Emprego dos sonhos ou salário mais alto? Para os trabalhadores de hoje, a resposta está mudando

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Os dias de conseguir um emprego cobiçado para se vangloriar estão desaparecendo diante da inflação e das altas taxas de juros

Para um emprego de prestígio nos EUA no início da carreira, é difícil superar o Teach for America (TFA). O programa geralmente aceita menos de 20% dos candidatos, o que lhe confere o status de elite de uma universidade de prestígio. 

Além disso, juntar-se ao corpo docente da TFA em escolas passando por dificuldades traz admiração por fazer o bem, juntamente com acesso a uma rede de ex-alunos bem-sucedidos. 

No entanto, há uma década, os números da organização sem fins lucrativos diminuíram de cerca de 6.000 professores para cerca de 2.200 hoje.

Uma razão destacável: pagamento. O Teach for America adicionou milhões de dólares em bolsas para se aproximar dos bônus de contratação. Isso ajudou a tornar a turma deste outono [americano] 38% maior do que a última.

Na disputa entre amor e dinheiro, o dinheiro tem mais influência agora. De empresas de contabilidade a laboratórios de pesquisa médica, empresas e organizações que tradicionalmente atraíam candidatos por concederem prestígio ao invés de salário mais alto estão perdendo talentos.

A inflação, os custos habitacionais, a dívida estudantil e o aumento das taxas de juros fazem com que muitos trabalhadores digam que a ideia de um desconto de prestígio – aceitar menos dinheiro por um emprego altamente conceituado – é simplesmente impraticável.

O Teach for America adicionou milhões de dólares em bolsas para aproximar-se dos bônus de contratação. [Foto: Teach For America/The Wall Street Journal]
O salário tem que ser um fator importante quando os futuros professores podem ganhar consideravelmente mais no setor privado, diz a CEO do Teach for America, Elisa Villanueva Beard. 

O objetivo: crescer novamente para entre 3.000 e 4.000 professores.

“Nossa concorrência por universitários recentemente graduados são empresas de tecnologia e grupos de consultoria, onde eles poderiam estar ganhando o dobro”, diz Villanueva Beard. “Perdemos muitos nos últimos anos. Como você ganha quando as finanças são importantes para as pessoas?”

Desafio generalizado

Pesquisas da Gallup e do Pew Research Center mostram que a remuneração, sempre uma peça-chave das decisões de carreira, tornou-se uma prioridade ainda maior para os candidatos a emprego nos EUA nos últimos anos. 

Muitos trabalhadores não se definem pelos títulos de seus empregos como antes da pandemia, então não se importam em trabalhar para empresas menos conhecidas se esses empregadores pagarem mais para que possam ter uma vida pessoal mais plena.

Um professor universitário que aceitou um corte salarial para mudar de uma universidade estadual para Yale há alguns anos me disse que não tem tanta certeza de que tomaria a mesma decisão hoje. Outros acrescentam que empregos prestigiosos muitas vezes exigem longas horas de trabalho ou tempo longe da família, o que pode fazer com que salários de seis dígitos pareçam desvalorizados. 

Um ex-engenheiro do Google descreveu a sensação de ter recebido um aumento quando fez uma mudança lateral para uma startup financiada por capital de risco, porque ganhava mais em termos de horário.

É inteligente olhar com olhos críticos para qualquer cargo que não maximize o seu valor, diz Betsey Stevenson, ex-economista-chefe do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos. 

“Só faz sentido aceitar um corte salarial por um emprego prestigioso se você acredita que isso vai acabar lhe pagando mais no futuro, facilitando uma ascensão mais rápida na carreira”, afirma Stevenson, atualmente professora de política pública e economia na Universidade de Michigan.

Diferencial no seu currículo. Pouco dinheiro na sua carteira.

Tantos cientistas estão evitando bolsas de pós-doutorado que o National Institutes of Health (NIH) convocou um grupo de trabalho para abordar o problema de recrutamento. 

As posições de pós-doutorado financiadas pelo NIH parecem impressionantes em currículos, mas vêm com bolsas de primeiro ano de US$ 56.484, muito menos do que muitos cargos na indústria.

“Na biomedicina, os pós-doutorandos estão conduzindo os experimentos. Eles estão fazendo a ciência de ponta”, explica Donna Ginther, economista da Universidade do Kansas que faz parte do grupo de trabalho do NIH. 

A escassez de pós-doutorandos ameaça o pipeline nacional de pesquisa médica, acrescenta ela.

Igrejas e sinagogas estão alertando para uma iminente escassez de clérigos. Ser reverenciado como reverendo ou rabino não está atraindo as pessoas para o trabalho divino como costumava fazer.

E se Deus está tendo dificuldades, imagine como é para o Tio Sam. O prestígio do serviço público não é mais o atrativo que costumava ser, então o governo federal está oferecendo melhores salários e benefícios, como bônus de contratação de US$ 20.000 para alguns empregos difíceis de preencher na Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.

Até mesmo bancos e empresas de consultoria de primeira linha que atraem talentos como o Teach for America aumentaram os salários para se manterem competitivos, já que mais trabalhadores estão olhando além das marcas estabelecidas para alcançar as melhores ofertas.

Davis Nguyen, um coach de emprego para pessoas que tentam ingressar em consultoria de gestão, diz que historicamente muitos candidatos aceitariam um salário mais baixo se fossem oferecidos um cargo em uma das três empresas mais conhecidas, McKinsey & Co., Boston Consulting Group e Bain & Co., onde ele trabalhou.

Nguyen estima que a parcela de seus clientes dispostos a deixar dinheiro na mesa por um emprego prestigioso diminuiu para cerca de 30% nos últimos três anos. A maioria se juntaria a uma empresa de consultoria menos conhecida ou aceitaria um emprego em uma área diferente por US$ 25.000 a US$ 35.000 a mais.

“Às vezes, eles perdem grandes talentos porque não podem oferecer mais”, diz ele sobre as empresas de primeira linha.

Oportunidade de recrutamento para empresas menores

Avani Desai se sentiu como uma anomalia quando deixou um cargo de diretora na KPMG em 2012. Seu papel em uma das quatro maiores empresas de contabilidade era um sinal de sucesso e acreditava que estava no caminho certo para se tornar sócia.

Avani Desai deixou um cargo de diretora na KPMG por uma oportunidade em uma empresa de contabilidade muito menor. [Foto: Schellman/ The Wall Street Journal]
No entanto, ela viu um teto mais alto na Schellman, uma empresa de contabilidade muito menor com sede em Tampa, Flórida, que tinha 10 anos na época. Ela também foi atraída pela opção de trabalhar em casa, tendo passado 52 dias com seu filho recém-nascido durante o primeiro ano de vida dele por causa de viagens relacionadas ao trabalho. Desai ingressou na Schellman como vice-presidente executiva e tornou-se CEO em 2021.

“Esta foi uma jogada estratégica para maximizar meu crescimento profissional e minhas contribuições profissionais, e maximizar o que meu potencial financeiro seria ao longo do tempo”, comenta ela.

Desai percebe que decisões semelhantes são agora mais comuns para seus colegas e, para sua satisfação como chefe, também para as pessoas que ela recruta. Ela diz que a combinação de ótimos salários e mais flexibilidade a ajudou a atrair pessoas de empresas mais conhecidas, incluindo Microsoft e Amazon, contratando pessoas que não teriam considerado sua empresa no passado.

(Com The Wall Street Journal; Título original: Dream Job or Higher Salary? For Today’s Workers, the Answer Is Changing)

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