Com o primeiro trimestre de 2023 já no passado, a Benndorf Research apresentou, em live, as ações para se ter atenção em abril. O head de análise fundamentalista, Niels Tahara, e o analista fundamentalista Júlio Borba apontam suas visões para o mês.
Simpar [SIMH3]

A holding, que controla sete companhias em áreas diversas, foi o primeiro destaque comentado na live.
Os analistas da Benndorf ressaltaram o quanto a holding estava descontada, comparando seu valor de mercado à soma de seu patrimônio líquido, sendo isto algo a se estar atento. Júlio, inclusive, aponta que o desconto supera em muito o de outras holdings.
Ambos os analistas entendem que a Simpar tem negócios que crescem muito em mercados fragmentados e, em todos eles, a companhia ou é líder ou está entre as líderes.
A empresa tem problemas de alavancagem, e por isso seus papéis sofreram muito no último ano. Apesar disso, Niels aponta que, neste ano, as ações já acumulam 30% de alta.
“Eles já passaram por vários ciclos econômicos […]; inclusive, o que é bem interessante, quando a empresa ainda era JSL, lá em 2015, ela tinha o que era um cenário econômico bem pior do que a gente tem hoje”, afirmou o analista.
“E nessa crise ela estava ali com uma alavancagem financeira em quase 5x DL/Ebitda e conseguiu passar de uma forma bem resiliente”, completou.
O analista assinala que Simpar é um case que deve ter volatilidade de acordo com os movimentos fiscais do governo e, consequentemente, com a nossa curva de juros longos.
“Para quem está olhando para um prazo longo, é uma empresa que tem potencial para crescer, eu diria, que 30% ao ano por muitos anos”, esclareceu.
Ferbasa [FESA4]

A Ferbasa exerce atividades nas áreas de mineração, metalurgia, recursos florestais e energia renovável.
De acordo com os analistas da Benndorf, é uma companhia bem capitalizada, com caixa líquido de R$ 530 milhões, com perfil de grande geradora de caixa e, por isso, distribui bastante dividendos.
Júlio entende que a valorização de Ferbasa vem de alguns pontos cruciais, envolvendo, principalmente, o contexto político, geográfico e econômico de outros dois países: África do Sul e China.
O país asiático depende quase inteiramente da África do Sul para poder obter seu estoque de minério de cromo, que, por sua vez, é essencial para a produção de ferrocromo – um componente vital para várias indústrias.
No entanto, a mineração do minério de cromo na África do Sul tem enfrentado vários obstáculos recentemente, incluindo o aumento dos preços da energia, que impactam negativamente a produção.
Tal cenário é benéfico para a Ferbasa.
“A gente tem também a questão do ferro silício, […] outra ferra liga que a Ferbasa produz, e ele está muito relacionado com o preço da energia. Se a gente for ver, boa parte da produção de FeSi depende de carvão, basicamente a fonte primária de energia para a China”, destrincha Júlio.
Então, com a guerra na Ucrânia interrompendo parte significativa dos investimentos em petróleo, e a Europa procurando outras fontes de energia que não o gás natural russo, a demanda pelo carvão (substituto do petróleo nas usinas termelétricas) aumentou bastante.
“Geralmente quando o preço do carvão sobe, a gente espera que o preço do FeSi suba também, porque boa parte do custo da produção do FeSi é decorrente desse custo com a energia”, explicou o analista.
“A gente viu que isso não aconteceu, mas pelo menos a gente está vendo um suporte de preço bem mais alto do que a gente estava vendo nos últimos anos e a tendência é que ele continue nesse patamar mais alto e também possa até se valorizar”, completou.
Ambipar [AMBP3]

A Ambipar é uma multinacional brasileira do segmento de gestão ambiental, um mercado que está crescendo bastante, de acordo com Niels.
Um dos pontos cruciais destacados pelos analistas em relação às vantagens de se investir na empresa é a desalavancagem financeira, uma vez que ela deve se beneficiar da redução do custo da dívida.
Além disso, Ambipar deve se beneficiar de um crescimento inorgânico, já que está bem posicionada para fazer aquisições e capturar sinergias.
Outro fator importante é a empresa estar inserida em um mercado em crescimento, como mencionado anteriormente, que está muito envolvido com a questão da sustentabilidade.
“Está num mercado que está crescendo, que está muito envolvido com o ESG, tem muita questão de crescimento, tem muito crescimento por via aquisições e tem também muito espaço para o próprio crescimento do mercado”, destacou Niels.
3R Petroleum [RRRP3]

O setor petrolífero obteve pouco investimento nos últimos anos por parte de outras empresas, por conta da transição energética.
“E isso levou o preço do petróleo a subir muito comparado com os últimos anos”, explica Júlio. Por isso, a 3R Petroleum é uma companhia a se considerar para compor carteiras de investimentos.
Júlio também entende que as empresas estão em uma posição favorável e os investimentos continuaram a não aparecer, então é interessante ficar de olho.
A 3R, por sua vez, tem grandes perspectivas de crescimento, pois tem previsão de incorporar o Polo Potiguar e ainda precisa revitalizar os ativos adquiridos. Isso significa que há um grande aumento de produção para a empresa pela frente.
No entanto, vale lembrar que a 3R recentemente anunciou follow-on, a um preço 25% mais barato em relação ao da negociação da última sexta-feira (14).
BTG Pactual [BPAC11]

O BTG é o maior banco de investimentos da América Latina, atuando em áreas como o Investment Banking, Corporate Lending, Sales & Trading e Asset Management.
Para a Benndorf, a instituição tem uma tese de investimento baseada em execução e cultura muito fortes. A resiliência do portfólio é outra vantagem da empresa, a qual consegue lidar bem tanto com cenários de boom quanto com cenários adversos, como o atual.
E, com esse contexto, a habilidade do BTG em conseguir equilibrar a parte de Investment Banking e a parte de juros acaba tornando os ativos uma opção interessante para investidores que buscam estabilidade financeira em diferentes condições de mercado.