Fabricantes de vacinas correm para criar reforço contra ômicron em 100 dias

Fabricantes de vacinas correm para criar reforço contra ômicron em 100 dias


Em uma fábrica ao longo de uma rodovia a 32 quilômetros ao norte de Boston, centenas de funcionários da Pfizer se preparam para produzir milhões de doses de uma nova vacina, no que parece cada vez mais ser a próxima fase de combate à Covid-19.

O trabalho na unidade em Andover, Massachusetts, começou no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, assim que a Organização Mundial da Saúde designou a ômicron como uma variante de preocupação. O objetivo da iniciativa: produzir um reforço específico contra a nova cepa do coronavírus, que apresenta diversas mutações, em menos de 100 dias.

Ninguém sabe ainda o alcance da ômicron, a gravidade dos casos provocados pela variante ou mesmo se novas vacinas serão necessárias. O conselheiro médico-chefe da Casa Branca, Anthony Fauci, disse que relatos sobre o nível de gravidade até agora têm sido “encorajadores”. Mas se dados laboratoriais do mundo todo forem confiáveis, a cepa tem maior capacidade de resistir às vacinas existentes do que qualquer outra até agora.

Das 43 infecções causadas pela ômicron nos Estados Unidos analisadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, 80% ocorreram em pessoas com esquema vacinal completo, embora quase todos os casos tenham sido relativamente leves. Autoridades de saúde do Reino Unido esperam que a ômicron ultrapasse a delta como a cepa dominante em questão de dias.

Pesquisadores estão alarmados com cerca de 30 mutações na proteína spike da ômicron, que facilita a entrada do coronavírus nas células. Mudanças em sua aparência dificultam sua identificação e destruição pelos anticorpos. Isso levou a Pfizer, sua parceira BioNTech e a rival Moderna a iniciarem esforços para atacar a variante diretamente com suas vacinas de RNA mensageiro.

“Era a lista de mutações que nunca queríamos ver”, disse o presidente da Moderna, Stephen Hoge, que comanda as operações científicas da empresa. A fabricante de vacinas, cuja fábrica de RNAm fica a apenas 64 quilômetros da Pfizer, começou a estudar a ômicron na terça-feira, antes do Dia de Ação de Graças, e realizou reuniões durante o feriado. Muitos funcionários “tiveram o Thanksgiving arruinado” pela ômicron, disse Hoge.

Os primeiros dados de laboratório sugerem que três doses das vacinas existentes de RNAm protegem contra a ômicron. O que está menos claro é o prazo dessa proteção, uma vez que os anticorpos contra a Covid-19 diminuem com o tempo. A Pfizer espera ter os primeiros dados da eficácia de sua vacina no mundo real contra a variante antes do fim do ano.

Embora as empresas não revelem detalhes sobre o andamento das pesquisas, ambas estão empenhadas em uma resposta rápida. Quando a notícia da variante surgiu na África do Sul, o CEO da Pfizer, Albert Bourla, decidiu quase imediatamente iniciar a fabricação em grande escala de uma dose específica para a ômicron. O trabalho foi acelerado tão rapidamente que a Pfizer não contabilizou os custos.

“Eu não poderia te dar o número agora; nem tenho certeza se falamos sobre isso”, disse Mike McDermott, diretor da cadeia de suprimentos global da Pfizer, que fornece atualizações sobre o andamento do processo para Bourla. É muito atípico para uma farmacêutica iniciar a fabricação em larga escala de um produto que pode não ser necessário, afirmou.

O processo de produção em Andover pode começar qualquer dia, disse McDermott. Trabalhadores estão esperando que os pesquisadores da empresa em Chesterfield, Missouri, finalizem e entreguem uma linha de células-mestre contendo uma sequência genética que será usada na vacina específica.

Ao sul de Boston, as instalações da Moderna em Norwood, Massachusetts, têm as salas preparadas para produzir RNAm e as nanopartículas de lipídios que revestem o frágil material genético. Antes controlada pela Polaroid, a fábrica é a primeira da Moderna e tem se expandido rapidamente desde o início da pandemia.

Em 2020, a Moderna levou 42 dias para produzir lotes de sua vacina original contra a Covid e 63 dias para iniciar testes em humanos com pesquisadores do governo. Com a ômicron, “nosso objetivo é atingir um cronograma como esse com certeza”, disse Hoge, o presidente da Moderna.

Uma razão pela qual Pfizer e Moderna podem agir rapidamente no caso da ômicron é que as empresas aperfeiçoaram o processo tanto em relação às vacinas originais quanto para versões destinadas às cepas beta e delta produzidas no início deste ano. Embora as vacinas das variantes delta e beta possam não ser necessárias, forneceram uma simulação para a ômicron.

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