A Hapvida [HAPV3] acaba de obter aprovação dos acionistas para aumento de capital através da emissão de 1 bilhão de novas ações. Apesar de vir na mesma semana em que se repercute o follow-on do Grupo Casas Bahia [BHIA3], a oferta não muda nada na tese da operadora de planos de saúde.
O aumento de capital da Hapvida é algo mais técnico, tem como único objetivo recompor os limites já realizados pela empresa, confirma o especialista em renda variável André Fernandes.
Ele afirma que o setor ainda sofre com a sinistralidade, com uma pequena queda na demanda por realização de exames do seu portfólio de vidas, que prejudica as margens da empresa.
Isso acontece não só com a Hapvida, mas com as operadoras de planos de saúde no geral. “O setor já passa por um longo período de cenário desafiador desde a pandemia e está com dificuldades de se reerguer”, explica André.
Quanto a outras alternativas de investimentos no setor, o analista afirma perceber preferência dos investidores por ações ligadas a hospitais, como Rede D’Or [RDOR3] e Oncoclínicas [ONCO3], e laboratórios, como Fleury [FLRY3] e Dasa [DASA3].
“São setores que sofreram menos do que as operadoras e vêm se mantendo resilientes ao longo dos últimos anos”, diz o analista.
Entre os players do mercado, incluindo grandes nomes como Citi, Goldman Sachs e JP Morgan, a recomendação de compra do ativo, visando o longo prazo, é praticamente unânime, segundo dados da Bloomberg.
Já a curto prazo, HAPV3 encontrou forte resistência na região de R$ 5,30 e o papel aparentemente tenta montar uma formação de ombro-cabeça-ombro – padrão gráfico de reversão –, segundo o analista técnico da Benndorf Research Filipe Borges.
O especialista inclusive avalia vendas no papel, mas adverte ainda ser necessário a ação testar o suporte dos R$ 4,08 e aumentar o fluxo vendedor.
“No mais, não vejo novas oportunidades de compra do ativo no momento”, conclui o analista.