Ibovespa fecha em queda de 0,72%, aos 104.107 pontos, com greve de servidores federais e inflação no radar

Ibovespa fecha em queda de 0,72%, aos 104.107 pontos, com greve de servidores federais e inflação no radar


O Ibovespa fechou o pregão desta quarta-feira (29) em queda de 0,72%, aos 104.107 pontos . O principal índice da bolsa brasileira operou descolado do exterior, com Dow Jones e S&P 500 avançando, respectivamente, 0,25% e 0,14%, ambas em recordes históricos para fechamentos, dando continuidade ao rali de fim de ano – a Nasdaq, porém, fechou estável, subindo apenas 0,01%.

A performance da bolsa do Brasil é explicada, em grande parte, por notícias do cenário interno. Em destaque, está a movimentação de servidores públicos federais por reajuste salarial. O Fórum Nacional das Carreiras de Estado (Fonacate), que conglomera a elite do funcionalismo público, confirmou hoje que realizará uma paralização em janeiro, tendo ainda a possibilidade de uma greve em fevereiro.

Pesou também o fato de o IGP-M em dezembro ter apontado uma alta maior do que o consenso. “O resultado acima do esperado de mais um indicador de inflação refletiu diretamente na alta da curva de juros e explica a segunda queda consecutiva do mercado brasileiro no seu penúltimo pregão do ano”, comentou Rafael Ribeiro, analista da Clear.

A curva de juros subiu em bloco. O contrato DI futuro para fevereiro de 2023 teve alta de 133 pontos-base. O para fevereiro de 2025, de 133 pontos-base. O para fevereiro de 2029, de 75.

Por fim, especialistas apontam também que o pouco volume de negociação, que ficou em R$ xxx bilhões, também acabou por pressionar a performance do índice. “A baixa liquidez acentua qualquer tipo de movimentação. Com menos players no mercado, se há uma pressão compradora ou vendera, ela tende a ter um impacto maior do que em dias de maior liquidez, em que há uma diluição das negociações. Isso trás algumas oscilações anormais”, explicou Esteter.

O dólar comercial fechou em alta de 0,94%, negociado a R$ 5,93 na compra e na venda, com máxima de R$ 5,699 e mínima de R$ 5,626.. O futuro, por sua vez, subiu 1,30%, a R$ 5,701. O dia foi marcado por disputas entre comprados e vendidos na moeda envolvendo a definição da última Ptax do ano, que acontece nesta quinta. A moeda brasileira andou descolada de seus pares internacionais – o DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta desses ativos, caiu 0,29%.

Pesou também na performance da moeda brasileira a divulgação do fluxo cambial negativo da semana de Natal, que foi de US$ 861 milhões, totalizando US$ 7,12 bilhões no mês de dezembro. O superávit primário do Governo Central, de R$ 3,9 bilhões em novembro, não foi suficiente para conter a pressão vendedora.

Dólar pesa sobre setores de aéreas e de turismo, piores quedas do Ibovespa

A alta do dólar acabou por impactar as companhias aéreas e de turismo, que foram as principais quedas do Ibovespa. CVC Brasil (CVCB3) recuou 7,33%, vendida R$ 13,14.. Azul (AZUL4), teve baixa de 7,34% a R$ 23,86. Gol (GOLL4) caiu 6,72%, a R$ 16,66.. “A alta do dólar é sempre ruim para esses empresas. Grande parte dos custos delas é dolarizado”, explica Esteter.

Segundo ele, pesou também as notícias de que a Ômicron, cada vez mais, se espalha pelo mundo. “Eu destacaria hoje, porém, os dados dos últimos dias em relação à Ômicron em países como o Reino Unido e a França. O crescimento dos números está bem forte. Mexe com o bom humor para o setor aéreo de maneira global”, completou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje que o crescimento dos casos no mundo – ontem, pela primeira vez, foi registrado mais de um milhão de infectados em um único dia – é perigoso, pois aumenta a chance de surgimento de novas variantes de Covid-19 totalmente resistentes às vacinas.

Do lado das altas, Via (VIIA3) e BrMalls (BRML3) foram destaque, com altas de, respectivamente de 1,41%, a R$ 5,02, e de 0,49%, a R$ 8,16.%. A primeira companhia estende um rali iniciado há cerca de uma semana, no qual já valorizou mais de 8%. A segunda surfa na notícia de que planeja combinar seus negócios com a Aliansce Sonae (ALSO3) – que confirmou a existência das conversar pela manhã.

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