Ibovespa fecha em baixa pelo segundo dia seguido, pressionado por Wall Street antes do Fed

Ibovespa fecha em baixa pelo segundo dia seguido, pressionado por Wall Street antes do Fed


O Ibovespa reprisou o movimento da véspera e fechou em baixa depois de alcançar os 109 mil pontos. A volatilidade dos negócios desta terça-feira (14) foi reforçada pela baixa no mercado internacional, com as Bolsas lá fora repercutindo dados de inflação e à espera da decisão de política monetária nos EUA, além do aumento no número de casos de Covid-19 relacionados à variante Ômicron.

Aqui no Brasil, a agenda teve dois destaques que movimentaram os mercados. Primeiro, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), na qual a taxa básica de juros (Selic) subiu 1,5 ponto percentual, para 9,25% ao ano. O documento reforçou o tom hawkish do comunicado pós-reunião da última quarta-feira, com o BC concluindo que o processo de aperto monetário deve sair mais restrito do que o utilizado em um cenário base.

Por outro lado, os indicadores econômicos mais recentes continuam vindo mais fracos que o esperado. O volume de serviços, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), caiu 1,2% em outubro na comparação com setembro. A projeção Refinitiv, de consenso do mercado, apontava para uma alta de 0,1%. É a segunda taxa negativa consecutiva, acumulando uma retração de 1,9%.

“Com os dados mais recentes de recuo, a evidência que temos é que a alta da taxa Selic começa a fazer seu efeito na economia. Já estamos com juros em território contracionista”, afirma João Beck, sócio da BRA.

Alexandro Nishimura, economista da BRA, acredita que o assunto da PEC dos Precatórios voltou a baquear os investidores hoje. “O sinal se inverteu mesmo quando começaram a circular notícias da possibilidade de alteração na PEC dos Precatórios que obrigaria nova avaliação do Senado”, afirmou.

A votação na Câmara sobre as mudanças do texto da PEC no Senado foi aguardada durante todo o dia, mas só começou após o fechamento do mercado. A Proposta de Emenda à Constituição prevê adiar o pagamento de dívidas judiciais, abrindo espaço no Orçamento Público para financiar o Auxílio-Brasil de R$ 400, substituto do Bolsa Família.

Números de fechamento

O Ibovespa fechou em queda de 0,58%, aos 106.759 pontos. O volume financeiro do dia ficou em R$ 25,9 bilhões. O Ibovespa futuro para dezembro de 2021 caía 1,18%, aos 106.575 pontos, nos últimos negócios do dia.

“A gente vê pouco espaço para uma deterioração maior ou além do que estamos vendo nos preços”, afirma Alexandro Brito, gestor da Finacap.

O dólar comercial fechou em alta de 0,34%, a R$ 5,693 na compra e R$ 5,694 na venda. O dólar futuro para janeiro de 2022 subia 0,11%, a R$ 5,707, próximo ao fechamento.

Na sessão estendida do mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2023 subia quatro pontos-base, para 11,49%; DI para janeiro de 2025 operava próximo da estabilidade, a 10,46%; e o DI para janeiro de 2027 subia um ponto-base, a 10,37%.

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Bolsas internacionais e commodities

Os índices em Nova York repercutiram os dados de inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) – o índice avançou 0,8% em novembro na comparação com outubro, enquanto o consenso de mercado estimava uma variação positiva de 0,5%. No acumulado de doze meses, o índice acumula alta de 9,6%, a maior em onze anos.

O dado saiu justamente no dia em que começou a reunião do Comitê de Mercado Aberto do Banco Central dos EUA (Fomc, na sigla em inglês), o Copom do Federal Reserve. Os investidores temem que a autoridade monetária possa usar o indicador como premissa para acelerar a retirada de estímulos à economia do país e aumentar juros.

O Dow Jones fechou em queda de 0,30%, a 35.545 pontos; o S&P 500 recuou 0,74%, a 4.634 pontos; e a Nasdaq fechou em baixa de 1,14%, a 15.237 pontos.

Outra pressão negativa veio da nova variante do coronavírus. A Ômicron já é responsável por 3% dos casos de Covid nos EUA, diz Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano. Há uma semana, a variante era responsável por menos de 1% dos casos.

Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), afirmou que a nova mutação já deve estar presente em todos os países do mundo, sendo que 77 países já têm casos confirmados.

As Bolsas europeias fecharam em queda pelo quinto dia consecutivo. Os investidores continuam cautelosos com a Ômicron, diante do aumento no número de casos da nova cepa.

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O Banco Central Europeu e o Banco Central da Inglaterra também terão reuniões esta semana para avaliar a continuidade de medidas de estímulos, o que também deixou o mercado em modo de atenção. O Stoxx 600, índice que reúne empresas de 17 países europeus, fechou em queda de 0,7%.

Os preços do petróleo fecharam em baixa, também repercutindo notícias sobre a nova variante do coronavírus. A Agência Internacional de Energia diminui em 100 mil barris por dia a previsão de consumo da commodity em 2022, por conta da nova cepa. O barril do petróleo tipo Brent para fevereiro de 2022 fechou em queda de 0,95%, a US$ 73,68; o barril do WTI para janeiro caiu 0,83%, a US$ 70,70.

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