A companhia aérea Gol [GOLL4] divulgou na última quarta-feira (26) seu resultado financeiro do primeiro trimestre de 2023 (1T23), no qual apresentou lucro líquido de R$ 619,5 milhões.
Apesar de uma queda de 76,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando registrou lucro de R$ 2,6 bilhões, o resultado superou as expectativas do mercado, que projetava ganhos equivalentes a R$ 58,11 milhões, de acordo com o consenso Refinitiv.
Os resultados financeiros refletem ainda as dificuldades enfrentadas pelo setor de aviação durante a pandemia de Covid-19, que impactou fortemente a demanda por voos e prejudicou as operações das companhias aéreas.
Apesar disso, a empresa mantém os esforços para se adaptar à nova realidade do mercado, buscando reduzir custos e aumentar a eficiência operacional.
Para o jurista e analista técnico da Benndorf João Tonello, um dos fatores de maior relevância sobre os resultados apresentados no 1T23 foi o aumento do endividamento da empresa no período em relação ao mesmo do ano anterior.
No gráfico, o preço desconta tudo
Na análise gráfica, GOLL4 trabalhou em tendência de baixa o ano de 2022 inteiro, explica Filipe Borges, analista técnico da Benndorf Research. O ativo fechou em torno de 55% a 60% de queda no ano passado, e o cenário para 2023 não se altera até o presente.
Para quem não está posicionado em GOLL4 ainda, no entanto, “não há nenhuma indicação de compra para o ativo até o momento”, completa Filipe.
Expectativa x realidade
Apesar da queda no lucro líquido, a companhia aérea apresentou resultados positivos no primeiro trimestre de 2023, superando as expectativas do mercado e registrando um avanço significativo.
Em comunicado divulgado pela administração da Gol, a companhia afirmou que as iniciativas que começaram ano passado para reduzir custos, assim como aumentar a eficiência e a produtividade, continuam a entregar resultados e refletem diretamente em margens Ebitda.
Em contrapartida, a companhia se mantém otimista: “crescemos nossa oferta em 11% comparativamente ao 1T22, resultado da nossa eficiente gestão de capacidade e das iniciativas correntes de diversificação das fontes de receita”, disse a administração da companhia.
No release dos resultados, Celso Ferrer, diretor-presidente da Gol, definiu o ano da empresa como “forte”.
Alçando voos visando o futuro
A companhia anunciou que espera melhorias consecutivas em seus índices de produtividade nos próximos trimestres. Esses aperfeiçoamentos serão impulsionados pela entrada de novas aeronaves em operação e pelas iniciativas em andamento para redução do custo unitário.
Mas ressaltou que tais projeções estão sujeitas a ajustes devido à sazonalidade. A expectativa da Gol é de manter uma trajetória positiva em relação à produtividade e eficiência operacional.
João Tonello apontou que o preço dos combustíveis continua sendo o principal desafio para as empresas do setor, já que tem consumido parte dos avanços operacionais obtidos durante o último trimestre.
Em comentário ao TradeNews, Tonello destacou que outras dificuldades devem surgir ao longo do ano, como a instabilidade do câmbio, que pode impactar diretamente as empresas do setor, as quais precisam estar preparadas para enfrentar essas oscilações.
Diante desse cenário, o especialista ainda destacou que as incertezas em relação ao retorno mais forte da demanda podem impactar diretamente a capacidade das empresas em se recuperar após o período de crise.