Ibovespa avança em meio a otimismo com PEC “desidratada” e queda dos juros futuros; varejo e aéreas lideram ganhos

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O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (20), impulsionado por um maior apetite pelo risco ao longo do pregão. A virtual certeza da redução do prazo da PEC da Transição de dois para um ano animou os investidores, e espera-se que a proposta seja aprovada ainda hoje. No cenário externo, os índices reagem à decisão do Banco do Japão (BoJ) de ajustar sua política monetária, permitindo uma oscilação mais “para cima” dos juros, o que fortaleceu a moeda do país e gerou volatilidade nos mercados globais. Com o resultado do dia, a bolsa passou a registrar desempenho positivo em 2022.

O principal driver do dia foi, de fato, a expectativa pelo “enxugamento” da PEC, com valor e prazo menores do que os propostos inicialmente pela equipe de transição. A medida sinaliza uma redução dos gastos públicos em relação ao esperado pelo mercado, o que é tido como positivo pelos investidores e pressionou os juros futuros, que fecharam em queda.

Para Luciano França, CIO da Avantgarde, o tom mais ameno de Haddad na condução da política econômica tem motivado uma recuperação mais forte por parte do mercado, com impacto sobre os ativos de maior risco. As indicações de nomes para a equipe econômica do futuro ministro da Fazenda também estiveram no radar.

Além disso, muitos dos papéis sensíveis a variações nos juros, que naturalmente já seriam favorecidos pelo recuo dos DIs, também encontram-se descontados, o que justifica a liderança do setor entre as maiores altas do dia.

No exterior, o principal driver foi o ajuste da política monetária pelo Banco do Japão (BoJ), visto como uma medida “hawkish” pelo mercado e que gerou aversão ao risco generalizada, apesar da posterior recuperação dos principais índices globais.

O dólar fechou em queda, também na esteira do otimismo relacionado ao prazo menor de vigência da PEC, o que traz certo alívio relacionado ao fiscal e motiva o desmonte de posições defensivas por parte de operadores do mercado.

No exterior, a moeda também se desvalorizou, especialmente em relação ao iene, que se fortaleceu com o ajuste realizado na política monetária pelo banco central japonês.

📊 Ibovespa 106.864,11 pontos (+2,03%)
💰 Volume R$ 28,9 bilhões
💵 Dólar R$ 5,2066 (-1,93%)

Do lado positivo, as varejistas foram beneficiadas pela queda dos juros futuros e pela busca por “pechinchas” e figuram entre as maiores altas, com Via [VIIA3] e Natura [NTCO3] avançando 10,81% e 8,59%, respectivamente, enquanto Magazine Luiza teve ganhos de 8,05%.

Outro setor beneficiado pelo maior apetite pelo risco, em meio a uma PEC da Transição “desidratada”, é o de companhias áereas. Gol [GOLL4] marcou o maior avanço do dia, de 11,18%, enquanto Azul [AZUL4] registrou ganhos de 7,58%. A valorização ocorre apesar da greve dos aeronautas, que deve seguir para um terceiro dia amanhã.

O IRB Brasil [IRBR3] teve alta de 5,19%, após entrar em leilão duas vezes por oscilação máxima permitida. Para o economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, o movimento é “normal”, considerando tanto o cenário de indefinição doméstico quanto a alta volatilidade do papel.

As mineradoras e siderúrgicas, que lideraram a ponta negativa no pregão de ontem, mostraram recuperação, na esteira da valorização da commodity de referência no mercado internacional. A Vale [VALE3] teve alta de 0,45%, enquanto Usiminas [USIM5] e Gerdau [GGBR4] avançaram 2,17% e 2,35%, respectivamente.

O setor bancário, também com forte peso de negociações no Ibovespa, foi impulsionado pela curva de juros mais curta e pela expectativa de menor inadimplência, fechando em território positivo. Bradesco [BBDC4] e Itaú [ITUB4] tiveram altas de 3,59% e 1,07%, enquanto Banco do Brasil [BBAS3] e Santander [SANB11] avançaram 2,58% e 2,77%, respectivamente.

Petrobras ON [PETR3] e PN [PETR4] tiveram ganhos de 2,43% e 3,08%, apesar do corte no preço-alvo para seus papéis por parte do Goldman Sachs.

Entre os poucos destaques negativos, a Qualicorp [QUAL3] caiu 3,07%, devolvendo parte dos ganhos apurados ontem. O mercado repercutiu negativamente o fim da exclusividade da companhia para a comercialização dos planos de adesão da SulAmérica [SULA11], uma das restrições impostas pela agência reguladora para aprovar a fusão dos negócios com a Rede D’Or [RDOR3].

A Marfrig [MRFG3] destoou de seus pares e teve queda de 1,59%, figurando no “pódio” das quedas, com o papel sendo pressionado pelas incertezas relacionadas ao ritmo e à magnitude de uma contração marginal para a carne bovina nos Estados Unidos.

Apenas outros 3 papéis fecharam em queda hoje: Fleury [FLRY3], Suzano [SUZB3] e Ambev [ABEV3], com recuos de 3,34%, 0,59% e 0,43%, respectivamente.

⬆️ Maiores altas do índice

🟢 GOLL4 +11,18%
🟢 VIIA3 +10,81%
🟢 NTCO3 +8,59%

⬇️ Maiores baixas do índice

🔴 FLRY3 -3,34%
🔴 QUAL3 -3,07%
🔴 MRFG3 -1,59%

(Com Agência Estado e BDM Online)

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