O Grupo Pão de Açúcar [PCAR3] lidera os ganhos do Ibovespa nesta terça-feira (31), avançando mais de 7%, após reportar seus resultados do terceiro trimestre de 2023. O prejuízo consolidado do GPA ficou em R$ 1,2 bilhão no terceiro trimestre, uma alta anual de quase 340%.
No entanto, a varejista reportou dois efeitos não recorrentes e sem efeito caixa no trimestre que levaram ao mercado enxergar este número com outros olhos.
Incluindo as operações descontinuadas da empresa – ou seja, contando com os ajustes contábeis relacionados ao spin-off do Grupo Éxito –, o prejuízo líquido da varejista ficou em R$ 2,1 bilhão no período entre julho e setembro. A varejista vendeu o restante de sua participação no colombiano Éxito neste mês, após já ter vendido 83% de sua participação no Grupo em agosto.
Ao considerar somente as operações continuadas, o Pão de Açúcar teve lucro líquido de R$ 809 milhões no 3T23, um aumento de mais de 400% em comparação ao prejuízo de R$ 229 milhões no mesmo trimestre do ano passado. O GPA afirmou que esse número foi impactado pelo efeito positivo de R$ 804 milhões devido à reversão de prejuízos acumulados da Cnova.
Ao ajustar o lucro líquido a ambos efeitos, o indicador ficou em R$ 5 milhões, superando as expectativas da XP, de prejuízo em R$ 240 milhões.
Segundo Niels Tahara, analista de varejo da Eleven, o lucro líquido foi impactado positivamente pelo adiamento da cobrança de alguns impostos e por um melhor resultado financeiro.
“O resultado foi impulsionado por melhores volumes e um maior mix de frutas, verduras e legumes nas vendas”, assinalou.
Um dos destaques do balanço foi o crescimento de quase 10% na receita líquida na comparação anual.
Em sua análise, a XP atribuiu o aumento da receita líquida à expansão orgânica da empresa e a forte performance de vendas mesmas lojas – a qual aumentou em 6,6% em relação ao terceiro trimestre de 2022. A margem bruta veio em linha com as expectativas do banco, ficando em 25,1% no 3T23, um aumento de 1,3 p.p. ante mesmo período do ano passado.
Segundo o relatório, esse crescimento foi justificado “pela maior participação do Pão de Açúcar nas vendas, melhores negociações comerciais e menores níveis de ruptura de produtos”.
Recomendações
Neste último trimestre, muitos bancos e casas de análise cortaram seus preços-alvo para o ativo do GPA. Ainda assim, a Eleven se mantém otimista e reitera sua recomendação de compra para o ativo, com preço-alvo a R$ 6,50.
Já a XP, assim como a maioria, tem recomendação neutra para PCAR3, atribuindo preço-alvo de R$ 5,00.
