Ibovespa fecha em alta de 0,73% depois de 8 quedas e dólar cai mais de 2% após Fed subir juros: o que explica movimento?

Ibovespa fecha em alta de 0,73% depois de 8 quedas e dólar cai mais de 2% após Fed subir juros: o que explica movimento?


O Ibovespa fechou em alta de 0,73%, aos 102.806 pontos, nesta quarta-feira (15), dia marcado pela decisão de alta de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros americana, a maior em 28 anos. O dólar comercial, por sua vez, fechou em queda de 2,11%, a R$ 5,026 na compra e na venda.

No maior aumento desde 1994, o Federal Reserve levou a fed funds para a faixa de 1,5% a 1,75%. Se geralmente, a percepção comum do mercado é que uma alta de juros nos Estados Unidos tende a derrubar ativos de risco e elevar o preço do dólar, com investidores preferindo aportar nos treasuries, não foi isso que aconteceu desta vez, uma vez que as bolsas fecharam em alta e o dólar recuou.

Nos EUA, o Dow Jones fechou em alta de 1%, o S&P 500, de 1,46%, e o Nasdaq de 2,50%.

“Após varias quedas consecutivas, era natural que o Ibovespa teria, em algum momento, uma recuperação”, explica  Lucas Xavier, analista da Warren. “A aversão ao risco diminuiu bastante após as informações passadas pelo Federal Reserve”, comenta o analista.

Para o mercado, a percepção é que o Fed acertou em sua deliberação e afastou, parcialmente, as incertezas – o índice VIX, considerado o “índice do medo”, desabou 10,16%, a 29,37 pontos.

Desde a última sexta, após a divulgação de que a inflação americana em maio avançou 1%, muito acima do esperado, o mercado vinha se posicionando de forma temerosa, com dúvidas de como as autoridades americanas se portariam.

“O Fed acertou em cheio. Reconheceu que aumentar mais a taxa agora agora significa menos depois e demonstrou determinação em domar a inflação sem prejudicar o emprego”, disse Ronald Temple, chefe de ações dos EUA na Lazard Asset Management, à CNBC. “Enquanto alguns defendiam um aumento ainda mais acentuado, o Fed entendeu que o aumento de juros já leva os EUA a um território desconhecido com riscos significativos para o crescimento”.

Apesar de o Federal Reserve ter elevado sua taxa de juros, os treasuries yields fecharam em queda – o com vencimento em dez anos caiu 18,6 pontos-base, para 3,297%, e o para dois anos recuou 21,9 pontos, para 3,216%.

Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, destaca que Jerome Powell, presidente do Fed, se comprometeu a controlar a inflação e, ao mesmo tempo, manter a economia americana crescendo.

“O dólar vinha avançando por conta da aversão ao risco, com medo da estagflação. A mensagem do Federal Reserve ajudou a conter esse medo”, comentou Izac. “Os temores que derrubaram os mercados estão aliviando, voltando um patamar de estabilidade”.

A curva de juros brasileira também caiu em bloco, com a queda do dólar e com a menor aversão ao risco. O DI para 2023 teve sua taxa caindo 12 pontos-base, para 13,56%. Os DIs para 2025 e 2027 tiveram seus rendimentos recuando, respectivamente 38 e 37 pontos, para 12,68% e 12,59%. O yield do DI para 2029 caiu 36 pontos, para 12,69%.

No mercado acionário, o benchmark da Bolsa brasileira chegou perto das máximas do dia, com alta de 1,85%, durante as falas de Powell, que deixou aberta a possibilidade de novas altas de 75 pontos-base nos juros, mas apontou que elas não seriam “normais”. Na reta final do pregão, contudo, houve uma desaceleração dos ganhos.

“O discurso do Fed já estava, em grande parte, precificado. De qualquer forma, o Powell deu um impulso adicional às bolsas, evitando cravar se a alta será de 0,50 ou 0,75 ponto percentual, garantindo maior flexibilidade em suas próximas decisões”, apontou Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos.

A maior alta do pregão no principal índice brasileiro ficou por conta da Qualicorp (QUAL3), após a empresa anunciar na véspera o início da venda de planos de saúde no segmento coletivo por adesão da Seguros Unimed, em continuidade a parceria anunciada no ano passado. Inicialmente, serão oferecidos planos em São Paulo, Distrito Federal, Bahia e Maranhão.

Entre os destaques de altas, esteve a CVC (CVCB3), que ontem havia anunciado uma oferta de ações, que pode movimentar até R$ 477 milhões, o que levou as ações da empresa a registrarem perdas. Hoje, a empresa se recuperou das baixas, assim como o mercado, mas também se beneficiou do cenário de queda do petróleo e do dólar, como as companhias aéreas: Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) também se destacaram.

Também liderou as altas os papéis da Natura (NTCO3), com avanço de 8,08%, após anunciar a troca do comando da empresa, com o ingresso do executivo Fábio Barbosa, ex-Santander, como CEO, no lugar Roberto Marques, e informar uma simplificação da estrutura corporativa, para ajudar a lidar com incorporação das últimas aquisições.

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