos, o IPCA-15 aponta desaceleração no final do ano e a criação de empregos formais surpreende positivamente. Na próxima semana, destaque para as contas públicas de novembro e para a “inflação do aluguel” (IGP-M de dezembro).

Atualizações Covid-19

Estudos feitos na África do Sul e na Escócia indicam que a variante Ômicron é mais branda que as versões anteriores do coronavírus, sendo responsável por menos infecções graves. Entretanto, devido à sua alta transmissibilidade, os riscos persistem.

Os dados oficiais brasileiros de casos, óbitos e vacinação seguem apresentando instabilidade desde o ataque hacker de 9 de dezembro. A tendência continua sendo de melhora do quadro geral da doença no país.

Nesta semana, o intervalo para a dose de reforço da vacinação passou de 5 para 4 meses em todo o país, e foram apresentados pareceres favoráveis à vacinação de crianças entre 5 e 11 anos.

Cenário Internacional

Medidas de restrição e lockdowns em países desenvolvidos

O avanço da variante Ômicron, que já é responsável por mais de 70% dos novos casos nos EUA já tem afetado a atividade econômica. No Reino Unido, país mais afetado pela nova variante, existe a possibilidade de volta de estímulos fiscais. A Holanda já decretou lockdown até meados de janeiro, enquanto Irlanda e Alemanha anunciaram novas restrições de mobilidade.

Pacote de estímulos fiscais com foco socioambiental em xeque nos EUA

O Build Better Act, pacote socioambiental de US$ 2 trilhões de Biden foi posto em xeque esta semana com falas do senador democrata Joe Manchin. O pacote, que seria direcionado para investimentos em educação, saúde e clima preocupa o senador dada possível pressão inflacionária e dimensionamento do gasto. O senador é peça chave para aprovação, e já houve sinalização de possíveis ajustes no projeto para atender suas demandas.

Inflação elevada nos EUA eleva a probabilidade de alta de juros mais cedo

O deflator das despesas de consumo pessoal (PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve, banco central americano) de novembro manteve ritmo de outubro, com aumento de 0,6% no mês. Em 12 meses, o PCE acumula alta de 5,7%.

A inflação em nível elevado para o país (a meta é 2% ao ano) tem levado o banco central a sinalizar altas de juros em 2022.

Decisão de juros e estímulo monetário na China

O banco central chinês (BPoC) cortou sua taxa básica de empréstimos de 1 ano de 3,85% para 3,80%. A taxa de 5 anos permanece inalterada. Nas últimas semanas, as autoridades chinesas têm afrouxado gradualmente a política econômica em resposta à desaceleração econômica. Os analistas de mercado esperam mais estímulos à frente, para apoiar o crescimento e evitar um pouso forçado da economia.

Enquanto isso, no Brasil…

Orçamento de 2022 é aprovado

No Brasil, o Orçamento de 2022 foi aprovado no Congresso, dando fim ao ano legislativo. Entre os pontos mais polêmicos, a peça orçamentária destinou R$ 4,9 bilhões ao fundo eleitoral, R$ 16,5 bilhões às emendas de relator e R$ 1,7 bilhões para o reajuste de policiais e outras carreiras selecionadas do setor público. Após o alargamento do teto de gastos e o não pagamento de precatórios, o orçamento de 2022 parece crível, mas não será executado sem desafios.

Prévia da inflação de dezembro veio abaixo do esperado, mas ainda denota pressões importantes de preços

O IPCA-15 de dezembro registrou alta de 0,78%, abaixo das estimativas (XP: 0,83%; consenso: 0,81%). A desaceleração refletiu forte deflação concentrada em itens de cuidado pessoal. Em 12 meses, o índice caiu de 10,73% para 10,42%.

Apesar da desaceleração no índice agregado, o grupo de serviços apresentou alta acima das nossas expectativas. A inflação também tem se mostrado mais espalhada, uma vez que quase 70% dos itens pesquisados pelo IBGE subiram de preço.

Arrecadação tributária desacelera em novembro, em linha com o enfraquecimento da economia

A arrecadação tributária total atingiu R$ 157,3 bilhões em novembro, o que representa um pequeno aumento de 1,4% em termos reais em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado veio um pouco acima do consenso de mercado e é o melhor para o mês desde 2014.

Apesar dos resultados positivos, a arrecadação de tributos começa a perder força, principalmente devido à desaceleração da atividade econômica nos últimos meses. Se esta tendência se acentuar em 2022, o risco da sustentabilidade da a dívida pública tende a crescer, com efeito negativo sobre os mercados (especialmente taxa de câmbio e juros futuros).

Criação de empregos forte em novembro

O Brasil criou 324 mil vagas formais de emprego em novembro, segundo o Ministério da Economia. O resultado ficou acima do esperado por analistas de mercado (XP: 210 mil vagas; consenso: 223 mil vagas). Destacamos o papel do BEm, programa do governo para manutenção do emprego, que foi renovado este ano e vem tendo papel importante na recuperação do mercado de trabalho.

O setor de serviços foi o destaque positivo, beneficiado pela tendência de reabertura da economia.

O que esperar para semana que vem?

A última semana de 2021 reserva poucas divulgações importantes no lado internacional. Destaque para dados de produção industrial na Alemanha, vendas e preços de moradias nos EUA, além de índices de gerentes de compras (PMI, sigla em inglês) na China.

No cenário doméstico, a agenda traz a divulgação da taxa de desemprego referente ao trimestre móvel até outubro, do IGP-M de dezembro (conhecido como a “inflação do aluguel”) e do resultado das contas públicas de novembro.

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