As ações da Hapvida [HAPV3] fecharam em queda de 1,49% hoje, a R$ 2,64, após um pregão entre perdas e ganhos. Investidores repercutiram a divulgação, na noite ontem (12), do preço de R$ 2,68 por ação em seu follow-on, anunciado no início deste mês.
A oferta secundária de 329.339.600 novas ações irá totalizar um expressivo montante de R$ 1,059 bilhão.
Após estabelecer o preço da oferta, a diretoria da Hapvida deu o aval para um aumento no valor do capital social da empresa no total de R$ 1.059.156.153,60.
Com isso, o valor do patrimônio passará de R$ 38.062.118.098,38, distribuído em 7.144.255.743 ações ordinárias, para R$ 39.121.274.251,98.
Follow-on – ou oferta subsequente de ações – é o ato de uma empresa com capital aberto na bolsa de valores emitir mais ações para serem negociadas no mercado.
Além disso, esta oferta pode ser utilizada por acionistas com percentual relevante da empresa para se desfazerem de suas posições.
Para o analista da Levante Gabriel Gaspar, o preço por ação do follow-on da Hapvida estava um “pouco maior que o projetado pelo mercado”.
O analista ainda aponta as principais razões para a realização do follow-on: o fato do cálculo Dívida Líquida (DL) sobre o Ebitda estar no patamar de 3,5 vezes, ou seja DL 3,5 vezes maior que o Ebitda; o 4T22 registrou prejuízo líquido de R$ 316,7 milhões; alta sinistralidade, em 72,9%.
Gráficos e fundamentos
De acordo com o analista técnico da Benndorf Research, Filipe Borges, HAPV3 segue “bem consolidada”, entre R$ 2,90 e R$ 2,30, sem oportunidades no curto prazo.
“Também o aumento de volume de negociação, que para mim faz mais sentido, e o ativo fica com o alvo em R$ 1,90 e um R$ 1,05”, completou.
Filipe completa dizendo que, acima de R$ 2,90, o alvo fica em R$ 4,30. No entanto, o analista entende que a maior probabilidade é de queda.
Para investimentos a longo prazo, a recomendação da Levante é neutra para HAPV3.
Segundo Gabriel Gaspar, os motivos para esta visão são o “cenário macroeconômico desafiador de juros altos e persistentes (Selic), que geram maior dispêndio de dívidas”, a “revisão dos desdobramentos da fusão com a Intermédica” e os “ avanços na sinistralidade”.
Futuro para Hapvida
Gabriel Gaspar entende que o follow-on é um alívio para o endividamento da empresa, além de mostrar o comprometimento da família Pinheiro – controladora – com a companhia, já que ela deteve forte participação na oferta.
O movimento também “deve ajudar a companhia a deter maior estabilidade ante o cenário de juros altos e persistentes (Selic)”, segundo o analista.