Éxito e GPA [PCAR3]: entenda a novela entre as duas varejistas

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) [PCAR3] recebeu, na terça-feira (18), uma nova oferta não solicitada por parte do empresário colombiano Jaime Gilinski para aquisição parcial das ações do GPA no Grupo Éxito. 

A oferta foi de US$ 586,5 milhões para adquirir 51% do capital social do Éxito, o que representaria US$ 1,150 bilhão pela totalidade do capital social do grupo. 

Entretanto, o GPA [PCAR3] anunciou nesta sexta-feira (21) que rejeitou a oferta.

O bilionário já havia feito outra proposta em junho, quando ofereceu cerca de US$ 836 milhões pela participação acionária total de 96,52% do Grupo no Éxito.

Com a recusa, apenas crescem os questionamentos do que o GPA pretende fazer com sua participação no Éxito no futuro.

O analista de varejo da Eleven Financial, Niels Tahara, afirmou acreditar que uma venda pode ser vantajosa para o GPA, dependendo do valor da transação. Isso porque a operação permitiria reduzir a alavancagem da empresa e/ou distribuir o valor aos acionistas.

Carol Sanchez, analista de varejo da Levante, também compartilha a mesma visão de Niels. 

“A venda do Éxito tiraria basicamente a empresa de uma alavancagem bem alta que a gente vê hoje para uma situação de caixa líquido”, afirmou. 

Por outro lado, ela entende que a operação só deve ocorrer se o valor apresentado for equivalente ao valor real de mercado do Éxito, ou, pelo menos, perto disso.

Recomendação para PCAR3

Para Niels, a recomendação para o ativo é de compra. Ele alerta que as operações brasileiras estão enfrentando dificuldades e passando por um processo de reestruturação, sofrendo também com o cenário de juros maiores.

Entretanto, o analista afirmou que, mesmo sendo um case arriscado, enxerga valor no ativo, especialmente por sua participação no Éxito, além de também possuir participação na Cnova.

Já para Carol mantém recomendação neutra para o papel.

“Nossas perspectivas são de que a companhia continue ainda enfrentando um cenário um pouco mais desafiador durante  todo esse processo.”

GPA e Éxito

Carol disse que o Éxito já teve um peso muito grande para os negócios do GPA e que vem sendo segregado das operações, especialmente por conta do endividamento significativo do Casino – acionista majoritário do grupo brasileiro.

Ela afirma que o projeto do Casino para o Éxito é percorrer o mesmo caminho que foi trilhado com o Assaí [ASAI3], ou seja, promover uma cisão entre os dois grupos – GPA e Éxito.

Além disso, a analista explica que o Casino falou em apresentação que pensa em se desfazer de suas operações na América Latina. 

“A ideia [do Casino] seria separar o Éxito e vender, posteriormente, a operação e vender também a operação do GPA”, disse a analista. Apesar disso, ela esclarece que não há nada concreto ainda e não se sabe se esse realmente serão os próximos passos da empresa francesa.

De acordo com Niels, atualmente, o Éxito não tem um papel dentro do Grupo Pão de Açúcar.

Inclusive, segundo ele, a expectativa é de que haja uma segregação do grupo colombiano do brasileiro ainda neste ano.

Ele explica que o objetivo será destravar valor para os acionistas do Pão de Açúcar.

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